OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

YOGA: UM POUQUINHO DE TEORIA PRA VOCÊ


Com a constante chegada de informações vindas de diversos tipos de mídia de todas as direções e regiões do planeta, o Yoga deixou de ser algo distante e misterioso e vem conquistando cada vez mais adeptos em todos os cantos do mundo. Porém, se a prática física das salas de aulas deixou de ser um enigma a ser desvendado, por outro lado, o Yoga enquanto filosofia ainda é muito pouco explorado. É bem verdade que se trata de um conhecimento tão vasto quanto profundo, mas de suma importância para que o praticante se considere verdadeiramente um yogui.
Vamos começar pelo começo e, sendo assim, não podemos deixar de citar o grande sábio Patañjali que, cuidadosamente, coordenou o pensamento yogui e explicou-o a seus alunos cerca de três séculos a.C. Ele foi o codificador do Yoga Clássico, tendo sido descrito por diversos autores e em diferentes épocas ao longo de vários séculos, tornando-se difícil precisar o momento correto de sua existência. Ninguém sabe detalhadamente quem foi o sábio Patañjali. Não existem dados históricos sobre ele, mas sabemos que ele existiu, pois além do Yoga Sūtra (texto composto de 196 aforismos) ele também nos deixou obras completas sobre Gramática e Ayurveda (medicina indiana). Como não se têm dados históricos sobre Patañjali, sua personalidade e descrição estão todas envoltas de lendas, mitos e símbolos, como é costume na Índia e em todos os povos antigos.
Patañjali, através de extensa pesquisa, catalogou tudo o que se praticava em nome do yoga buscando pontos em comum, chegando assim à formulação de seus conceitos básicos. Ele não criou o yoga, já que este era praticado há milhares de anos, mas é o responsável pelo entendimento do yoga enquanto sistema filosófico. O sistema filosófico Yoga está descrito em seu texto básico: o Yoga Sūtra. Na segunda parte dessa obra, ele propôs um sadhana (caminho) para se alcançar kaivalya (autorealização): o Aṣṭāṅga Yoga. O Aṣṭāṅga Yoga, como diz o nome (aṣṭa=oito e aṅga=partes de um corpo), compõe-se de oito partes e são códigos de condutas e disciplinas éticas que perpassam o desenvolvimento da prática de Hatha Yoga. Abaixo, você pode conhecer esses oito passos para enriquecer, caso queira, a sua caminhada:
1)Yamas (disciplinas para a harmonização do homem com a sociedade):
Ahimsā – não violência
Satya – verdade
Asteya – não roubar
Brahmacārya – ir para Brahman (refletir)
Aparigraha – desapego
2) Nyamas (condutas para a organização da vida pessoal individual; o que se cultiva para si):
Śauca – purificação em todos os sentidos
Saṅtoṣa – contentamento (contentar-se com o que se tem)
Tapas – austeridade (desafiar-se na superação de algo que lhe seja um sacrifício)
Svādhyāya – estudo dedicado ao autoconhecimento
Iśvarapraṇidhāna – manter a mente em Iśvara (a Divindade), buscando o encontro com o Todo
3) Āsana – postura (nesse caso, posição sentada, firme e confortável p/ meditar)
4) Prānāyāma – controle do prana (fluxo de energia vital do nosso corpo sutil)
5) Pratyāhāra – abstração dos sentidos, desligando-se do mundo exterior
6) Dhāraṇa – concentração, proteção da mente
7) Dhyāṅa - meditação
8) Samādhi – experiência de plenitude, em que se está completamente conectado
Namaste! Glaucia Cantergiani