OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um Pouco de Sustentabilidade e Comportamento Humano



   Recentemente, recebi este vídeo de uma querida amiga e achei legal compartilhar neste blog. Apesar de o tema principal ser a relação da sustentabilidade com o comportamento humano, o André Trigueiro explora com clareza o "Repensar o Consumo", e isso tem relação direta com o Yoga. Além do mais, a visão da sustentabilidade por si só não está menos integrada à filosofia do Yoga!

Hari Om!!

sábado, 13 de novembro de 2010

A CURA DO ESTRESSE COM YOGA


Há algumas décadas a palavra estresse surgiu na mídia para descrever um dos grandes vilões da qualidade de vida do final do século XX. Atualmente, a palavra já faz parte do vocabulário diário e da realidade da maior parte da população mundial.
O estresse da vida moderna faz com que o corpo acredite estar constantemente enfrentando desafios. O perigo pode ser imaginário ou real, mas nosso corpo responde igualmente com o aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, além da produção de substâncias biológicas como o cortisol e a adrenalina, entre outras. O papel do nosso organismo é produzir mais energia para a superação de momentos difíceis, porém, se esse comportamento for constante, haverá sobrecarga dos órgãos e sistemas corporais, podendo resultar em hipertensão arterial entre outros desequilíbrios na nossa saúde. Um estudo da Universidade de Oxford com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA mostra que mulheres mais estressadas têm menos chances de gravidez, mais devido aos altos índices de adrenalina do que de cortisol. O estresse enfrentado por um animal no momento de uma caça (buscando seu alimento ou fugindo de se tornar alimento para outros animais), por exemplo, é normal e saudável, sem geração de prejuízos para sua saúde, pois ocorre por tempo limite com longos períodos de descanso, num ritmo atividade-descanso. Porém, o animal tem desejos e aversões limitados. Nós, humanos, não nos comportamos assim, ou seja, temos desejos e aversões subjetivos e, em alguns casos, ilimitados. Isso nos leva a estarmos sempre lutando por algo mais que vá saciar nossa constante insatisfação. Esse comportamento contínuo é um dos importantes fatores de produção do estresse crônico. O cortisol está associado ao estresse crônico, e a adrenalina é liberada pelo organismo quando a pessoa está, ou julga estar, em situações ameaçadoras ou perigosas.
Outro fator comportamental que se destaca na produção do estresse é pensar excessivamente. As pessoas passam a maior parte do tempo pensando em assuntos diversos (passados e futuros) no momento em que estão realizando uma tarefa que nada tem a ver com tais pensamentos. Muitas vezes, as ações pensadas jamais acontecerão. A revista Science divulgou um estudo que relata que essas oscilações excessivas da mente tornam as pessoas infelizes. Os autores do estudo informaram que “a capacidade de pensar sobre o que não está acontecendo é uma conquista cognitiva, mas que tem um custo emocional”. Atualmente, cada vez mais pesquisadores de importantes centros de pesquisa sobre bem-estar e comportamento humano têm comprovado os efeitos benéficos da prática de viver o momento presente.
E viver o momento presente é a base do caminho do Yoga. Obviamente, a meditação está incluída nos ensinamentos do Yoga como parte importantíssima e inseparável desse caminho. Entretanto, esses ensinamentos propostos há milhares de anos são muitos, e vêm sendo cada vez mais utilizados pela população de todo o mundo; muitas vezes sob novas nomenclaturas e até mesmo sob novas autorias no mundo ocidental. Outrossim, a verdade é que através do Yoga dispomos de um imenso leque de ferramentas para restaurar o ritmo adequado entre atividade e relaxamento, pois esse ritmo é essencial para a nossa saúde já que nosso corpo foi projetado para que cada momento de estresse corresponda ao dobro de relaxamento.
No que concerne o trabalho do corpo físico, as posturas e exercícios do yoga vão muito além da vaidade e promovem equilíbrio, força, bons hábitos e pensamentos positivos para quem pratica essa técnica. E, no que diz respeito ao embasamento filosófico, entre muitos outros, nos transmite o Conhecimento de que os desejos e aversões (rajas e dveśas) são oriundos da nossa falsa concepção do Eu que deseja as coisas acreditando que, através delas, estaremos confortáveis e felizes. Mas, o desejo por objetos na verdade denuncia, denuncia a carência e insatisfação interior. E essa busca incessante, sob uma ótica mais profunda dos fatos, se traduz numa das principais causas do estresse. Para vivermos livres dessas armadilhas, o Yoga é um caminho.

Boas práticas e namaste!
Glaucia Cantergiani

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Que São Yamas e Nyamas? Que Papel Desempenham no Caminho de um Yogui?


Certa vez, um importante sábio que viveu alguns milhares de anos atrás resolveu olhar com carinho para as nobres informações contidas nas escrituras sagradas da Índia antiga sobre um sistema filosófico chamado Yoga. Depois de um longo trabalho de organização e classificação desse vasto conteúdo, surgiu o Tratado mais verdadeiro e completo sobre Yoga até os tempos atuais, o Yoga Sūtras de Patañjali. Patañjali era o nome desse mestre e o Tratado é composto de 195 versos (ou aforismos=sūtras), provavelmente, por ser o modelo literário mais usual da época.
Assim, surgiu a sādhana, ou prática espiritual, definida por Patañjali. Sādhana compreende a relação de ferramentas disponíveis no yoga para que se atinja a grande meta: Tornarmo-nos conhecedores de quem Somos de verdade e obtermos clareza da mente para atingirmos a liberação dos sofrimentos (samādhi) comuns da existência na vida material! É aí que os yamas e nyamas entram em cena, como atitudes de controle sobre sentimentos e ações que são naturais do ser humano, porém geradores dos sofrimentos. E o segundo capítulo do Yoga Sūtras, Sādhana Pādah, versa sobre os sofrimentos, suas causas e, principalmente, Disciplina, yamas e nyamas.  
Se desejamos nos tornar Verdadeiros yoguis, devemos conhecer não somente os āsanas, prānāyāmas, pratyāhāra (abstração dos sentidos) dhāranā (concentração) e dhyāna (meditação) normalmente ensinados nos núcleos de Yoga, academias, etc., onde são realizadas as práticas físicas. É preciso ir além e conhecer também as disciplinas para a harmonização do homem com a sociedade e consigo mesmo, yamas e nyamas, para, enfim, atingirmos samādhi.  
 Yama vem de PARAR, SEGURAR, CONTROLAR, algo em relação aos outros, à sociedade. A natureza humana nos conduz o tempo todo para atitudes contrárias às preconizadas nos yamas, se não tivermos esse controle, embarcamos como papel ao vento seguindo apenas nossos instintos oriundos da natureza material, humana e, portanto, ignorante. Ficamos presos na roda de samsara, que é viver amarrados a uma orientação criada pela mente. A mente é treinada a seguir determinados hábitos e essa orientação fica impressa. É preciso muita disciplina para se quebrar o ciclo! Além do mais, segundo o Sūtra 2.31, “ete jatidesakalasamayanavacchinnah sarvabhauma mahavratam” (Yama é um grande compromisso em relação a todo o mundo, independente de classe, país, tempo ou circunstâncias; tradução de Gloria Arieira), essas condutas não beneficiam apenas o praticante individual, mas toda uma humanidade.
São cinco os yamas que permeiam essa caminhada: ahimsā, satya, asteya, brahmacarya e aparigraha.
Ahimsā é a atitude de não ser violento sob nenhuma perspectiva, portanto nossa natureza violenta instintiva deve ser controlada se desejamos alcançar o Conhecimento. Violência verbal, física, intencional, do pensamento, todas estão incluídas nesse processo para que não causemos danos a outros, seja um ser humano, um animal ou um vegetal. Quando a pessoa atinge naturalmente este estado, ela não pensa mais que não deve ser violenta, simplesmente não consegue ter atitudes destrutivas ou violentas.
Satya é viver na Verdade. Praticar a veracidade, firmeza de identidade entre pensamento – palavra – ação. Antes de tudo, ser verdadeiro consigo.
Asteya significa não roubar, que pode ser interpretado como não obter algo que pertence à outra pessoa, mas também controlar o desejo de possuir o que não lhe pertence.
Brahmacarya pode ser traduzido como ”ir para Brahman”, ou seja, mergulhar na reflexão e adotar uma vida de estudos e disciplinas, em que tudo se torna menor e o estudo acerca do Poder da Criação passa a ser a essência da vida. Nesse caminho, a pessoa é capaz de alcançar poder e força interior.
Aparigraha é a prática do desapego, não acumulando bens desnecessários à manutenção de sua vida e aprender a viver com o que é essencial. Segundo o Sūtra 2.39, quando se está estabelecido em não acumular objetos, obtém-se o conhecimento de vidas passadas.
Passamos agora ao entendimento dos Nyamas, que são as ações pertinentes ao indivíduo, pois ny em sânscrito quer dizer para dentro, assim, podemos dizer que nyamas são as restrições e os controles que praticamos para nós mesmos. É algo individual, traduz-se na atenção que destinamos à organização da nossa vida pessoal e as condutas que devemos adotar para conosco a fim de atingirmos essa meta. Os nyamas também são cinco: śauca, santoșa, tapah, svādhyāya e iśvarapraņidhāna. Vamos a eles:
Śauca representa a purificação em todos os sentidos. É a busca da pureza de pensamentos, palavras e ações.
Santoșa é o estado de contentamento. Ter o pé no chão, viver com o que se pode e sentir-se bem assim. Obtendo-se a pureza da mente (śauca), adquire-se a atitude satisfeita da mente. “Da satisfação, vem o ganho de incomparável felicidade”, sūtra 2.42.
Tapah são as disciplinas específicas que nos impomos para aprendermos a superar algo muito difícil para nós. É uma atitude de austeridade e autosuperação, um trabalho para a mente.
Svādhyāya é o ato de nos dedicarmos ao estudo de assuntos de nosso próprio interesse. “Do estudo, há a união com sua forma divina predileta”, sūtra 2.44.
Iśvarapraņidhāna é manter a mente no Todo, na Força Maior ou inteligência cósmica que se sustenta. É a entrega verdadeira a essa inteligência cósmica como Governante do Universo e que habita o interior de cada criatura.
Assim, finalizamos o discurso sobre as condutas éticas que completam o significado de Yoga. Mas, devemos ter consciência de que a razão do Yoga não são os yamas e nyamas. Esses são apenas instrumentos (e nem devemos nos apegar a eles) para atingirmos a meta principal. E a meta principal não é a sādhana, mas a obtenção do Conhecimento, clareza da mente, samādhi!

Hari Om!
Glaucia Cantergiani

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Gestação Saudável com Yoga

         
       A gestação é o acontecimento natural mais nobre na vida de uma mulher. Apesar disso, nesta fase, ela fica sempre mais ansiosa, pois é um período em que não somente seu organismo passa por várias modificações mas também a sua mente. Sabemos que essas modificações podem provocar alguns transtornos físicos (circulatórios, digestivos, anatômicos, cefaléias, etc.), e que, para evitar todas essas perturbações, a gestante precisa ter uma vida o mais tranqüila possível. Do ponto de vista médico, as orientações e o acompanhamento recebidos são fundamentais nesse processo milagroso de continuidade da Vida, mas o cuidado com o corpo também merece uma especial atenção da gestante.
A gravidez pode dar à mulher a oportunidade de conhecer o seu corpo e desenvolver a sua própria receptividade através das sensações novas que passará a sentir. É um momento oportuno para a mulher se aproximar de si mesma, pois o fato de estar carregando em seu ventre, durante vinte e quatro horas por dia, um novo Ser que se forma mais completo a cada dia pode servir de grande motivação para se entrar em contato com sua Essência Divina. Sinto esse momento como uma das maiores oportunidades para se testemunhar a presença Divina em nosso próprio Ser. E essa é a maior busca do caminho do Yoga.
Quando praticamos yoga, desenvolvemos nossos corpos físicos e treinamos nossas mentes através da execução dos asanas (posturas psicofísicas), da prática de meditação, dos cânticos de mantras, estudando os textos sagrados, etc. Tudo isso com o objetivo Maior de nos sentirmos plenos, reconhecermos que somos Divinos. E, com a possibilidade de “criarmos” um novo Ser, esse caminho torna-se muito mais evidente.
Não existe Yoga para Gestantes, pois as posturas dessa prática milenar são únicas e para todos, mas, por possuírem inúmeras variações são facilmente adaptáveis às diferentes necessidades dos praticantes. Portanto, a essa seleção de posturas que se destina a proporcionar bem-estar físico e emocional às mulheres gestantes damos o nome de Yoga Para Gestantes. E os benefícios desse trabalho na gestação são incontáveis.
Quando a gestante realiza os pranayamas (exercícios respiratórios específicos) durante uma aula ela não somente oxigena melhor todo seu corpo e seu bebê, mas também abastece ambos de muita energia vital. Isso é possível porque o trabalho respiratório, além de ser realizado com a Consciência, segue parâmetros desenvolvidos com a clareza da verdadeira Sabedoria e, por isso, têm sido preservados há milhares de anos. Ao respirar corretamente e com qualidade, a gestante terá autocontrole de suas emoções, o que será extremamente útil no momento de dar à Luz.
A prática das posturas por sua vez é de extrema importância no combate às dores nas costas tão comuns nesse período de vida das mulheres. A lordose da grávida, ocasionada pelo aumento progressivo dos seios e barriga, é o principal motivo dessas dores incômodas. Não é pequeno o acervo de posturas que trabalham a abertura pélvica e o alongamento e fortalecimento da musculatura que sustenta a coluna vertebral. E uma boa postura física é fundamental não somente para o corpo físico, mas também para o corpo energético. É pela coluna vertebral que circula a energia de kundalini.  Essa ativação da kundalini permite que a gestante se sinta mais bem-disposta.
Outro ponto precioso desse trabalho é o fortalecimento do assoalho pélvico. O assoalho pélvico é constituído por treze músculos auxiliados por fáscias e ligamentos (que funcionam como elásticos biológicos) localizados no fundo da bacia. Além de sustentar todo o peso abdominal,  é através dessa musculatura que o bebê passa num parto natural. Por isso, as vantagens do trabalho dessa região do corpo da mulher se refletem antes, durante e depois do parto como segue: Eliminando as incontinências urinárias (devido ao peso excessivo e conseqüente pressão sobre a bexiga e o períneo) relativamente comuns no terceiro trimestre da gestação; evitando o rompimento (devido à falta de elasticidade) do períneo durante a passagem do bebê e permitindo um retorno mais fácil da musculatura ao seu tônus natural após o parto.
Por fim, ressaltando os benefícios mentais e emocionais, voltamos ao início do assunto chamando a atenção para a importância de um trabalho que leve a gestante à busca do autoconhecimento e ao estabelecimento do contato íntimo da mãe com o bebê em seu ventre, o que muitas vezes, em função de uma rotina de vida agitada, não ocorre por falta de tempo. As aulas de yoga servem para que essa gestante possa frear seu ritmo e manter a mente estável e focada na maior Obra de sua existência. Por outro lado, o yoga ajuda a canalizar as emoções tão flutuantes nesses momentos de vida da mulher, por conta da influência de doses cavalares de hormônios produzidos em seu organismo, para a autopercepção da maravilha que é vivenciar o estado de estar gerando um novo Ser!

Namaste,
Glaucia Cantergiani

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Yoga Para Crianças: Mais Uma Atividade Física Ou Uma Boa Saída Para A Humanidade?

      As crianças que habitam o planeta nos dias atuais são diferentes, estão vindo diferentes e mais abertas. Atualmente, há vários estudos que mencionam as crianças índigo e cristal, que vieram com a missão de trazer ao mundo mais espiritualidade e menos moralidade, em seu sentido estrito e fechado. São crianças mais intuitivas, espontâneas, resistentes à moralidade estrita e restritiva, dotadas de uma grande imaginação (incluindo-se dons paranormais, embora nem sempre sejam do conhecimento da própria criança). No entanto, elas estão recebendo cargas pesadas de influências negativas das mais variadas fontes por parte de nosso mundo: radiações (emissão de ozônio, celulares, microondas, etc.); trânsito; poluição atmosférica; poluição mental; alimentos desqualificados nutritivamente; atividades excessivas (TV, games, internet, escola, esportes, etc.).

       É aí que devemos parar para refletir de que forma nós, pais e adultos atuantes na sociedade, podemos cumprir nossos papéis como responsáveis por fornecer ferramentas para que as crianças de hoje sejam auxiliadas a tornarem-se o adulto de amanhã que fará a diferença na criação de um mundo melhor.

      Os efeitos positivos da prática do Yoga vêm sendo cada vez mais difundidos no ocidente e, aos pouquinhos, mais e mais adultos vêm se beneficiando com essa nobre filosofia. Entretanto, nas aulas de Yoga para adultos, procuramos relembrá-los do contato da consciência com a alma, enquanto que para as crianças ensinamos-lhes a crescer sem perder esse contato. Portanto, a abordagem se torna diferente e os benefícios mais estruturais e profundos.

      Atualmente, podemos encontrar vários sites e artigos sobre a prática do Yoga voltada para crianças, mais e mais pessoas vêm pesquisando o assunto e várias ONG’s, ao redor do globo e na índia, estão surgindo tendo como metas os valores humanos para as próximas gerações, o que é muito bom. Além dos vários benefícios já conhecidos, tanto no passado quanto nos dias atuais, o Yoga tem se mostrado uma ferramenta poderosa na formação do caráter e da personalidade de quem o pratica. É uma prática que cria bases para uma vida saudável, pois, através de exercícios físicos, respiratórios, práticas de relaxamento e técnicas meditativas, adaptados à idade infantil, é possível inserir a criança na filosofia do Yoga, através de jogos e atividades lúdicas, que possui ferramentas que auxiliam na superação e compreensão dos medos e estados de ansiedade, promovendo a tranqüilidade. Através dos ensinamentos filosóficos do Yoga, as crianças ampliam as percepções do corpo e da mente, desenvolvem a concentração, auto-estima, equilíbrio e agilidade. E nós também podemos ser os portadores dessa mensagem a fim de que cheguem às nossas crianças.

      Agora que já temos alguns parâmetros é só decidir que caminhos apresentar a nossas crianças, e que valores desejamos que permeiem o mundo que eles habitarão. Obviamente, esta é apenas uma das opções, mas o mais importante é estarmos conscientes do nosso papel no futuro da humanidade.

sábado, 24 de abril de 2010

Yoga E Psicologia: Conhecendo A Mente


Apesar do encontro entre a psicologia ocidental e o Yoga ainda estar no início, já é possível fazermos um estudo análogo entre as duas ciências que até certo ponto se afinam. A psicologia procura estudar a mente e seus conflitos, o comportamento humano e sua personalidade. O Yoga, que tem como base filosófica o Samkhya, também aborda todas essas questões, porém, vai além nesse caminho do autoconhecimento.
Tanto a psicologia quanto o Yoga acreditam na existência de conteúdos inconscientes no ser humano, que podem interferir em suas escolhas e ações na vida. Ambas as filosofias acreditam que o ser humano tem capacidade discriminatória (que em Samkhya-yoga denomina-se Buddhi, ou intelecto), o que não o deixa completamente à mercê de seus impulsos instintivos. Também preconizam a necessidade do autoconhecimento (precisamos olhar para nossos verdadeiros sentimentos, conflitos e tendências) para sabermos o que motiva nossas escolhas. Talvez seja nesse ponto que a visão do Samkhya-yoga vai além, com a idéia de que trabalhando na direção da dissolução da ignorância do Eu limitado alcança-se a libertação do Eu real.
Isso nos remete a uma retórica que já vem sendo muito explorada, que a vida é expansão e crescimento. Baseados nessa premissa, devemos sempre nos perguntar se aquilo que estamos vivendo (pessoal, social e/ou profissionalmente) está nos segurando ou nos expandindo. No caminho do autoconhecimento, é importante ficarmos atentos às desculpas que usamos na hora de seguirmos na direção da nossa evolução, pois, muitas vezes, confundimos estabilidade com estagnação ou segurança com resistência à mudança.
Se o intelecto discriminador (Buddhi) permanece voltado para o universo exterior, para fora, fica sujeito às instabilidades das impressões, das ações e dos diversos pensamentos, permanecendo agitado e instável. E é esse movimento da mente, voltada para a matéria (tanto grosseira quanto sutil, chamada de Prakrti), que produz a noção limitada e limitante do Eu (Ego), e que impede a identificação com o Eu real e imutável. 
Tanto a psicologia ocidental como o Yoga se utilizam de diversas técnicas que auxiliam o indivíduo a direcionar melhor sua energia na busca do equilíbrio. Porém, a psicologia procura equilibrar o indivíduo, coordenar suas energias, tornando-o capaz de lidar com seus conflitos e sentindo-se seguro em sua visão de si mesmo, encerrando por aí o seu trabalho. Já o Yoga propõe que o indivíduo compreenda o Eu como aquilo que transcende essa personalidade que adquiriu tantas marcas e tendências. O Yoga preconiza que o Eu não depende dessa personalidade, o Eu é eterno e imutável.
A prática do Yoga nos leva para dentro de nós no sentido de podermos investigar a resposta da pergunta que vem sendo meditada há milhares de anos: Quem Sou Eu? Essa grande aventura investigativa nos leva a uma caminhada, sem atalhos, para a resposta que já está dentro de nós.
Nesse contexto, conforme cita Tara Michel em “O Yoga, espírito e matéria”, o Samkhya, aspecto filosófico do Yoga, conduz à compreensão da natureza da matéria (Prakrti), que está em constante transformação e que aprisiona o intelecto (Buddhi), e também do Ser Supremo, imutável e eterno, que está além das transformações da matéria. Um dos processos para se restabelecer a ligação com o Ser Supremo original é o Yoga, porém, é necessário se compreender as complexidades da existência material que atam a alma universal a este mundo.
É preciso agir com consciência plena de Si, da natureza e do Ser Supremo, agir com conhecimento e consciência espiritual plena. O Samkhya e o Yoga são considerados filosofias gêmeas por serem dois aspectos de uma única disciplina. Yoga é autorealização, é a prática do conhecimento, e samkhya é o conhecimento sobre a prática. De certa forma, esse caminho complementa, dá um passo além no trabalho da psicologia.
Mas, para avançar nesta estrada, é necessário que haja movimentação e muitas vezes a vontade de arriscar tudo, dando um pulo baseado simplesmente na fé que nos dá esse delicioso sabor de aventura, como sementes que, destemidamente, quebram a casca para virar árvores imensas. 
Namastê!    Glaucia Cantergiani

quarta-feira, 7 de abril de 2010

“Escolhas”

        A vida nunca ensina coisa alguma. É você quem decide se há uma lição em cada alegria, cada tristeza e cada dia comum pelo qual passa, ou se desperdiça todos os momentos de prazer e dor. Não são os fatos que acontecem que fazem com que você aprenda algo, mas somente suas respostas e reações àquilo que acontece. Também não são as experiências de sua vida, desde a infância, que transformaram você na pessoa que é hoje, mas somente a maneira como reagiu, ou respondeu, àquilo que você viveu. Veja que são coisas bem diferentes.
       Tudo o que você é, tudo o que você foi e tudo o que você será tem relação direta com o jeito como você age quando uma coisa boa, ou má, acontece na sua vida. Exatamente por isso, uma mesma situação pode levar uma pessoa a tornar-se mais ácida, deprimida, cínica e isolada, enquanto outra – na exata mesma situação – aproveita para se tornar alguém melhor, com mais fé, coragem, resistência e confiança no espírito humano ou em seu próprio potencial de ser feliz.
       Coisas boas e coisas ruins acontecem a todos os seres humanos de modo aleatório, mas consistente com leis matemáticas e universais de ação e reação. Por isso não é possível vivermos em um paraíso, mas podemos ser oásis de paz no meio das guerras que muitas outras pessoas vivem, se nos lembrarmos de que não podemos escolher tudo o que nos acontece, mas quase sempre podemos escolher o modo como reagimos àquilo que nos acontece. Podemos fugir à tristeza? Não. Podemos usar os momentos de dor e separação com razão para tornar ainda mais importante os momentos nos quais estamos ao lado dos que amamos; podemos tornar nosso trabalho mais profundo, podemos nos tornar pessoas diferentes daquilo que já fomos. Podemos escolher nossas reações. Podemos ser hoje melhores do que fomos ontem. Mesmo quando a realidade é dura, sua reação, sua resposta a ela pode levar você para frente, para novos horizontes e uma vida mais rica ou pode derrubar você. Se isso acontecer e você cair no chão, faça com que seja uma queda temporária. Levanta-se e ande... O fracasso só existe se você não se levantar após uma queda. Cabe a você – e somente você – escolher se os acontecimentos de ontem, hoje e amanhã serão usados para torná-lo uma pessoa melhor ou pior do que você é agora. É apenas uma escolha. A escolha é sua.


Autor desconhecido



segunda-feira, 5 de abril de 2010

O YOGA NA MUDANÇA DOS PADRÕES COMPORTAMENTAIS


           Muitas vezes nos damos conta de que, apesar de tantos planos e metas, pouco fazemos para atingi-los. Muitas vezes nos cobramos ou frustramos com essa inércia que nos afeta e paralisa, mas o que pode nos impedir de concluir um objetivo ou seguir uma missão é, de fato, a força da Inércia. A Inércia tem sua força em hábitos conscientes ou inconscientes que fazem com que andemos em círculos indo rápido para lugar nenhum, e, em sânscrito, existe uma palavra para isso: Samskara. Samskaras são tendências, hábitos, padrões de comportamento, conscientes ou não, que nos impedem de ir além da nossa zona de conforto, e que estão profundamente presos ao nosso mental. Em Manas, nossos pensamentos, palavras e ações vão criar os samskáras (impressões na mente) que vão determinar nossas tendências, vásanas, isto é, nosso caráter.
          Na visão do grande sábio Patañjali (responsável pela compilação de todo o conhecimento sobre Yoga de que hoje usufruímos), portanto, os samskaras são as sementes dos pensamentos e emoções que, quando amadurecem, produzem novos pensamentos, desejos e vontades, mantendo em funcionamento a roda do samsara, aprisionando e condicionando o ser humano. Segundo o mestre indiano, o psiquiatra, Sri Dhira Chaitanya, “adquirimos padrões impróprios de pensamento nos vários estágios da vida. Desfazer esses padrões e tornar a mente simples e cognitiva é crescimento. Para as mentes simples, o ensinamento da filosofia do Yoga funciona como fogo e a pessoa preenche o objetivo da vida humana”.
             O trabalho da psicologia ocidental é ampliar a visão limitada que temos de nós mesmos. A psicologia indiana vai um pouco além, indicando que o mero conhecimento dessas tendências inconscientes não pode livrar totalmente o homem de seus complexos e outras perturbações mentais. Os psicólogos indianos acreditam que os samskáras podem ser controlados e transformados somente num real processo de total desenvolvimento psicológico. Nessa visão da psique humana, podemos conhecer tudo isso, ter uma visão abrangente, equilíbrio e até podemos, inclusive, conseguir lidar com o mundo e com os outros, mas só nos libertaremos de nossos conflitos quando reconhecermos nossa identidade “divina”. Caso contrário, começaremos a rodar em círculos.
            Nada é por acaso. Nem nós mesmos! Tudo indica que estamos aqui por que fomos chamados, e é nossa responsabilidade descobrir e conhecer esse chamado, e a prática do Yoga pode ajudar MUITO no reconhecimento desses padrões para que possamos nos desapegar deles e ouvir aquela voz interna que nos guia para finalmente realizarmos o nosso destino, para mudarmos nossa visão de nós mesmos como seres com um Eu limitado, temporal. Com a visão de quem somos, podemos lidar com aqueles impulsos que ainda habitam nossa mente, com as dificuldades que ainda enfrentamos, para podermos dissolver a urgência e a ansiedade da temporalidade.

Namastê!
Glaucia Cantergiani

sexta-feira, 19 de março de 2010

YOGA: O SILÊNCIO QUE VALE OURO


O silêncio é artigo cada vez mais raro e inusitado nos tempos atuais. As pessoas ficam em silêncio por muitos motivos: para reter informações, para se sentirem superiores aos outros, para reprimir seus sentimentos, para frisar o que acabaram de dizer, para comunicar sentimentos com os olhos, para sentir melhor o que está acontecendo, para expressar uma censura, e assim por diante.
No Yoga existem várias ferramentas disponíveis que podemos aplicar em nosso dia-a-dia, e que têm como foco final a vivência do Silêncio Sagrado. Essa prática na Índia é chamada de mauna.
Busco vivenciar esse silêncio em todas as minhas práticas de Hatha Yoga, seja na prática de asanas, de pranayamas, no relaxamento e, principalmente, nos momentos destinados à meditação. E, sempre que experiencio essa sensação, é imenso o retorno, a energização sentida em todos os sistemas corporais, a sensação de tranqüilidade e completude.
Afinal, se no silêncio sagrado colocamo-nos fora da personalidade egóica, então, ele é tudo o que procuramos alcançar através do Yoga.
Pessoalmente, entro em contato com esse desafio na minha vida cotidiana e, apesar dificuldade consciente de permanecer nesse estado de êxtase, busco e mantenho-me conectada a essa busca diariamente, pois, certamente, todo esse “caminho” tem como objetivo alcançar a tão sonhada imobilidade para que se abra a dimensão da existência espiritual em nosso interior.