OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

sábado, 24 de abril de 2010

Yoga E Psicologia: Conhecendo A Mente


Apesar do encontro entre a psicologia ocidental e o Yoga ainda estar no início, já é possível fazermos um estudo análogo entre as duas ciências que até certo ponto se afinam. A psicologia procura estudar a mente e seus conflitos, o comportamento humano e sua personalidade. O Yoga, que tem como base filosófica o Samkhya, também aborda todas essas questões, porém, vai além nesse caminho do autoconhecimento.
Tanto a psicologia quanto o Yoga acreditam na existência de conteúdos inconscientes no ser humano, que podem interferir em suas escolhas e ações na vida. Ambas as filosofias acreditam que o ser humano tem capacidade discriminatória (que em Samkhya-yoga denomina-se Buddhi, ou intelecto), o que não o deixa completamente à mercê de seus impulsos instintivos. Também preconizam a necessidade do autoconhecimento (precisamos olhar para nossos verdadeiros sentimentos, conflitos e tendências) para sabermos o que motiva nossas escolhas. Talvez seja nesse ponto que a visão do Samkhya-yoga vai além, com a idéia de que trabalhando na direção da dissolução da ignorância do Eu limitado alcança-se a libertação do Eu real.
Isso nos remete a uma retórica que já vem sendo muito explorada, que a vida é expansão e crescimento. Baseados nessa premissa, devemos sempre nos perguntar se aquilo que estamos vivendo (pessoal, social e/ou profissionalmente) está nos segurando ou nos expandindo. No caminho do autoconhecimento, é importante ficarmos atentos às desculpas que usamos na hora de seguirmos na direção da nossa evolução, pois, muitas vezes, confundimos estabilidade com estagnação ou segurança com resistência à mudança.
Se o intelecto discriminador (Buddhi) permanece voltado para o universo exterior, para fora, fica sujeito às instabilidades das impressões, das ações e dos diversos pensamentos, permanecendo agitado e instável. E é esse movimento da mente, voltada para a matéria (tanto grosseira quanto sutil, chamada de Prakrti), que produz a noção limitada e limitante do Eu (Ego), e que impede a identificação com o Eu real e imutável. 
Tanto a psicologia ocidental como o Yoga se utilizam de diversas técnicas que auxiliam o indivíduo a direcionar melhor sua energia na busca do equilíbrio. Porém, a psicologia procura equilibrar o indivíduo, coordenar suas energias, tornando-o capaz de lidar com seus conflitos e sentindo-se seguro em sua visão de si mesmo, encerrando por aí o seu trabalho. Já o Yoga propõe que o indivíduo compreenda o Eu como aquilo que transcende essa personalidade que adquiriu tantas marcas e tendências. O Yoga preconiza que o Eu não depende dessa personalidade, o Eu é eterno e imutável.
A prática do Yoga nos leva para dentro de nós no sentido de podermos investigar a resposta da pergunta que vem sendo meditada há milhares de anos: Quem Sou Eu? Essa grande aventura investigativa nos leva a uma caminhada, sem atalhos, para a resposta que já está dentro de nós.
Nesse contexto, conforme cita Tara Michel em “O Yoga, espírito e matéria”, o Samkhya, aspecto filosófico do Yoga, conduz à compreensão da natureza da matéria (Prakrti), que está em constante transformação e que aprisiona o intelecto (Buddhi), e também do Ser Supremo, imutável e eterno, que está além das transformações da matéria. Um dos processos para se restabelecer a ligação com o Ser Supremo original é o Yoga, porém, é necessário se compreender as complexidades da existência material que atam a alma universal a este mundo.
É preciso agir com consciência plena de Si, da natureza e do Ser Supremo, agir com conhecimento e consciência espiritual plena. O Samkhya e o Yoga são considerados filosofias gêmeas por serem dois aspectos de uma única disciplina. Yoga é autorealização, é a prática do conhecimento, e samkhya é o conhecimento sobre a prática. De certa forma, esse caminho complementa, dá um passo além no trabalho da psicologia.
Mas, para avançar nesta estrada, é necessário que haja movimentação e muitas vezes a vontade de arriscar tudo, dando um pulo baseado simplesmente na fé que nos dá esse delicioso sabor de aventura, como sementes que, destemidamente, quebram a casca para virar árvores imensas. 
Namastê!    Glaucia Cantergiani

quarta-feira, 7 de abril de 2010

“Escolhas”

        A vida nunca ensina coisa alguma. É você quem decide se há uma lição em cada alegria, cada tristeza e cada dia comum pelo qual passa, ou se desperdiça todos os momentos de prazer e dor. Não são os fatos que acontecem que fazem com que você aprenda algo, mas somente suas respostas e reações àquilo que acontece. Também não são as experiências de sua vida, desde a infância, que transformaram você na pessoa que é hoje, mas somente a maneira como reagiu, ou respondeu, àquilo que você viveu. Veja que são coisas bem diferentes.
       Tudo o que você é, tudo o que você foi e tudo o que você será tem relação direta com o jeito como você age quando uma coisa boa, ou má, acontece na sua vida. Exatamente por isso, uma mesma situação pode levar uma pessoa a tornar-se mais ácida, deprimida, cínica e isolada, enquanto outra – na exata mesma situação – aproveita para se tornar alguém melhor, com mais fé, coragem, resistência e confiança no espírito humano ou em seu próprio potencial de ser feliz.
       Coisas boas e coisas ruins acontecem a todos os seres humanos de modo aleatório, mas consistente com leis matemáticas e universais de ação e reação. Por isso não é possível vivermos em um paraíso, mas podemos ser oásis de paz no meio das guerras que muitas outras pessoas vivem, se nos lembrarmos de que não podemos escolher tudo o que nos acontece, mas quase sempre podemos escolher o modo como reagimos àquilo que nos acontece. Podemos fugir à tristeza? Não. Podemos usar os momentos de dor e separação com razão para tornar ainda mais importante os momentos nos quais estamos ao lado dos que amamos; podemos tornar nosso trabalho mais profundo, podemos nos tornar pessoas diferentes daquilo que já fomos. Podemos escolher nossas reações. Podemos ser hoje melhores do que fomos ontem. Mesmo quando a realidade é dura, sua reação, sua resposta a ela pode levar você para frente, para novos horizontes e uma vida mais rica ou pode derrubar você. Se isso acontecer e você cair no chão, faça com que seja uma queda temporária. Levanta-se e ande... O fracasso só existe se você não se levantar após uma queda. Cabe a você – e somente você – escolher se os acontecimentos de ontem, hoje e amanhã serão usados para torná-lo uma pessoa melhor ou pior do que você é agora. É apenas uma escolha. A escolha é sua.


Autor desconhecido



segunda-feira, 5 de abril de 2010

O YOGA NA MUDANÇA DOS PADRÕES COMPORTAMENTAIS


           Muitas vezes nos damos conta de que, apesar de tantos planos e metas, pouco fazemos para atingi-los. Muitas vezes nos cobramos ou frustramos com essa inércia que nos afeta e paralisa, mas o que pode nos impedir de concluir um objetivo ou seguir uma missão é, de fato, a força da Inércia. A Inércia tem sua força em hábitos conscientes ou inconscientes que fazem com que andemos em círculos indo rápido para lugar nenhum, e, em sânscrito, existe uma palavra para isso: Samskara. Samskaras são tendências, hábitos, padrões de comportamento, conscientes ou não, que nos impedem de ir além da nossa zona de conforto, e que estão profundamente presos ao nosso mental. Em Manas, nossos pensamentos, palavras e ações vão criar os samskáras (impressões na mente) que vão determinar nossas tendências, vásanas, isto é, nosso caráter.
          Na visão do grande sábio Patañjali (responsável pela compilação de todo o conhecimento sobre Yoga de que hoje usufruímos), portanto, os samskaras são as sementes dos pensamentos e emoções que, quando amadurecem, produzem novos pensamentos, desejos e vontades, mantendo em funcionamento a roda do samsara, aprisionando e condicionando o ser humano. Segundo o mestre indiano, o psiquiatra, Sri Dhira Chaitanya, “adquirimos padrões impróprios de pensamento nos vários estágios da vida. Desfazer esses padrões e tornar a mente simples e cognitiva é crescimento. Para as mentes simples, o ensinamento da filosofia do Yoga funciona como fogo e a pessoa preenche o objetivo da vida humana”.
             O trabalho da psicologia ocidental é ampliar a visão limitada que temos de nós mesmos. A psicologia indiana vai um pouco além, indicando que o mero conhecimento dessas tendências inconscientes não pode livrar totalmente o homem de seus complexos e outras perturbações mentais. Os psicólogos indianos acreditam que os samskáras podem ser controlados e transformados somente num real processo de total desenvolvimento psicológico. Nessa visão da psique humana, podemos conhecer tudo isso, ter uma visão abrangente, equilíbrio e até podemos, inclusive, conseguir lidar com o mundo e com os outros, mas só nos libertaremos de nossos conflitos quando reconhecermos nossa identidade “divina”. Caso contrário, começaremos a rodar em círculos.
            Nada é por acaso. Nem nós mesmos! Tudo indica que estamos aqui por que fomos chamados, e é nossa responsabilidade descobrir e conhecer esse chamado, e a prática do Yoga pode ajudar MUITO no reconhecimento desses padrões para que possamos nos desapegar deles e ouvir aquela voz interna que nos guia para finalmente realizarmos o nosso destino, para mudarmos nossa visão de nós mesmos como seres com um Eu limitado, temporal. Com a visão de quem somos, podemos lidar com aqueles impulsos que ainda habitam nossa mente, com as dificuldades que ainda enfrentamos, para podermos dissolver a urgência e a ansiedade da temporalidade.

Namastê!
Glaucia Cantergiani