OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

sábado, 13 de novembro de 2010

A CURA DO ESTRESSE COM YOGA


Há algumas décadas a palavra estresse surgiu na mídia para descrever um dos grandes vilões da qualidade de vida do final do século XX. Atualmente, a palavra já faz parte do vocabulário diário e da realidade da maior parte da população mundial.
O estresse da vida moderna faz com que o corpo acredite estar constantemente enfrentando desafios. O perigo pode ser imaginário ou real, mas nosso corpo responde igualmente com o aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, além da produção de substâncias biológicas como o cortisol e a adrenalina, entre outras. O papel do nosso organismo é produzir mais energia para a superação de momentos difíceis, porém, se esse comportamento for constante, haverá sobrecarga dos órgãos e sistemas corporais, podendo resultar em hipertensão arterial entre outros desequilíbrios na nossa saúde. Um estudo da Universidade de Oxford com o Instituto Nacional de Saúde dos EUA mostra que mulheres mais estressadas têm menos chances de gravidez, mais devido aos altos índices de adrenalina do que de cortisol. O estresse enfrentado por um animal no momento de uma caça (buscando seu alimento ou fugindo de se tornar alimento para outros animais), por exemplo, é normal e saudável, sem geração de prejuízos para sua saúde, pois ocorre por tempo limite com longos períodos de descanso, num ritmo atividade-descanso. Porém, o animal tem desejos e aversões limitados. Nós, humanos, não nos comportamos assim, ou seja, temos desejos e aversões subjetivos e, em alguns casos, ilimitados. Isso nos leva a estarmos sempre lutando por algo mais que vá saciar nossa constante insatisfação. Esse comportamento contínuo é um dos importantes fatores de produção do estresse crônico. O cortisol está associado ao estresse crônico, e a adrenalina é liberada pelo organismo quando a pessoa está, ou julga estar, em situações ameaçadoras ou perigosas.
Outro fator comportamental que se destaca na produção do estresse é pensar excessivamente. As pessoas passam a maior parte do tempo pensando em assuntos diversos (passados e futuros) no momento em que estão realizando uma tarefa que nada tem a ver com tais pensamentos. Muitas vezes, as ações pensadas jamais acontecerão. A revista Science divulgou um estudo que relata que essas oscilações excessivas da mente tornam as pessoas infelizes. Os autores do estudo informaram que “a capacidade de pensar sobre o que não está acontecendo é uma conquista cognitiva, mas que tem um custo emocional”. Atualmente, cada vez mais pesquisadores de importantes centros de pesquisa sobre bem-estar e comportamento humano têm comprovado os efeitos benéficos da prática de viver o momento presente.
E viver o momento presente é a base do caminho do Yoga. Obviamente, a meditação está incluída nos ensinamentos do Yoga como parte importantíssima e inseparável desse caminho. Entretanto, esses ensinamentos propostos há milhares de anos são muitos, e vêm sendo cada vez mais utilizados pela população de todo o mundo; muitas vezes sob novas nomenclaturas e até mesmo sob novas autorias no mundo ocidental. Outrossim, a verdade é que através do Yoga dispomos de um imenso leque de ferramentas para restaurar o ritmo adequado entre atividade e relaxamento, pois esse ritmo é essencial para a nossa saúde já que nosso corpo foi projetado para que cada momento de estresse corresponda ao dobro de relaxamento.
No que concerne o trabalho do corpo físico, as posturas e exercícios do yoga vão muito além da vaidade e promovem equilíbrio, força, bons hábitos e pensamentos positivos para quem pratica essa técnica. E, no que diz respeito ao embasamento filosófico, entre muitos outros, nos transmite o Conhecimento de que os desejos e aversões (rajas e dveśas) são oriundos da nossa falsa concepção do Eu que deseja as coisas acreditando que, através delas, estaremos confortáveis e felizes. Mas, o desejo por objetos na verdade denuncia, denuncia a carência e insatisfação interior. E essa busca incessante, sob uma ótica mais profunda dos fatos, se traduz numa das principais causas do estresse. Para vivermos livres dessas armadilhas, o Yoga é um caminho.

Boas práticas e namaste!
Glaucia Cantergiani

Um comentário:

  1. Oi Gláucia! Só hoje estou lendo esse artigo, excelente! Também tinha lido anteriormente o artigo do Globo, que até cortei para levar para o curso da ABPY "Pensar demais traz infelicidade". A cada dia fico impressionada e encantada como o YOGA na sua simplicidade nos traz o "manual do bem viver", enquanto que nós humanos vivemos "batendo cabeça", cheios de discursos filosoficos e buscando explicações cientificas para preencher esse buraco no peito. ATENÇÃO NA AÇÃO, ENTREGA, "ABRIR O PEITO", deixar simplesmente que esse milagre da vida se faça presente a cada respiração. Beijocas, Taís.

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