OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Corpo Sutil em Nossas Vidas
        Há milhares de anos os yogis já conheciam a complexidade e a vasta composição do que constitui o que chamamos de Ser Humano. E eles iam além do simples fato de conhecer; já sabiam das interligações dos diversos aspectos que formam esse Ser. Por exemplo, como as emoções influenciam na respiração e vice-versa, uma vez que as técnicas respiratórias (prāṇāyāmas) vastamente utilizadas nos dias atuais para alterar os estados mentais foram-nos ensinadas através das escrituras sagradas pelos sábios que viveram milênios atrás. E por falar em estados mentais, para os que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer a mente humana através do olhar da filosofia yogi, neste texto, encontram-se reunidas algumas palavras que se empenham na tentativa de elucidar um conceito tão profundo quanto precioso.
       
      Já nos é bem conhecido o fato de que nosso corpo físico é feito de material genético de duas pessoas e que, por isso, herdamos características físicas não somente de nossos pais, mas também de nossos ancestrais. Entretanto, é fácil perceber que as características herdadas não são apenas físicas, quase sempre são também comportamentais, ou seja, passam para o nosso corpo mental como padrões de pensamento, e até ações, que muitas vezes não temos consciência de onde vêm. Esse corpo mental que tanto se ouve falar tem denominações e funções bem conhecidas na filosofia do Yoga, ele é parte do corpo sutil. O corpo sutil é constituído pela mente, pelo intelecto e pelo prāṇa (a energia vital que dá vida ao corpo físico); é um instrumento através do qual todas as atividades existenciais do indivíduo acontecem. 
    
    Na abordagem filosófica do Yoga, Consciência e mente são coisas distintas. Diferentemente da leitura da psicologia ocidental para esta nomenclatura, a Consciência é o nosso verdadeiro Eu, que é pleno, absoluto, Divino. De volta ao corpo sutil, consta dos textos milenares que todas as suas “subdivisões” (mente, intelecto e prāṇa) funcionam como veículos de manifestação do indivíduo, sendo necessárias para o nosso funcionamento na vida, que nada mais é do que nosso "palco" de experiências e relações. 
        Aprofundando-se um pouco mais, constatamos que esse corpo sutil, não visível nem palpável, possui “coberturas”que encobrem, restringem e limitam nossa visão de quem realmente somos, escondendo, aparentemente, o nosso Eu verdadeiro. Essas “coberturas” revestem a Consciência e se interpõem entre ela e os níveis de experiência que o ser humano é capaz de vivenciar em todos os momentos de sua existência. Não obstante, elas são necessárias, pois é através desses veículos que ocorre a ligação e transmissão das experiências e sensações do mundo exterior para o mundo interior, mais intuitivo. 
       
      Os antigos sábios nos dizem que é pelo corpo sutil que trazemos os instintos herdados dos nossos antepassados, os condicionamentos adquiridos na infância, as sensações conscientes e o inconsciente coletivo.
       
       A boa notícia é que, como a mente definitivamente não é Consciência, não é imutável e Absoluta; ou seja, ela pode ser transformada para evoluir. Assim, é possível concluir que não conseguimos alterar a cor da nossa pele, mas podemos abrir os olhos, reconhecer e, se assim desejarmos, alterar nossas heranças mentais. 
      
      O Yoga nos indica várias ferramentas para mantermos nossa saúde física e mental em dia, como a prática de āsanas, prānāyāmas e meditação. Com a saúde em equilíbrio, podemos então mergulhar no questionamento de Quem Somos para nos aprofundarmos na observação, separação e desapego dessas tendências mentais, deixando de ser escravos delas. Maturidade é viver sem mais buscar responsáveis ou culpados pela nossa condição psicoemocional, mas ser capaz de caminhar com os próprios pés, deixando de ser sombras dos nossos passados para nos tornarmos autores da estrada que nos levará a encontrar a nossa própria Luz.

Namaste!
Glaucia Cantergiani


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Este é um Espaço para trocas. Deixe aqui seus Comentários e/ou Perguntas!