OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

quarta-feira, 20 de junho de 2012


  A DOENÇA é do Bem
    Em nossa sociedade atual, muito já se caminhou na seara das pesquisas científicas, no desenvolvimento de tecnologias avançadas, na intenção de buscar a cura para as mais variadas enfermidades que podem acometer o ser humano. Entretanto, há tempos, parece-me muito claro que se pelo menos um terço desses esforços fossem direcionados a conhecermos nós mesmos, buscarmos perceber a nossa relação com o mundo, com a vida, com os outros, teríamos conquistado soluções infinitamente mais eficazes e baratas para a cura das doenças. Creio que essa situação ilustra bem a diferença entre o simples e o complicado. O ser humano tem uma mente que tende para o complicado, quando a vida, que podemos conhecer se apenas pararmos para observar um pouquinho a natureza e o equilíbrio perfeito do ecossistema, é tão simples! Doença é desequilíbrio. 


      Partindo dessa premissa, se o planeta entra em desequilíbrio, ele adoece. Disso, já estamos nos dando conta claramente através de toda a sorte de mídia, nas escolas, nas empresas, no planeta inteiro. Porque seríamos nós, seres humanos habitantes atuantes e dependentes desse ecossistema, diferentes? A constatação é óbvia: se entramos em desequilíbrio também adoecemos. Mas, doença e saúde são conceitos que se referem a um determinado estado da pessoa, e não a partes do corpo ou órgãos como se costuma abordar atualmente. Doença é uma palavra que se pode apenas usar no singular, uma vez que seu plural, doenças, fica tão sem sentido quanto o plural de saúde.


Ao constatarmos que as informações da consciência se expressam no corpo físico, entendemos que ele nunca estará somente doente nem somente saudável. O corpo nada faz por si mesmo, ele deve seu funcionamento às instancias imateriais, não visíveis, a que podemos chamar de alma, ou espírito, ou Consciência Maior e ao prana (energia vital). Para que o coração siga determinado ritmo, a temperatura corporal seja mantida, as glândulas secretem os hormônios e os anticorpos sejam produzidos, é necessário que haja um padrão de informação cuja origem está na própria consciência. Quando essas várias funções corporais se desenvolvem em harmonia, nos sentimos saudáveis; se uma função falha, a harmonia é quebrada e, então, estamos doentes. A perda de harmonia, no entanto, acontece na consciência mas se mostra no corpo. Por isso, deveríamos dizer que o ser humano está doente e não que o corpo, ou partes do corpo, está doente.
Assim que um sintoma se manifesta no corpo de uma pessoa, ele chama a atenção desse ser humano e, muitas vezes, interrompe a continuidade de forma de vida vigente até então. O sintoma exige nossa atenção! E, normalmente, sentimos esse desequilíbrio como se ele viesse de fora, mas o que frequentemente se manifesta em nosso corpo como sintoma é a expressão visível de um processo invisível, que deseja interromper nosso caminho, como um sinal de advertência, indicando que alguma coisa não está em ordem.
No entanto, a medicina atual parece estar encantada com os sintomas e, por isso, iguala o sintoma à doença. Dessa forma, com todos os seus recursos e habilidades, trata órgãos e partes do corpo, mas não o Ser Humano. Basta observarmos que o avanço na área dos conhecimentos médicos não corresponde a uma diminuição da população doente. As pessoas continuam tão doentes quanto foram antes das descobertas científicas de nossos tempos, foram somente os sintomas que mudaram.
Algumas abordagens psicológicas, por sua vez, acabam por tentar localizar um conceito causal para o sintoma. Porém, as causas passadas são numerosas e igualmente importantes e, ao mesmo tempo, sem importância alguma, pois o homem possui uma Essência que não depende do tempo e que parece ter a necessidade de se manifestar de alguma forma ao longo de sua existência, como se o caminho da vida fosse o caminho rumo a Si mesmo. Mas, "para encontrar essa totalidade que, não obstante, existe desde o início, o ser humano precisa de tempo. É justamente nisso que consiste a ilusão do tempo: o homem precisa de tempo para descobrir aquilo que ele sempre foi", diz Thoward Dethlefsen em seu livro A Doença Como Caminho. Isso é Evoluir.
A Evolução é a compreensão consciente de um padrão sempre presente cujo processo é trilhado com acertos, mas também com erros e dificuldades que muitas vezes não queremos ver, são as nossas sombras. A sombra nos mostra sua presença justamente no sintoma da doença. Às vezes, um sintoma nos tira de situações que não conseguimos sair de outra forma. São os ganhos secundários. Por exemplo, podemos observar em uma pessoa com sintomas de tensão na coluna cervical, dores de cabeça e tonteira, uma importante oportunidade para que ela manifeste sua vontade de não mais obedecer e de ser ela mesma, de fazer o que quiser fazer sem medo de não ser amada.
A Criação é perfeita e tudo o que ela nos apresenta tem sua importância para nossa evolução e autoaperfeiçoamento, pois temos em nós mesmos todas as possibilidades. Possibilidade de encontrar o equilíbrio, viver em harmonia, de se curar.
Por analogia, podemos ver o que nos mostra a natureza na própria existência do Lótus, o lótus que sai do lodo. O lodo é feio, imundo, pode cheirar mal, entretanto, o lótus é perfumado e belo. A vida comum pode ser assim como o lodo e você pode se tornar um lótus; essa possibilidade está ali escondida dentro de você. E o lodo também pode ser transformado tornando-se um lótus; da mesma forma que o sentimento de raiva pode se transformar em compaixão e a mente ruidosa pode se transformar em um som celestial. Tudo o que se tem e que parece negativo pode ser transformado, basta DECIDIRMOS e olharmos atentamente para os recursos externos de que dispomos para nos auxiliar, mas, principalmente, para nossos recursos internos.
Por fim, a doença obriga o ser humano a permanecer no caminho rumo à sua Essência. E a cura só é possível se tomarmos consciência e integrarmos os aspectos ocultos de nós mesmos, nossas sombras. Assim, podemos descobrir o que nos falta e o sintoma perde sua importância, pois o objetivo da cura é a Totalidade, é que o ser humano descubra seu verdadeiro Eu, uno com tudo o que existe. Por essa razão, a Doença é do Bem!

N a m a s t e!

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