OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


O Pensamento

O Trem Dos Pensamentos. Ou controlamos os nossos pensamentos ou somos controlados por eles. Temos que ter bem clara a natureza dos pensamentos, já que eles não param! Sendo assim, é melhor buscarmos conhecê-los do que lutarmos contra eles.

O pensamento está na mente e a mente possui a capacidade de observar a si mesma. Através dessa observação, conseguimos perceber que existem três naturezas de pensamentos que nos conduzem à: Levar-nos para o passado ou o futuro; Repetirmos o que já sabemos; Levar-nos imediatamente para emoções e experiências. Além disso, um segundo desafio é o encadeamento desses pensamentos. Um pensamento leva a outro, e mais outro, e mais outro, e rapidamente criam-se imagens, emoções, e memórias saem das gavetas da mente. Em poucos segundos, construímos uma realidade inteira que facilmente nos toma e direciona nossas ações apenas com pensamentos.

Aprender a conduzir os pensamentos é de fundamental importância para nos “protegermos”; proteger o corpo (mantendo-o saudavelmente livre de estados constantes de estresse), proteger nossas relações (mantendo-nos no domínio de nossas emoções), proteger nossa própria mente (mantendo nossos pensamentos claros para que possamos enxergar as coisas ao nosso redor exatamente como são e não como as interpretamos), enfim , para estarmos plenos naquilo que estamos fazendo nesta Vida.

A dualidade da mente é criada por ela mesma quando separa sujeito e objeto. A mente emocional tanto como a mente intelectual dependem do objeto, e é porque nos identificamos com o corpo como o “eu” agente da ação (um objeto), que temos a mente como o instrumento dessa ação.  Sentir ou Entender é importante, são ferramentas, mas não nos levam a reconhecer esse Eu que é livre do objeto.

A natureza da mente é ser agitada, e essa agitação é natural. É através dela que produzimos as ações. Se não houvesse essa agitação, nada seria feito! O importante é poder saber que essa mente agitada é uma projeção, e não o nosso verdadeiro Eu. Portanto, desejar a calmaria constante da mente é ilusão, pois sendo a mente um instrumento, em calmaria total, ela não realizaria nada. Precisamos é comandar este instrumento!

Conforme consta dos versos 2.33  e 2.34 do segundo capítulo do *Yoga Sῡtras de Pataňjali, “Quando um pensamento na forma de obstáculo aparece, deve-se trazer o pensamento oposto. Pensamentos do tipo que ofendem podem ser permitidos a serem executados; eles são precedidos por cobiça, raiva, confusão mental. Podem ser pequenos, médios e intensos e seus resultados são sofrimento e ignorância infindáveis. O que pode ser feito é trazer os pensamentos contrários”.  Já nos versos 3.9 a 3.12 do terceiro capítulo do mesmo texto, podemos observar como é a transformação que a mente passa até alcançar os estados meditativos mais profundos da mente (samādhi). “Quando as tendências manifestas tornam-se invisíveis e as tendências sob controle tornam-se visíveis, há uma permanência da mente no momento do controle, chamada de nirodha pariāma. Das tendências que foram trabalhadas nasce um fluxo de tranquilidade da mente. Quando há o desaparecimento da dispersão e o aparecimento da concentração mental, há o samādhi pariāma. Depois disso, novamente, quando as percepções da mente que aparecem e sossegam tornam-se equilibradas, há o ekāgratā pariāma (é a quietude constante, não há alternância).


Frequentemente dizemos que queremos promover mudanças em nossas vidas, mas só é possível mudar de verdade quando nosso pensamento muda. Muitas vezes, quando experimentamos a mudança vivenciamos uma profunda sensação de alívio, e é então que nos damos conta de quanto estávamos aprisionados pela nossa maneira de pensar. 

Tudo isso nos interessa saber para fortalecermos nossos propósitos e a crença de que há meios para encontrarmos o equilíbrio e a harmonia. As técnicas de meditação são um ótimo remédio para exercitarmos o controle dos pensamentos; como exemplo, podemos imaginar os pensamentos como um trem e decidirmos não entrar nos vagões desse trem, observando-os passar sem se deixar levar por eles. Podemos focar no espaço entre os vagões desse trem. Ou mesmo, observar os vagões do trem, mas focar em alguma sensação física, como a respiração ou as batidas do coração. Essas simples ações vão nos levando ao sagrado momento presente! Deixa o trem passar...

Namaste!

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