OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Felicidade - Uma Mente em Paz

Extraído das palestras de Swami Chinmayananda a partir Vidya Mandir

"Quando buscamos a felicidade fora de nós, a beleza sutil do que há dentro de nós é facilmente negligenciada".


Sri Swami Chinmayananda


O universo contém vida. Não importa se aquela energia animada que chamamos vida esteja numa planta, num animal ou numa pessoa; ela é a mesma. Todas as coisas vivas têm, pelo menos, uma coisa em comum: a centelha de energia que a fazem existir, sem a qual elas seriam apenas matéria inerte. Essa centelha de vida transforma a matéria inerte em coisas vivas e sensíveis.

Essa força de vida se expressa nos humanos através das percepções e ações do corpo físico, dos sentimentos ou emoções e dos pensamentos no intelecto. Sem vida, nós não vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos, provamos, pensamos ou agimos. Mas quando temos vida dentro de nós, temos uma idéia (um pensamento) que se transforma em desejo (um sentimento) dentro de nós e então passamos a fazer as ações necessárias para satisfazer aquele desejo.

Os impulsos para a ação

Todas as nossas ações diárias parecem sair de dois impulsos básicos: 1- o desejo de experienciar maior felicidade na vida satisfazendo vários desejos e 2- o desejo de evitar aquelas situações ou circunstâncias que nos trazem sofrimento físico, mental e emocional.

Todos nós procuramos felicidade e tentamos evitar o sofrimento. Ninguém gosta de trabalhar duro para trazer desapontamento, frustração e desespero para sua vida. Nós podemos, então, com segurança, assumir que "a procura de uma existência feliz" é um objetivo comum para os seres humanos.

A vida, então, pode ser vista como uma cadeia contínua de eventos, bons e maus, desde o nascimento até a morte. Cada um de nós está tentando criar o maior número possível de elos, de experiências que sejam prazerosas e satisfatórias dentro dessa cadeia. No entanto, cada um realiza essa tarefa de maneira diferente, de acordo como o que parece ser o mais agradável e apropriado naquele momento. Nós nos movemos ao longo dessa cadeia em direção às circunstâncias perfeitas, nas quais seremos completamente felizes e seguros. Mas, na maior parte das vezes, vemos que, quando achamos que conseguimos manipular nossas vidas até bem perto de nossos sonhos, nossas necessidades mudaram. Nossos desejos antigos e conceitos de felicidade foram ultrapassados, da mesma maneira que os brinquedos antigos de uma criança ficam ultrapassados.

Comumente descobrimos que nossa busca externa pela felicidade permanente, além de ser infrutífera, pode até ser fonte de descontentamento em nossas vidas; estamos sempre vivendo a ansiedade da antecipação, a ruptura e a fadiga da busca, a insatisfação com que conseguimos (se e quando conseguimos), o medo de perder uma vez conquistado, e a dor atrelada à perda verdadeira que deve inevitavelmente ocorrer (já que, quando morrer, você não poderá levar consigo aquilo que conseguiu).

Se conseguirmos ver que a felicidade permanente não está, necessariamente, num conjunto de circunstâncias ou objetos materiais, então, deveremos procurar em outro lugar.

A felicidade e a mente quieta

Se pararmos um instante e perguntarmos: "Qual é o fator comum para todos os nossos momentos felizes em nossas vidas?", descobrimos que é uma mente quieta, o que quer dizer uma mente completamente satisfeita e plena com a experiência daquele momento. Tal mente não está dispersa, procurando por algo mais; ela está satisfeita, apreciando o momento presente e as circunstâncias correntes. A felicidade equipara-se a uma mente quieta. O contentamento anda de mãos dadas com a paz mental. Pense: nesse mesmo instante em que experienciamos felicidade, não estamos conscientes da dor em nossos corpos, nossas emoções não estão ferozes e tempestuosas e nossas mentes não estão fervendo com idéias intelectuais. Não nos sentimos compelidos por desejos; estamos satisfeitos para apreciar a experiência do momento.

Esse fato não significa que precisamos ser inativos para usufruir da felicidade. Ao contrário, essa experiência de completude, felicidade e satisfação está disponível para nós entre as mais dinâmicas aventuras e empreitadas. A felicidade, portanto, parece ser uma experiência puramente subjetiva ou pessoal, como com qualquer casal - em que um seja fumante e o outro não fumante - poderia testemunhar. O que é prazer para um é sofrimento para o outro. O traço comum na felicidade de cada um parece ser um estado da mente que inclui, pelo menos, um contentamento passageiro, com relação à situação e circunstância do momento presente.

A felicidade equipara-se a uma mente quieta, uma mente disponível para experienciar de maneira completa o momento presente, sem ficar vagando entre os "queria", "devia" e "poderia". Felicidade é a qualidade do entendimento completo e a apreciação das circunstâncias da vida no momento presente, enquanto elas estão em frente a você, e a experiência de satisfação no presente, quer as circunstâncias se encaixem nas suas expectativas e desejos ou não. É saber a verdade que a vida no momento presente é do jeito que é, e que a satisfação com a vida não é dependente de circunstâncias externas. Apesar das gratificações sensoriais poderem oferecer momentos passageiros de prazer, a satisfação é uma experiência que vem de dentro e na busca externa pela felicidade, essa sutil beleza interna é facilmente negligenciada.

Considere a experiência de perder um molho de chaves. Procuramos freneticamente por elas pela casa inteira. Quanto mais procuramos, mais agitados ficamos; e quanto mais agitados ficamos, mais perdemos nosso equilíbrio e discriminação racional e nossa mente começa a ficar sem controle.

"Oh! Vou me atrasar!"

"Oh! Não vai dar para...."

"Oh! Vou ter que chamar..." etc., etc.

E então, quando damos uma parada para respirar, vemos que as chaves estavam no nosso bolso o tempo todo.

Da mesma forma, quando paramos de buscar a felicidade do lado de fora (correndo atrás de objetos materiais que achamos que nos farão felizes), descobrimos o potencial de felicidade dentro de nós. Começamos a ver beleza e propósito em volta de nós. Vemos tudo de uma nova perspectiva. Aprendemos a ver o lado bom de nossa situação, qualquer que seja, e usufruir do que temos "aqui e agora" em vez de constantemente estarmos insatisfeitos e querendo que a vida seja diferente - que ela seja mais, menos ou simplesmente diferente. Se alguém nos oferece meia maçã, não ficamos desapontados pela parte que está faltando, mas gratos pela metade que conseguimos.

Lógica e experiência nos dizem que nunca poderemos encontrar felicidade permanente no mundo exterior a menos que a encontremos primeiro em nós. Todos sabemos, pela experiência, que quando sorrimos para o mundo, o mundo nos sorri de volta e que, se procurarmos por problemas , eles virão. Conforme a mente, assim será o mundo. Se estamos cheios de amor, felicidade e satisfação, o mundo refletirá essa harmonia.

Vidya Mandir: Felicidade - uma mente em paz: FELICIDADE - UMA MENTE EM PAZ Extraído das palestras de Swami Chinmayananda

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