OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Falando de Hatha Yoga... Sindrome da Hipermobilidade Articular na Prática!





A Síndrome de Hipermobilidade Articular nas Práticas de Yoga


Voce já imaginou que crises de enxaqueca podem estar relacionadas com algumas belas performances de posturas de yoga que muitas vezes presenciamos nas práticas?
Segundo a professora de yoga Bernadette Birney, que resolveu consultar um neurologista a fim de investigar incansáveis dores de cabeça que a acompanhavam desde a infância, após rever sua história e examiná-la, o especialista perguntou: "Voce se importa de flexionar o tronco à frente para tocar seus dedos dos pés?"
Em seguida, perguntou: “Voce sente dores musculares?” “Demais,” ela respondeu. “A prática de yoga ajuda?” perguntou ele. “Sim - SE,” respondeu, “se eu for cautelosa, o que sou. Se eu forçar minha flexibilidade, pagarei por isso.”
As articulações da Bernadette são bastante móveis - hipermóveis - mas os músculos são firmes, com nós de tensão crônica. 
Muitas vezes, alguns alunos ficam impressionados com a extrema facilidade e conforto com que outros sentam-se de pernas cruzadas, como na posição de lótus, por exemplo. Para muitos deles, com a bacia tão retesada, é impossível imaginarem-se nesta posição sentindo-se confortáveis. O que se desconhece é que, muitas vezes, esta "habilidade" já pertencia àquelas pessoas antes de praticarem yoga, sem desmerecer os efeitos da prática no desenvolvimento da flexibilidade quando necessária para um maior conforto físico. Atualmente, este tipo de "sintoma" tem sido correlacionado com a Síndrome de Hipermobilidade Articular, uma condição caracterizada por articulações que têm mobilidade além dos limites normais de movimento.
Na prática de yoga, aqueles que têm dificuldade para tocar os dedos do pés podem sentir sua falta de flexibilidade como uma deficiência, e, obviamente, pode até ser. Entretanto, apesar de uma amplitude de movimento muito limitada não ser o desejável, não está nem perto de ser tão perigosa quanto a amplitude de movimento excessiva.
As pessoas com esta síndrome sofrem de dores musculoesqueléticas e articulares, além de lesões de tecidos moles como distensões, entorses, tendinites e luxações. Porque os ligamentos são instáveis, há uma tendência maior de desenvolver escolioses, ATM, discopatias, pés chatos e dores de cabeça.
O Dr. Alan Pocinki, doutor em medicina que atua na área metropolitana de Washington D.C., escreveu um artigo inovador sobre esta síndrome. No artigo ele explica: “Porque os ligamentos são frouxos e, assim sendo, não podem exercer bem suas funções, os músculos são forçados a desempenhar um trabalho maior do que foram concebidos para fazer entrando, portanto, em fadiga.” Nem todos entendem esta condição ainda. Talvez isso ocorra por uma mutação nos genes do colágeno. 
As pessoas com a síndrome de hipermobilidade articular são mais suscetíveis à fibromialgia, osteoartrites (que ocorrem mais facilmente em articulações frouxas) e dores neuropáticas ou dormências. Com frequência, têm equimoses e possuem pele anormalmente elástica e aveludada. Ficam visivelmente desconfortáveis quando permanecem em pé por longos períodos de tempo.

Além disso, o sistema nervoso também tende a ser excessivamente responsivo. Dr. Pocinki escreveu que “Nos últimos anos, a síndrome de hipermobilidade articular tem sido associada a vários problemas do sistema nervoso autônomo. (O sistema nervoso autônomo regula todos os processos corporais, como batimentos cardíacos, pressão sanguínea, respiração, digestão e imunidade.)” Portanto, pessoas que sofrem desta síndrome podem ter problemas circulatórios (por exemplo: pressão baixa,  tontura ao se levantarem, pés e mãos frias, palpitações cardíacas, veias varicosas e, em casos extremos, veias sanguíneas podem até romper-se). Ainda há uma tendência para questões digestivas, como refluxo e doença do intestino irritável.
De acordo com Pocinki, “Para compensar o estiramento das veias sanguíneas, muitas pessoas com a hipermobilidade parecem produzir mais adrenalina..." Com o tempo, a produção excessiva de adrenalina pode exaurir as glândulas adrenais, levando à fadiga, dificuldade para dormir, ansiedade e depressão.
Até transtornos autoimunes podem estar associados a esta síndrome, como a disfunção de Hashimoto que é uma doença autoimune da tireóide.
A Síndrome da Hipermobilidade Articular e sua prima-irmã, porém mais severa, a Síndrome Ehlers-Danlos, são consideradas genéticas. Mulheres são cerca de três vezes mais acometidas por esta síndrome do que homens. A questão é que, quando crianças, a flexibilidade excessiva das meninas pode ser considerada bela e encorajada, especialmente quando envolvidas em atividades como ginástica olímpica ou ballet.
Obviamente, estas considerações sobre a Síndrome da Hipermobilidade Articular são relevantes para o yoga, porém até então não me deparei com observações sobre o assunto em nenhuma aula ou publicação de yoga. Talvez pelo fato de a flexibilidade ser positivamente veiculada em muitas aulas de yoga, há grande chance de, se procurarmos, encontrarmos maiores incidências desta síndrome entre yoguis do que na população em geral.
As pessoas tendem a apreciar as coisas em que são boas. Muitas vezes, ser extremamente flexível parece ser equivalente a ser "bom em yoga", ter sucesso na prática. Imagine um cenário em que um instrutor com a síndrome de hipermobilidade articular ensina yoga. Pessoas flexíveis podem copiar uma amplitude de movimento patológica, enquanto alunos encurtados - ou mesmo aqueles com saúde perfeita e amplitude de movimento normal - podem sentir-se incapazes ou "ruins no yoga". Na verdade, não precisamos imaginar este cenário. Acho que ele acontece com alguma frequência...
Porém, a prática de Yoga ainda pode ser excelente para pessoas com esta questão. A estabilização dos músculos que sustentam as articulações pelo fortalecimento com suave resistência é muito positiva. Entretanto, é imperativo que a prática de asanas seja realizada com bom alinhamento e que o praticante abstenha-se das hiperextensões das articulações. A sustentação de carga também não é indicada, portanto, é possível que seja necessário fazer ajustes nas posturas para diminuir a carga. Por exemplo, pousando os joelhos no chão quando em chaturanga dandasana, ou evitando o asana totalmente. Talvez seja necessário fazer movimentos mais lentos mediante a sensação de tontura.
Certamente, a yoga restaurativa, pranayama e meditação também são de garnde ajuda para o sistema nervoso.
Por enquanto, não há cura para a síndrome de hipermobilidade articular. Sendo assim, é possível tratar os sintomas mas não a causa subjacente. Isso significa que a confirmação do diagnóstico pode ser um grande alívio!  Quando se está cansado, com dor e estressado por tempo prolongado, é fácil relegar-se ao papel de resmungador ou hipocondríaco. Entender que há razões físicas reais em questão pode ajudar a pessoa a não sentir-se louca, emocionalmente frágil ou, até mesmo, melhor do que ninguém.
Namaste :)

Referências:
1. Alan G. Pocinki, MD, PLLC, Joint Hypermobility and
Joint Hypermobility Syndrome
, (2010).
2. William C. Sheil Jr., MD, FACP, FACR, Hypermobility Syndrome
(Joint Hypermobility Syndrome)
, (4/29/2015).

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