OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Yoga Para Todos: Qual pratica é boa pra você?


 "Yoga é para quem precisa".
"Jesus, o maior yogui de todos os tempos não ficava de ponta cabeça" Professor Hermogenes.

"Se você tem um corpo, Yoga é para você" Iyengar.

" Imagens de pessoas praticando āsanas são usadas hoje em dia para vender desde seguros de vida a alimentos, desde carros a viagens. Há de tudo: gente em posturas de meditação, yogis em āsanas de equilíbrio, alongamento ou força. Essas fotos têm um denominador comum: apresentam pessoas esguias, fortes, lindas, e aparentemente de bem com a vida, fazendo com a maior naturalidade ações que estão muito além do alcance da imensa maioria dos seres humanos. Todos, invariavelmente, sorrindo.
A imagem do Yoga que se projeta através dessas poses intimida muitas pessoas que se sentem acuadas pelo grau de dificuldade das ações ilustradas. O problema é que o tema não se limita ao mundo da publicidade: esse tipo de imagem é ubíqua também em selfies, redes sociais, publicações, blogs e revistas. Há gente que pensa, legitimanente: “se o Yoga é para pessoas jovens, magras, bonitas e flexíveis, então não é para mim, pois não me encaixo em nenhuma dessas categorias”. O amigo leitor já se perguntou quantas pessoas desistiram de fazer Yoga por conta dessa imagem que se projeta dele?" 


Por Pedro Kupfer.(fonte pro.yoga)
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Pratique com orientação adequada!


Yoga é para todos. Mas um professor experiente é indispensável.

 

"As técnicas foram feitas para pessoas e não pessoas devem se enquadrar em técnicas" Gerson Dáddio
"Yoga deve ser uma pratica inclusiva, democrática e  adaptada para todos que precisam". Silvia Lucarini.


Livros, fitas ou vídeos são muito úteis para estimular o sadhana e estudar detalhes e técnicas depois que você já tem experiência com a prática.
A presença do professor na sala é fundamental para corrigir o alinhamento e o encaixe nas práticas que mexem com o corpo e dar o acompanhamento adequado na meditação ou no pranayama, assim como para detectar necessidades pessoais que você possa ter. 

Por motivos éticos, nós não podemos nem devemos recomendar um único tipo de Yoga, pois as abordagens e os métodos variam muito. A modalidade de Yoga escolhida deve estar em função das expectativas e necessidades do praticante.

Diferentes formas de Yoga não dão os mesmos resultados com as mesmas pessoas, e não há consenso sobre o que deveria ser ensinado em uma aula de Yoga. Não existe um Yoga superior ou melhor que os demais. Cada método se adapta melhor para objetivos diferentes. O melhor Yoga é aquele que funciona para você mesmo, satisfaz as suas necessidades e preenche suas expectativas, sejam elas quais forem".

Há uma diferença fundamental entre um professor e um guru, um mestre iluminado. Por uma questão óbvia de ética e bom senso, não recomendamos professores de Yoga ou instituições que sustentem atitudes ou afirmações como estas:
      1) o nosso Yoga é o melhor e mais completo que existe
      2) nosso método é o único verdadeiro, nenhum outro funciona
      3) o Yoga ensinado pelo professor Fulano não presta
Quem diz se um Yoga é melhor que outro não é o folheto de propaganda, mas o praticante, e isso vale unicamente em relação a si próprio, à sua prática pessoal e ao seu momento.

Por Pedro Kupfer.(fonte pro.yoga)



Do BlogYoga Para Todos: Qual pratica é boa pra você?:

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O PROCESSO DIGESTIVO NA VIDA DE YOGA


          Pensando na palavra digestão, imediatamente nos vem à cabeça o funcionamento complexo e perfeito de nosso aparelho digestivo, as liberações de enzimas, as quebras das moléculas dos alimentos físicos que ingerimos, a absorção feita por etapas através dos nossos órgãos de forma tão integrada e sincronizada. Um milagre! É fácil termos acesso a esse aprendizado em qualquer instituição de ensino uma vez que esta informação é disponibilizada nos diversos curriculums escolares. E, quando tomamos consciência do processamento de alimentos sólidos e líquidos em nossos organismos, muitas vezes, nos interessamos mais sobre o tipo e a qualidade dos alimentos que vamos ingerir. Mas, isso basta para sermos saudáveis? Basta-nos aprender tão somente sobre a digestão física? Como funciona a digestão das nossas emoções e sentimentos? Ou, não os digerimos?!

 

            Falta-nos estudar sobre o processamento dos alimentos sutis. Os pensamentos, as emoções, as memórias, as experiências vivenciais do dia-a-dia; toda sorte de alimentos sutis que ingerimos, querendo ou não, mas que também precisam ser digeridos em nosso Ser. Talvez, falando de forma generalizada, este aspecto seja o que mais diferencie os povos do ocidente da maior parte dos povos do oriente. Quando a espiritualidade, não necessariamente a religião, caminha junto com a vida de um povo, o ser humano aprende desde muito pequeno a conhecer-se como um todo, o que é visível e palpável em si e o que é invisível e oculto também. Não é porque não visualizamos o processamento de toda a complexidade de pensamentos que brotam em nossas mentes que seus efeitos sob nossas células e órgãos deixam de existir. E quão valioso seria se pudéssemos ver uma nação inteira se conhecendo por dentro, por fora, em volta e além!
            De que maneira podemos cuidar da nossa digestão sutil? Certamente, existem várias formas e práticas espirituais à nossa disposição com o objetivo de nos fornecer ferramentas para promover nosso equilíbrio mental e melhorar nossa qualidade de vida, mas para cuidar da digestão sutil, todas devem passar pelo conhecimento da mente e pelo real conhecimento de Quem Eu Sou. Não podemos escolher todos os alimentos sutis, nem modificar a natureza dual da mente humana, mas podemos conhecer este corpo mental tão bem quanto o corpo físico para que possamos escolher os alimentos que iremos ingerir, saber como processar os de difícil digestão que não podemos escolher para, assim, termos algum gerenciamento sobre as situações que vivenciamos e recebemos da vida.



  
Falta-nos aprender corretamente como funciona o lugar do nosso pensar, a nossa mente, que no Yoga encontra-se associado ao corpo sutil, ou skma śarīra. Segundo a ciência do Yoga, esse corpo sutil é constituído pela mente, o intelecto e o prāa, e possui três invólucros que chamam-se vijñanamaya kośa (que nos dá a noção de individualidade e julgamento), manomaya kośa (que nos dá a percepção do mundo exterior como instrumento psíquico da mente) e prāamaya kośa (onde se desenvolve a maior parte da atividade psíquica pela atividade dos chakras). Trata-se de um corpo complexo e sofisticado que nos fornece, portanto, recursos diferenciados para lidarmos com a vida. Através do estudo e autoconhecimento, é possível aprender a utilizá-los a nosso favor para nos alimentarmos melhor e vivermos a vida com sabedoria. Para isso, é preciso haver uma decisão interna firme, um pouco de dedicação e um tanto de abertura espiritual.

 

O homem intelectual, provido de uma mente capaz de investigar e desenvolver tantos conhecimentos, estabeleceu sua visão científica do corpo e da mente na vida humana. O projeto do corpo humano pela visão científica consiste de espaços e estruturas cuja finalidade é manter a pulsação originária da vida humana para que seja possível a realização de atividades especializadas. Sendo assim, no processo inicial de surgimento do corpo físico formam-se as camadas teciduais visíveis (neural, muscular e orgânica) e uma camada hormonal invisível, que são os líquidos que geram e regulam o crescimento, a reprodução, a transmissão de informações, os sentimentos, etc. Através da relação entre essas camadas surgem as experiências diversas como toque, sons, sentidos externos, temperatura, pressão, elasticidade, ritmo, motilidade, etc.. Nossa história pessoal e emocional influencia o desenvolvimento e a expressão da forma humana. O cuidado, suporte e transmissão de experiências (informação sutil) que a família fornece à criança que está se transformando em adulto afetam o desenvolvimento do corpo humano. Se essas informações forem conduzidas na forma de agressões (o que despertará nossos reflexos de defesa), gerarão reações físicas de contração de músculos, suspensão da respiração, entre outras, em nossos corpos; certamente, o processo digestivo sutil estará também automaticamente afetado. Se a agressão for grave e se sustentar por um bom tempo, o padrão de defesa se aprofundará. Sendo assim, os “perigos” internos e externos que vivemos criam reações que mudam nossa forma e nosso funcionamento orgânico geral. E quanto mais persistente for a situação, mais estrutural será esta mudança, atingindo órgãos, músculos, ossos, etc. Isso é o estresse!
Como se não bastasse, temos atualmente inúmeras fontes de informações desqualificadas produzidas diariamente, com muita sofisticação, pelas indústrias do medo (televisão, internet, etc.). Assim, vamos nos alimentando de estresse dia após dia, sem nos darmos conta de que se não fizermos nada para melhorar essa via de alimentação, ou a maneira de digeri-la, acabaremos por sucumbir às doenças e todo tipo de desordens funcionais.
Mas, ainda podemos ir além na visão da mente humana. Segundo os Vedas, o ser humano foi constituído com o desejo constante de alcançar algo (independentemente do que seja) e de manter aquilo que foi alcançado; unir o desejo à retenção/proteção do objeto do desejo. E essa é a fonte de preocupação de todas as pessoas. É da natureza humana estar sempre buscando alcançar algo, seja o objetivo de voltar a fazer exercícios, consertar um vazamento na casa, comprar um carro novo, qualquer coisa; e, depois, estar sempre tentando manter aquilo que alcançou. Isso é fonte de sofrimento constante! Com o estudo do yoga, tomamos consciência da nossa natureza humana, deixamos de reagir à ela e seguimos no caminho que a filosofia nos aponta em busca de uma saída para este dilema: samatvam.
Samatvam é a capacidade de gerenciar os medos e ansiedades provocados pelos desejos. Existe saída para aquele que pode enxergar a porta. Assim, a vida seguirá com seus desafios e obstáculos, nada mudará neste sentido, mas, conhecendo sua própria mente de uma forma mais ampla, além dos limites da psicologia, o indivíduo vivenciará cada situação e aspecto da vida de maneira bem diferente.

E pra ilustrar o que foi dito....


Pause {video} -- A. G. MohanThe mind is like a river. The thoughts are like the various droplets of water. We are submerged in that water. Stay on the bank and watch your mind.
Posted by A. G. Mohan on Sexta, 18 de maio de 2012


     Namaste!

Glaucia Cantergiani

sexta-feira, 6 de março de 2015

ENGANOS COMUNS DO ENTENDIMENTO DO YOGA

ENGANOS COMUNS CONCERNENTES AO YOGA





Patanjali

O Yoga-Sutra do sábio Patañjali é o texto que sistematiza a prática de yoga de modo a estabelecer as diretrizes principais daquilo que pode ser chamado de yoga. A definição de yoga dada no texto, logo no segundo aforismo do primeiro capítulo, diz que yoga é ‘nirodha’ das atividades da mente (citta-vrtti-nirodhah). Tal definição dá margem para o que é talvez o mais difundido e grave engano com relação à prática de yoga – o de que yoga é ‘parar de pensar’.
A palavra nirodha pode de fato ser traduzida como ‘interrupção’ ou ‘parada’, mas o caso é que no contexto de yoga este significado não cabe, pois a mente como um instrumento de relacionamento com o mundo não pode ter sido criada para ser desligada. Ademais, já desligamos a mente todos os dias no sono profundo, e isso não nos torna seres humanos mais sábios ou melhores, nem nos livra de uma vez por todas do sofrimento, apenas nos oferece um descanso necessário para que no outro dia possamos continuar nossa interação com o mundo.
No contexto de yoga, nirodha significa o comando sobre a mente, a capacidade de interagir conscientemente com um objeto sem que padrões mecânicos de pensamento e conduta interfiram demais nesta interação. Só assim é possível um conhecimento adequado do objeto, por meio do qual as melhores escolhas com relação a ele serão feitas, e o sofrimento será amplamente atenuado.
‘Parar de pensar’ é algo que está tão distante da prática de yoga quanto ‘perder dinheiro’ está distante da prática dos ambiciosos e competentes investidores do mercado de ações. Lembro-me de certa vez ter sido seriamente indagado por uma aluna acerca da contradição de eu ser, ao mesmo tempo, praticante de yoga e estudante de filosofia na universidade. Expliquei a ela que yoga é pensar no sentido estrito do termo, isto é, a habilidade de olhar para um objeto e entendê-lo como ele de fato é e se mostra, sem estar preso àquilo que impede todo o pensamento verdadeiro – as memórias, preconceitos e emoções passadas que, projetados inadvertidamente no objeto, impedem que ele se mostre na sua natureza.
Seria fantástico se a mente humana estivesse sempre passivamente disponível como um instrumento obediente, que acata todas as nossas decisões e pensa somente aquilo que queremos e que é benéfico para nós. Entretanto, não é assim que ela funciona. A mente tem um “defeito” irreparável: ela “pensa” por si mesma, automaticamente, sem pedir nossa permissão. Não é exatamente por isso que de repente, sem que saibamos exatamente o porquê, tornamo-nos tristes, temerosos ou irritados? E não somos tomados por essas emoções desde o nada; existem pensamentos não-deliberados, ainda que fora do escopo da nossa consciência, que nos fazem sentir assim.
As diferentes práticas de yoga podem ser vistas como maneiras de, aos poucos, o praticante ir tomando posse de sua própria mente à medida em que ocupa o terreno mental usualmente tomado por pensamentos não-deliberados. Quando, na prática de asanas, a pessoa é instruída a fazer diferentes movimentos em sincronia com a inspiração ou exalação, ela está usando a mente de maneira deliberada. Ela está se apropriando de sua própria mente. Igualmente, na prática de pranayama a pessoa está inspirando, retendo a respiração e exalando conscientemente, ficando assim em poder da sua mente, já que não é realmente possível regular a respiração com uma mente dispersa. Depois de asana e pranayama a pessoa está, segundo o que Patañjali nos diz no segundo capítulo dos Sutras, qualificada para a concentração, dharana, justamente porque ela tem então a mente nas suas mãos, disponível para ser aplicada em algum objeto de meditação.
Disto já se depreende que o propósito da prática de asanas não é ser um exercício físico, ainda que o corpo acabe se exercitando necessariamente na prática de asanas e colha disto frutos desejáveis. De fato, outro erro bastante frequente entre os praticantes é a crença de que asana serve para deixar o corpo saudável, mas este não é o objetivo primário dos asanas, se é que queremos entender asana como yoga, isto é, como citta-vrtti-nirodha.
Yoga é ser de fato um ente consciente. Quando há yoga, diz Patañjali no terceiro sutra do primeiro capítulo, estamos estabelecidos na nossa natureza de sermos os observadores de tudo, capazes de reflexão verdadeira e ação deliberada. Quando não há yoga, diz o sutra seguinte, somos tomados pelos padrões reativos da mente e, apesar de continuarmos sendo seres conscientes – conscientes da própria atividade mental – tornamo-nos escravos dos impulsos dela.
Esse texto foi escrito por Luciano Giorgio e extraído do site satsangaonline.com.br de Jonas Masseti.
Eis o que gostaria de dizer sem precisar acrescentar nada :). Muito grata! Glaucia Cantergiani

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Felicidade - Uma Mente em Paz

Extraído das palestras de Swami Chinmayananda a partir Vidya Mandir

"Quando buscamos a felicidade fora de nós, a beleza sutil do que há dentro de nós é facilmente negligenciada".


Sri Swami Chinmayananda


O universo contém vida. Não importa se aquela energia animada que chamamos vida esteja numa planta, num animal ou numa pessoa; ela é a mesma. Todas as coisas vivas têm, pelo menos, uma coisa em comum: a centelha de energia que a fazem existir, sem a qual elas seriam apenas matéria inerte. Essa centelha de vida transforma a matéria inerte em coisas vivas e sensíveis.

Essa força de vida se expressa nos humanos através das percepções e ações do corpo físico, dos sentimentos ou emoções e dos pensamentos no intelecto. Sem vida, nós não vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos, provamos, pensamos ou agimos. Mas quando temos vida dentro de nós, temos uma idéia (um pensamento) que se transforma em desejo (um sentimento) dentro de nós e então passamos a fazer as ações necessárias para satisfazer aquele desejo.

Os impulsos para a ação

Todas as nossas ações diárias parecem sair de dois impulsos básicos: 1- o desejo de experienciar maior felicidade na vida satisfazendo vários desejos e 2- o desejo de evitar aquelas situações ou circunstâncias que nos trazem sofrimento físico, mental e emocional.

Todos nós procuramos felicidade e tentamos evitar o sofrimento. Ninguém gosta de trabalhar duro para trazer desapontamento, frustração e desespero para sua vida. Nós podemos, então, com segurança, assumir que "a procura de uma existência feliz" é um objetivo comum para os seres humanos.

A vida, então, pode ser vista como uma cadeia contínua de eventos, bons e maus, desde o nascimento até a morte. Cada um de nós está tentando criar o maior número possível de elos, de experiências que sejam prazerosas e satisfatórias dentro dessa cadeia. No entanto, cada um realiza essa tarefa de maneira diferente, de acordo como o que parece ser o mais agradável e apropriado naquele momento. Nós nos movemos ao longo dessa cadeia em direção às circunstâncias perfeitas, nas quais seremos completamente felizes e seguros. Mas, na maior parte das vezes, vemos que, quando achamos que conseguimos manipular nossas vidas até bem perto de nossos sonhos, nossas necessidades mudaram. Nossos desejos antigos e conceitos de felicidade foram ultrapassados, da mesma maneira que os brinquedos antigos de uma criança ficam ultrapassados.

Comumente descobrimos que nossa busca externa pela felicidade permanente, além de ser infrutífera, pode até ser fonte de descontentamento em nossas vidas; estamos sempre vivendo a ansiedade da antecipação, a ruptura e a fadiga da busca, a insatisfação com que conseguimos (se e quando conseguimos), o medo de perder uma vez conquistado, e a dor atrelada à perda verdadeira que deve inevitavelmente ocorrer (já que, quando morrer, você não poderá levar consigo aquilo que conseguiu).

Se conseguirmos ver que a felicidade permanente não está, necessariamente, num conjunto de circunstâncias ou objetos materiais, então, deveremos procurar em outro lugar.

A felicidade e a mente quieta

Se pararmos um instante e perguntarmos: "Qual é o fator comum para todos os nossos momentos felizes em nossas vidas?", descobrimos que é uma mente quieta, o que quer dizer uma mente completamente satisfeita e plena com a experiência daquele momento. Tal mente não está dispersa, procurando por algo mais; ela está satisfeita, apreciando o momento presente e as circunstâncias correntes. A felicidade equipara-se a uma mente quieta. O contentamento anda de mãos dadas com a paz mental. Pense: nesse mesmo instante em que experienciamos felicidade, não estamos conscientes da dor em nossos corpos, nossas emoções não estão ferozes e tempestuosas e nossas mentes não estão fervendo com idéias intelectuais. Não nos sentimos compelidos por desejos; estamos satisfeitos para apreciar a experiência do momento.

Esse fato não significa que precisamos ser inativos para usufruir da felicidade. Ao contrário, essa experiência de completude, felicidade e satisfação está disponível para nós entre as mais dinâmicas aventuras e empreitadas. A felicidade, portanto, parece ser uma experiência puramente subjetiva ou pessoal, como com qualquer casal - em que um seja fumante e o outro não fumante - poderia testemunhar. O que é prazer para um é sofrimento para o outro. O traço comum na felicidade de cada um parece ser um estado da mente que inclui, pelo menos, um contentamento passageiro, com relação à situação e circunstância do momento presente.

A felicidade equipara-se a uma mente quieta, uma mente disponível para experienciar de maneira completa o momento presente, sem ficar vagando entre os "queria", "devia" e "poderia". Felicidade é a qualidade do entendimento completo e a apreciação das circunstâncias da vida no momento presente, enquanto elas estão em frente a você, e a experiência de satisfação no presente, quer as circunstâncias se encaixem nas suas expectativas e desejos ou não. É saber a verdade que a vida no momento presente é do jeito que é, e que a satisfação com a vida não é dependente de circunstâncias externas. Apesar das gratificações sensoriais poderem oferecer momentos passageiros de prazer, a satisfação é uma experiência que vem de dentro e na busca externa pela felicidade, essa sutil beleza interna é facilmente negligenciada.

Considere a experiência de perder um molho de chaves. Procuramos freneticamente por elas pela casa inteira. Quanto mais procuramos, mais agitados ficamos; e quanto mais agitados ficamos, mais perdemos nosso equilíbrio e discriminação racional e nossa mente começa a ficar sem controle.

"Oh! Vou me atrasar!"

"Oh! Não vai dar para...."

"Oh! Vou ter que chamar..." etc., etc.

E então, quando damos uma parada para respirar, vemos que as chaves estavam no nosso bolso o tempo todo.

Da mesma forma, quando paramos de buscar a felicidade do lado de fora (correndo atrás de objetos materiais que achamos que nos farão felizes), descobrimos o potencial de felicidade dentro de nós. Começamos a ver beleza e propósito em volta de nós. Vemos tudo de uma nova perspectiva. Aprendemos a ver o lado bom de nossa situação, qualquer que seja, e usufruir do que temos "aqui e agora" em vez de constantemente estarmos insatisfeitos e querendo que a vida seja diferente - que ela seja mais, menos ou simplesmente diferente. Se alguém nos oferece meia maçã, não ficamos desapontados pela parte que está faltando, mas gratos pela metade que conseguimos.

Lógica e experiência nos dizem que nunca poderemos encontrar felicidade permanente no mundo exterior a menos que a encontremos primeiro em nós. Todos sabemos, pela experiência, que quando sorrimos para o mundo, o mundo nos sorri de volta e que, se procurarmos por problemas , eles virão. Conforme a mente, assim será o mundo. Se estamos cheios de amor, felicidade e satisfação, o mundo refletirá essa harmonia.

Vidya Mandir: Felicidade - uma mente em paz: FELICIDADE - UMA MENTE EM PAZ Extraído das palestras de Swami Chinmayananda

domingo, 7 de dezembro de 2014

Mensagem Para a Semana

"O único trabalho que a espiritualidade purifica é aquele realizado sem motivações pessoais, sem desejo por fama ou reconhecimento público ou engrandecimento, sem a insistência das motivações mentais da própria pessoa, ou desejos e demandas vitais, ou preferências físicas, sem vaidade ou arrogância, ou busca por posição ou prestígio. O único trabalho que purifica é aquele realizado tendo como causa a Força Maior exclusivamente e sob o comando da Força Maior. Todo trabalho realizado no espírito egoístico, embora bom para as pessoas no mundo da ignorância, não tem valor para o buscador do Yoga."

 

Sri Aurobindo


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Respiração - Yoga Journal

Respire

Seis meses para explorar e descobrir o pranayama, prática que traz um novo mundo de calma e estabilidade

Um praticante recém-chegado ao mundo das posturas do Hatha Yoga provavelmente se surpreende ao saber que a maioria dos mes­tres dá mais importância à respiração do que à forma física dos asa­nas, e que existem aulas para aprender a respirar. A gente já inspira e expira naturalmente. O que tem de difícil nisso?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Os Mantras e o Sagrado Mantra OM

   
   Embora no ocidente já tenhamos absorvido a ideia de que todo tipo de cântico é mantra, na realidade, mantra é o nome dado aos versos dos Vedas. Um mantra é, literalmente, "aquilo que protege a mente". Como parte dos Vedas, sua principal finalidade não é a musicalidade mas a transmissão de uma informação, de um ensinamento. A estrutura dos mantras é muito rígida a fim de proteger a informação nele contida, de forma a garantir que duas pessoas que não se conheçam cantem o mesmo mantra de forma idêntica. Para isso, é imprescindível a presença de um professor que domine essas regras e esteja na tradição do Ensinamento. Os mantras vêm sendo transmitidos oralmente desde milhares de anos até os dias de hoje.
   É dito que todo mantra carrega em si um poder que é ativado pela repetição apropriada. Esse poder não está no entendimento do significado do mantra, nem na visualização de alguma imagem; o poder está contido no próprio som dos mantras, uma vez que devem ser cantados rigorosamente na métrica correta, facilitando a absorção da mente no canto e contribuindo para uma mente meditativa.
   Quando cantamos os mantras sem preocupação com a métrica correta, eles não só mudam o objetivo como recebem novas nomenclaturas (slokam, stotram, kirtanam, bhajanam).

   
   OM, em sânscrito, é a sílaba sagrada. É o mais importante de todos os mantras, pois é o símbolo da divindade suprema, o som primordial através do qual o amor de Deus vibra no coração dos seres humanos. É uma invocação, uma bênção, uma afirmação. Ele guarda em potencial todos os mantras dos Vedas, pois guarda em potencial todo o Veda com todo o conhecimento contido nele.
 O Om é formado pelas letras A, U e M, entretanto, segundo a rígida regra gramatical do sânscrito, ao unirmos A e U obtemos a letra O. Por isso escrevemos e pronunciamos OM, e não AUM. A letra A representa o início, a Criação, por isso está associada à Brahman (o Absoluto); a letra U representa o meio, a manutenção, por isso está associada à Vishnu (o aspecto divino da sustentação); a letra M representa o final, o ato de dissolver e destruir, por isso está associada à Shiva (os aspecto divino da transformação). 
  As três letras que formam o Om também simbolizam os três gunas (sattva, rajas e tamas - conhecimento, ação e inércia respectivamente), que são qualidades fundamentais inerentes a tudo que há na natureza, e que, combinadas entre si, constituem todo o Universo. Além disso, também representam os três períodos de tempo (passado, presente e futuro), os três corpos do Absoluto (universo físico, sutil e causal), os três Vedas (Rg, Sáma e Yajur Veda) e muitos outros aspectos do simbolismo védico em número três.
   Todo mantra tem início com o Om. O próprio Veda tem como primeira sílaba o Om. Por essa razão, porque Om carrega todo o conhecimento, quando se começa algo novo, seja uma aula ou algo importante a se fazer, tradicionalmente se diz: OM!

Shanti Om: Significa Paz

Namaste: Significa “O Deus que está mim, reconhece o Deus que está em ti, e diante desse Deus e Sua Luz eu me reclino.”


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Uma Mensagem...





“As histórias únicas criam os estereótipos, e o problema do estereótipo não é que ele seja uma mentira, mas sim incompleto. Eles fazem com que uma história torne-se a ÚNICA história. A consequência da única historia é que ela rouba de um povo sua dignidade. Torna difícil o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada. Enfatiza como somos diferentes ao invés de como somos semelhantes.
Quando tomamos consciência de que nunca há uma única história sobre qualquer lugar, nós retomamos uma espécie de paraíso.”


Chimamanda Adichie

TRANSFORMAÇÃO: Uma Questão de Valores

“Todos conhecem o caminho, mas muito poucos o seguem" (Buddha). 


Durante nossa vida, e principalmente na infância, amigos, pais, professores, nos ensinam como devemos ser, muitas vezes nos "educam" com "mandamentos" que eles próprios têm dificuldades de cumprir. O que esquecem é que ensinar, e educar, é uma questão de agir com coerência. A criança observa preciosamente o que seus pais fazem e acaba repetindo essas atitudes, ainda que o discurso seja diferente. E se nos observarmos em nosso dia-a-dia perceberemos como é fácil se perder no alinhamento entre pensamento-discurso-ação. Quantas vezes dizemos que devemos aceitar o outro como ele é e, em seguida, criticamos e julgamos as atitudes dos nossos pais, cônjuges, filhos, etc. 
É difícil aplicar a coerência entre o pensamento, a fala e as ações em nossas vidas, mas não é impossível. O apego aos padrões automatizados é intenso, vivemos numa sociedade que se julga culpada e pecadora há anos e recebemos lições sociais diárias que nos mostram que esperto é quem pega o seu pedaço do bolo primeiro. Viver no "piloto automático" pode ser uma opção, todos temos direito a isso, mas ter as rédeas da nossa vida nas mãos nos dá a condição de construirmos algo que esteja em harmonia com nossa Essência, nos permite saber quem somos de fato, o que realmente queremos, onde queremos chegar. Quando chegamos neste ponto de autoconhecimento e busca interna, sentimos a necessidade de transformar padrões e realizar mudanças e, aí, nos deparamos com a importância de estabelecermos os valores éticos universais. 
O que é um valor? Podemos defini-lo com uma norma de conduta originada na maneira pela qual eu desejo que os outros me vejam ou me tratem. O que eu desejo dos outros deve tornar-se meu padrão de comportamento, meu comportamento adequado. Em sânscrito, um comportamento adequado também é o significado do tão conhecido termo dharma. Portanto, se eu quero que falem-me a verdade, falar a verdade é dharma para mim. Dessa forma, as normas éticas não são regras arbitrárias criadas pelos homens; elas são o fruto de uma consideração inerente ao seu próprio interesse e conforto. E esses valores éticos podem sofrer algumas variações culturais, mas, basicamente, possuem uma certa universalidade. Entretanto, por serem universais não significa que sejam absolutos. De acordo com as diferentes situações, muitas vezes, precisarei relativizar meus valores apesar de manter seu conteúdo universal.
Amparado na visão dos ensinamentos védicos, swami Dayananda nos mostra a importância de apreciarmos cada valor ético universal, além de adquirirmos nossos valores de forma pessoal e completa. O valor que fala da coerência é arjavam. Arjavam significa retidão, e, ao representar um valor ético universal, a palavra assume um significado mais amplo, sendo a conduta de uma pessoa de acordo seus padrões éticos. É a coerência entre os pensamentos, as palavras e os atos. Isso é possível para aquele que é autêntico, que se aceita como é, que reconhece tanto as suas limitações quanto as suas habilidades. Podemos considerar este valor como uma extensão de satya (falar a verdade), porém arjavam é ainda mais abrangente, pois inclui não apenas a linguagem mas também os pensamentos e as ações.
O não-alinhamento entre pensamentos, palavras e ações resulta numa pessoa dividida, desintegrada, não inteira. Quando satisfazemos um objetivo imediato às custas do valor universal, podemos obter um conforto passageiro, mas a longo prazo haverá o desconforto gerado primeiro pelo conflito, depois pelo aumento do acúmulo de culpas inevitável. Os conflitos aparecem quando somos incapazes de viver de acordo com um determinado valor aceito por nós, consciente ou inconscientemente.
O conteúdo universal dos valores só pode ser descartado se não houver na pessoa qualquer preocupação pela forma como os outros a tratam. Ao desejarmos que uma pessoa se comporte de determinada maneira, estamos invariavelmente presos a um sistema de valores.
Para que realmente possamos educar e transmitir os valores universais às pessoas que nos cercam, precisamos ter esse alinhamento como um valor assimilado. Um valor é assimilado quando a pessoa o segue naturalmente. No caso de satya (falar a verdade), inicialmente, a mente tem que deliberar para falar a verdade, porque agir assim talvez envolva algum sacrifício. Mas quando o valor é seguido constantemente e o valor pela paz da mente resultante dessa atitude é apreciado, falar a verdade torna-se natural. Então, a pessoa só consegue falar a verdade. Assim, deixa de ser mais um valor e torna-se sua própria natureza. Todos os valores deveriam ser assimilados dessa maneira. 
Expandindo ainda mais nossa visão sobre o papel dos valores éticos na busca do autoconhecimento que gera as mudanças, podemos acrescentar outra ótica da mesma abordagem através das seguintes palavras do swami acerca das escrituras sagradas do Vedanta:
“Todas as escrituras recomendam valores para serem seguidos como sadhana; são qualidades a serem adquiridas. Quando se analisa um valor qualquer, verifica-se que ele leva a um valor: gerar uma mente tranquila e manter a pessoa consigo mesma. Quando isso é compreendido, a importância ou a necessidade de seguir valores pode ser apreciada. Senão os valores permanecem apenas como mandamentos, como “faça e não faça”. O problema principal que as pessoas têm com os valores é que elas os aceitam sem descobrir o valor deles. Um pai adverte a filha para falar a verdade. A criança aceita a ordem devido ao amor e ao respeito que tem pelo pai, mas não entende porque ela deve dizer a verdade e não dizer uma não-verdade.O pai não levou a filha a descobrir o valor de dizer a verdade; sua importância na vida não foi explicada. Isso permanece em sua mente como um valor não assimilado que não poderá ser relacionado na vida do dia a dia. O valor de dizer a verdade é de novo confirmado por professores e pes­soas mais velhas, mas a sua relevância para a vida nunca vem a ser compreendida pela criança.
Quando cresce, a criança adquire um valor pelo dinheiro e pelo poder. Falar a verdade permanece apenas como uma obrigação imposta por seu pai e seus professores, e então isso não tem valor para ela. Mas, ganhar dinheiro tem um valor, porque, evidentemente, dinheiro é necessário para viver, para obter prazeres e segurança. O mesmo se pode dizer com relação a obter poder. Os benefícios de adquirir dinheiro e poder são evidentes, as pessoas desenvolvem então um valor por eles. Esses valores são assimilados, não são valores resultantes de obrigações. Se para obter dinheiro e poder for preciso dizer uma não-verdade, a pessoa a dirá, porque dinheiro e poder são considerados importantes, enquanto a verdade não o é. Seu valor não foi descoberto. Falar a verdade é praticado apenas como uma obrigação para com o pai, o professor ou a sociedade, enquanto os valores por dinheiro e poder são assimilados, valores pessoais. Que chance possui o falar a verdade quando as coisas importantes na vida são dinheiro, poder, amigos e influência sobre as pessoas. Falar a verdade é praticado apenas enquanto for conveniente, enquanto não constituir obstáculo para a consecução de outros objetivos. Assim, os valores por certas coisas, como dinheiro, têm sempre a última palavra. Valores como falar a verdade sempre são sacrificados. A conveniência, não a verdade, torna-se a norma reguladora.
Valores não assimilados criam conflitos e um sentimento de culpa. A fim de assimilar valores, é preciso compreender o valor dos valores. Um valor é um valor apenas quando o valor dos valores é valorado. Uma mente simples, tranquila é a coisa mais valiosa, porque é isso que a pessoa está tentando obter através de todos os empenhos na vida. Os valores que ensejam a aquisição desse estado mental deveriam ser os mais valiosos. Assim, se o valor de falar a verdade é descoberto como sendo maior ou pelo menos igual a ganhar dinheiro, a verdade não ficará comprometida por causa do dinheiro. Além do mais, o dinheiro é para benefício de mim mesmo, não para o dele próprio. Se, então, o dinheiro não me trouxer felicidade e conforto, eu, certamente, renunciarei a ele."
Para tomarmos posse do nosso próprio poder, e isso não implica sermos maiores nem menores do que ninguém mas sim ter nosso espaço sagrado preservado, é preciso vivermos nosso melhor potencial, nossas melhores possibilidades, sem termos que ser um outro alguém nem nos deixarmos escolher vivenciar atitudes que reforçam nossas fraquezas. É preciso nos aceitarmos como somos, mantendo a coerência como a base das nossas ações para atingirmos as mudanças que desejamos realizar em nossas vidas, e alcançarmos o desejado estado de equilíbrio.

"É preciso aprender que cada valor tem como alvo o mesmo objetivo - alcançar uma mente tranquila - nenhum valor pode ser seguido como um valor isolado. Não é possível que alguém diga a verdade e seja ao mesmo tempo pretensioso. Ninguém pode praticar a não-agressão sem ser tolerante. Todos os valores estão inter-relacionados. De fato, eles constituem apenas um único valor - o valor por uma mente simples, tranquila - visto sob diferentes pontos de vista. Todo valor leva a pessoa a ficar consigo mesma. A vida torna-se simples. Uma mente que usufrui de valores assimilados é uma mente pura. Essa mente será capaz de apreciar o fato de que é ananda, quando isto lhe for revelado ou mostrado. Essa pessoa está qualificada para aprender e apreciar o autoconhecimento", diz swami Dayananda em seu texto Valores: Diretrizes Para a Ação.

Glaucia Cantergiani