OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Mensagem Para o Fim de Semana



“Escolhas”
A vida nunca ensina coisa alguma. É você quem decide se há uma lição em cada alegria, cada tristeza e cada dia comum pelo qual passa, ou se desperdiça todos os momentos de prazer e dor. Não são os fatos que acontecem que fazem com que você aprenda algo, mas somente suas respostas e reações àquilo que acontece. Também não são as experiências de sua vida, desde a infância, que transformaram você na pessoa que é hoje, mas somente a maneira como reagiu, ou respondeu, àquilo que você viveu. Veja que são coisas bem diferentes.
Tudo o que você é, tudo o que você foi e tudo o que você será tem relação direta com o jeito como você age quando uma coisa boa ou má acontece na sua vida. Exatamente por isso, uma mesma situação pode levar uma pessoa a tornar-se mais ácida, deprimida, isolada, enquanto outra – na exata mesma situação – aproveita para se tornar alguém melhor, com mais fé, coragem, resistência e confiança no espírito humano ou em seu próprio potencial de ser feliz.

Coisas boas e coisas ruins acontecem a todos os seres humanos de modo aleatório, mas consistente com Leis Universais de ação e reação. Por isso não é possível vivermos em um paraíso, mas podemos ser oásis de paz no meio das guerras que muitas outras pessoas vivem, se nos lembrarmos de que não podemos escolher tudo o que nos acontece, mas quase sempre podemos escolher o modo como reagimos àquilo que nos acontece. Podemos fugir à tristeza? Não. Podemos usar os momentos de dor e separação com razão para tornar ainda mais importante os momentos nos quais estamos ao lado dos que amamos; podemos tornar nosso trabalho mais profundo; podemos nos tornar pessoas diferentes daquilo que já fomos. Podemos escolher nossas reações. Podemos ser hoje melhores do que fomos ontem. Mesmo quando a realidade é dura, sua reação, sua resposta a ela pode te levar para frente, para novos horizontes e uma vida mais rica, ou pode derrubar você. Se isso acontecer e você cair no chão, faça com que seja uma queda temporária. Levante-se e ande... O fracasso só existe se você não se levantar após uma queda. Cabe a você – e somente a você – escolher se os acontecimentos de ontem, hoje e amanhã serão usados para torná-lo uma pessoa melhor ou pior do que você é agora. É apenas uma escolha. A escolha é sua.

Autor desconhecido

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O que é JAPA?!

(Diálogo de Swami Dayananda sobre Japa)
Japa

O Significado de Japa

Japa é a repetição de uma palavra ou frase curta durante a meditação. A letra ja (em sânscrito, as consoantes têm a junção da vogal a, portanto, j (jota) equivale à ja) aponta para aquilo que coloca um fim ao ciclo de nascimento e morte, e a letra pa aponta para aquilo que remove ou destrói todas as impurezas e obstruções. Portanto, japa é um significado indireto para liberação, mokṣa. Ao destruir as diversas obstruções ao conhecimento, japa pavimenta o caminho para a liberação. Sendo assim, japa é mais do que uma mera disciplina ou técnica.
            Estes diálogos nos trarão um entendimento da natureza e lógica de japa e a maneira como ele funciona. Com este entendimento, a pessoa torna-se capaz de fazer japa com convicção e mantê-lo adequadamente.

Pensamentos imprevisíveis

Em dado momento, uma pessoa tem apenas um pensamento; o próximo pensamento está sujeito à adivinhação de qualquer um. Porém, quando o próximo pensamento realmente ocorre, ele terá sido como foi em função de alguma lógica. Na corrente de pensamentos não há pensamento sem certa conexão com o pensamento precedente. Esta conexão pode ser inconsistente ou pode ser muito clara e lógica. Mas, o pensamento em si, nunca é previsível.
Mesmo agora, eu não posso prever o que direi. Eu simplesmente disse que falaria sobre japa e comecei. Até mesmo as palavras que estou dizendo agora não eram do meu conhecimento. O que virá é imprevisível, mas quando vem, tem a retaguarda da lógica, da razão.

Padrão de Pensamento

Vamos supor que voce tenha visto um BMW na estrada e ele chama sua atenção. Qual será seu próximo pensamento? “Como ele tem condições financeiras de arcar com isso?” Em seguida, “Como ele consegue comprar um carro tão caro? No ano passado ele nem tinha trabalho. A esposa dele deve ter muito dinheiro. Eu gostaria que minha esposa tivesse vindo de uma família rica. Quando me casei, não pensei em dinheiro nem em meu futuro.”
Todos esses pensamentos começaram a partir da visão de um BMW e, depois, seguiram determinada lógica. Esta sequencia específica foi apenas uma linha de pensamento.
Vamos olhar sob uma nova ótica a visão do BMW: “Os alemães são muito industriais. Apesar de o país deles ter sido devastado durante a Segunda Guerra Mundial, a economia deles recuperou-se rapidamente. Eles produzem os melhores equipamentos científicos do mundo.”
Onde você começou? No BMW. O que virá a partir do BMW dependerá da imaginação de cada um. Mesmo no pensamento deliberado você não sabe o que vem a seguir porque o pensamento é sempre linear, um passo por vez, um pensamento por vez. A conexão entre pensamentos pode ser uma conexão sintática dentro de uma frase, lógica, ou uma simples associação. Mas, será sempre uma conexão, fraca ou forte.
No ‘pensamento BMW’, a conexão entre pensamentos não é deliberada. Portanto, o próximo pensamento pode ser qualquer um. “O símbolo da BMW é diferente. Não é como a insígnia da Mercedes.” A insígnia da Mercedes faz você pensar numa estrela e, então, o próximo pensamento pode ser: “Meu signo astrológico não está favorecido.” Este movimento de um pensamento para o próximo é um padrão de pensamentos desatentos, um fluxo de pensamentos onde não há direção.
Neste fluxo de pensamentos desatentos, embora não haja direção, sempre haverá alguma lógica, alguma conexão. Pode ser uma simples rima, uma palavra lhe remetendo a outra, uma variedade de outras conexões possíveis. A invariável é que, a todo o momento, sempre há um ou outro pensamento em sua mente.
Da mesma forma como no pensamento deliberado, no padrão de pensamentos desatentos, não sabemos qual será o próximo pensamento. Porém, na prática de japa, definitivamente, é possível saber o que vem a seguir. Japa pode ser uma palavra, uma frase curta, uma parte dos Vedas, mas para ser japa precisa haver a repetição.
Se estivermos repetindo uma palavra ou frase curta, teremos certeza do momento em que saímos da trilha. No “pensamento BMW”, portanto, pensar na Alemanha e depois sobre o Mercedes, ou qualquer outra coisa, não é sair da trilha porque não há trilha. Tais pensamentos simplesmente acontecem. Esse é o significado de pensamento desatento. Não há direção para eles.

Aprendendo sobre a mente

Realmente, não existe um método para aprendermos sobre a mente. Apenas sabemos que estamos sujeitos a um tipo específico de pensamento. Por exemplo, entramos em devaneio até que algo captura nossa atenção e, somente então, retornamos.
Existe alguma coisa que possuímos na nossa de vida de pensamento, que é a nossa vida, que nos ajude a entender nossas formas de pensar? O que temos para nos ajudar a lembrar de como direcionar nosso pensamento por um determinado período de tempo e ter a mente à nossa disposição?
Não possuímos uma técnica direta. Se tivermos sorte, teremos adquirido alguma disciplina intelectual na escola que terá nos dado a capacidade para o pensamento lógico. No processo, poderemos vir a descobrir alguma disciplina, mas não saberemos que isso é uma técnica; nem a utilizaremos como tal.

Japa como uma técnica

O exercício da escolha é muito importante em japa. Se eu escolho cantar uma palavra ou uma frase mentalmente por um período de tempo, tenho uma técnica em mãos e posso ver o que acontece em minha mente porque eu sei exatamente o que vem a seguir. Se algo mais surgir, eu sei que não é o que esperava e eu trago de volta o pensamento escolhido. No processo, eu aprendo como dispersar pensamentos indesejados e reter aquele que eu escolhi. Este é um importante resultado de japa como uma técnica.
Como uma técnica, qualquer palavra funcionará. Não é necessário invocar o nome do Divino ou um mantra espiritual. Qualquer som pode ser um mantra, como, por exemplo, “gring... gring... gring... gring... gring...”. Se permanecer repetindo esse som, funcionará. Um pensamento estranho virá eventualmente, como “O que faz esse tipo de barulho?” “Uma gaita de fole”, pode ser a resposta. Então, talvez voce pergunte: “O que uma gaita de fole tem a ver com meu japa?”.  Ao retornar para o som, o pensamento sobre a gaita de fole será dispersado.
Assim, a repetição funciona como uma técnica para obter alguma disciplina mental; voce dá a si mesmo uma oportunidade para ver os caminhos do próprio pensamento. Entretanto, japa de um canto significativo invoca a pessoa essencial em voce. Voce terá que ser esta pessoa enquanto estiver fazendo japa.

Intervalo Entre Pensamentos

A vantagem da repetição é que voce pode apreciar o intervalo entre duas sucessivas ocupações da mente. No pensamento desatento sem direção a mente simplesmente move-se de um pensamento para outro. Esse tipo de pensamento é como pegar macarrão. Se tentar pegar um macarrão, verá que ele virá junto com alguns outros. Da mesma forma, a função completa do pensar dá a impressão de ser um único pensamento, apesar de haver muitos pensamentos.
Entre dois pensamentos, existe um intervalo. BMW é o nome de um veículo e Alemanha é o nome de um país. Porque existe uma conexão entre ambos, o intervalo entre eles é perdido. A repetição de um determinado canto elimina ou evita a conexão entre dois pensamentos porque, entre um canto e outro, não há conexão.
Cada canto é uma unidade completa em si mesma, e a unidade de um pensamento não estará conectada com a unidade do segundo pensamento desde que ambos sejam o mesmo. Portanto, entre dois pensamentos, existe um ponto; canto... ponto... canto... ponto. Não há vírgula, somente ponto, um ponto final. Assim, cada canto é completo e, entre os cantos, o intervalo estará disponível para que voce possa reconhecer.

Paz na Mente

O que é que se obtém no intervalo entre cantos? Entre um pensamento com determinada forma e som e o pensamento seguinte, não há nenhum pensamento. Existe apenas um intervalo sem forma ou molde. Isso é o que chamamos de paz ou silencio. Porque esse silêncio não possui uma forma de pensamento especifica, não o pensamento da maneira como o conhecemos.
Sempre achamos que paz é alguma coisa que precisamos adquirir. As pessoas até perguntam: “Swamiji, eu tenho tudo exceto paz na mente. Como posso ganhar esta paz?” Porque a mente é incansável, achamos que paz é algo novo que precisamos adquirir, um atributo com o qual temos que enfeitar a mente. Paz é algo que precisamos adquirir ou é natural?
Certa vez, fui até um swami. Podia sentir que ele era uma pessoa que tinha paz consigo mesmo. Estava comprometido com Vedanta, mas, ao mesmo tempo, tinha muitos conflitos em minhas buscas. Fui até esse swami numa tentativa de resolvê-los. Ele nunca foi de falar muito, mas me disse uma coisa que realmente me tocou: “Para a inquietude, é preciso trabalhar muito. Para a paz, o que se pode fazer?” Ao responder esta pergunta, ele ficou em silêncio, o que achei muito eficaz.

A Inquietude Requer uma Construção
            
Para a paz, o que é preciso fazer? Para a inquietude é preciso trabalhar; é necessário criar uma construção porque, sem ela, não é possível tornar-se inquieto. O problema é que essa construção não é algo que fazemos conscientemente. Ela se ergue, como uma parede que se levanta sozinha. Imagine que voce tem uma pilha de tijolos e eles simplesmente se agrupam e transformam numa parede. Você consideraria isso um milagre, mas voce não considera uma construção de pensamentos um milagre porque isso está sempre acontecendo. Isso é um milagre simplesmente porque acontece. O fato de os pensamentos se construírem por si só e voce não ter regência sobre isso, é realmente impressionante!
            Existe desamparo em todo o processo. Alguma coisa dispara uma construção; pode ser uma simples alteração hormonal, indigestão, o olhar de alguém, um olhar de reprovação, uma mudança climática ou qualquer outra coisa. Qualquer coisa é o motivo bastante; voce pode estar escovando o cabelo e alguns cabelos caem! Qualquer acontecimento que voce não aceita, dá o ponta pé inicial e logo sua mente está ocupada pelo dia inteiro.
A inquietude requer uma construção progressiva da qual eu, minha própria pessoa, não sou parte. Ainda assim a construção é minha. Eu não a vejo como diferente de mim. Eu me vejo fumegando.


            O que é isso que não me deixa manter o controle dessa construção pensamento-após-pensamento? Isso deve-se ao fato de que todo o padrão de pensamento foi o “pensamento macarrão”, o pensamento associativo ou sem direcionamento... (continua na próxima semana!)


Autoria de Swami Dayananda Saraswati, editado no Arsha Vidya - Chennai, India.
Tradução: Glaucia Cantergiani

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Yoga Para Todos: Qual pratica é boa pra você?


 "Yoga é para quem precisa".
"Jesus, o maior yogui de todos os tempos não ficava de ponta cabeça" Professor Hermogenes.

"Se você tem um corpo, Yoga é para você" Iyengar.

" Imagens de pessoas praticando āsanas são usadas hoje em dia para vender desde seguros de vida a alimentos, desde carros a viagens. Há de tudo: gente em posturas de meditação, yogis em āsanas de equilíbrio, alongamento ou força. Essas fotos têm um denominador comum: apresentam pessoas esguias, fortes, lindas, e aparentemente de bem com a vida, fazendo com a maior naturalidade ações que estão muito além do alcance da imensa maioria dos seres humanos. Todos, invariavelmente, sorrindo.
A imagem do Yoga que se projeta através dessas poses intimida muitas pessoas que se sentem acuadas pelo grau de dificuldade das ações ilustradas. O problema é que o tema não se limita ao mundo da publicidade: esse tipo de imagem é ubíqua também em selfies, redes sociais, publicações, blogs e revistas. Há gente que pensa, legitimanente: “se o Yoga é para pessoas jovens, magras, bonitas e flexíveis, então não é para mim, pois não me encaixo em nenhuma dessas categorias”. O amigo leitor já se perguntou quantas pessoas desistiram de fazer Yoga por conta dessa imagem que se projeta dele?" 


Por Pedro Kupfer.(fonte pro.yoga)
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Pratique com orientação adequada!


Yoga é para todos. Mas um professor experiente é indispensável.

 

"As técnicas foram feitas para pessoas e não pessoas devem se enquadrar em técnicas" Gerson Dáddio
"Yoga deve ser uma pratica inclusiva, democrática e  adaptada para todos que precisam". Silvia Lucarini.


Livros, fitas ou vídeos são muito úteis para estimular o sadhana e estudar detalhes e técnicas depois que você já tem experiência com a prática.
A presença do professor na sala é fundamental para corrigir o alinhamento e o encaixe nas práticas que mexem com o corpo e dar o acompanhamento adequado na meditação ou no pranayama, assim como para detectar necessidades pessoais que você possa ter. 

Por motivos éticos, nós não podemos nem devemos recomendar um único tipo de Yoga, pois as abordagens e os métodos variam muito. A modalidade de Yoga escolhida deve estar em função das expectativas e necessidades do praticante.

Diferentes formas de Yoga não dão os mesmos resultados com as mesmas pessoas, e não há consenso sobre o que deveria ser ensinado em uma aula de Yoga. Não existe um Yoga superior ou melhor que os demais. Cada método se adapta melhor para objetivos diferentes. O melhor Yoga é aquele que funciona para você mesmo, satisfaz as suas necessidades e preenche suas expectativas, sejam elas quais forem".

Há uma diferença fundamental entre um professor e um guru, um mestre iluminado. Por uma questão óbvia de ética e bom senso, não recomendamos professores de Yoga ou instituições que sustentem atitudes ou afirmações como estas:
      1) o nosso Yoga é o melhor e mais completo que existe
      2) nosso método é o único verdadeiro, nenhum outro funciona
      3) o Yoga ensinado pelo professor Fulano não presta
Quem diz se um Yoga é melhor que outro não é o folheto de propaganda, mas o praticante, e isso vale unicamente em relação a si próprio, à sua prática pessoal e ao seu momento.

Por Pedro Kupfer.(fonte pro.yoga)



Do BlogYoga Para Todos: Qual pratica é boa pra você?:

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O PROCESSO DIGESTIVO NA VIDA DE YOGA


          Pensando na palavra digestão, imediatamente nos vem à cabeça o funcionamento complexo e perfeito de nosso aparelho digestivo, as liberações de enzimas, as quebras das moléculas dos alimentos físicos que ingerimos, a absorção feita por etapas através dos nossos órgãos de forma tão integrada e sincronizada. Um milagre! É fácil termos acesso a esse aprendizado em qualquer instituição de ensino uma vez que esta informação é disponibilizada nos diversos curriculums escolares. E, quando tomamos consciência do processamento de alimentos sólidos e líquidos em nossos organismos, muitas vezes, nos interessamos mais sobre o tipo e a qualidade dos alimentos que vamos ingerir. Mas, isso basta para sermos saudáveis? Basta-nos aprender tão somente sobre a digestão física? Como funciona a digestão das nossas emoções e sentimentos? Ou, não os digerimos?!

 

            Falta-nos estudar sobre o processamento dos alimentos sutis. Os pensamentos, as emoções, as memórias, as experiências vivenciais do dia-a-dia; toda sorte de alimentos sutis que ingerimos, querendo ou não, mas que também precisam ser digeridos em nosso Ser. Talvez, falando de forma generalizada, este aspecto seja o que mais diferencie os povos do ocidente da maior parte dos povos do oriente. Quando a espiritualidade, não necessariamente a religião, caminha junto com a vida de um povo, o ser humano aprende desde muito pequeno a conhecer-se como um todo, o que é visível e palpável em si e o que é invisível e oculto também. Não é porque não visualizamos o processamento de toda a complexidade de pensamentos que brotam em nossas mentes que seus efeitos sob nossas células e órgãos deixam de existir. E quão valioso seria se pudéssemos ver uma nação inteira se conhecendo por dentro, por fora, em volta e além!
            De que maneira podemos cuidar da nossa digestão sutil? Certamente, existem várias formas e práticas espirituais à nossa disposição com o objetivo de nos fornecer ferramentas para promover nosso equilíbrio mental e melhorar nossa qualidade de vida, mas para cuidar da digestão sutil, todas devem passar pelo conhecimento da mente e pelo real conhecimento de Quem Eu Sou. Não podemos escolher todos os alimentos sutis, nem modificar a natureza dual da mente humana, mas podemos conhecer este corpo mental tão bem quanto o corpo físico para que possamos escolher os alimentos que iremos ingerir, saber como processar os de difícil digestão que não podemos escolher para, assim, termos algum gerenciamento sobre as situações que vivenciamos e recebemos da vida.



  
Falta-nos aprender corretamente como funciona o lugar do nosso pensar, a nossa mente, que no Yoga encontra-se associado ao corpo sutil, ou skma śarīra. Segundo a ciência do Yoga, esse corpo sutil é constituído pela mente, o intelecto e o prāa, e possui três invólucros que chamam-se vijñanamaya kośa (que nos dá a noção de individualidade e julgamento), manomaya kośa (que nos dá a percepção do mundo exterior como instrumento psíquico da mente) e prāamaya kośa (onde se desenvolve a maior parte da atividade psíquica pela atividade dos chakras). Trata-se de um corpo complexo e sofisticado que nos fornece, portanto, recursos diferenciados para lidarmos com a vida. Através do estudo e autoconhecimento, é possível aprender a utilizá-los a nosso favor para nos alimentarmos melhor e vivermos a vida com sabedoria. Para isso, é preciso haver uma decisão interna firme, um pouco de dedicação e um tanto de abertura espiritual.

 

O homem intelectual, provido de uma mente capaz de investigar e desenvolver tantos conhecimentos, estabeleceu sua visão científica do corpo e da mente na vida humana. O projeto do corpo humano pela visão científica consiste de espaços e estruturas cuja finalidade é manter a pulsação originária da vida humana para que seja possível a realização de atividades especializadas. Sendo assim, no processo inicial de surgimento do corpo físico formam-se as camadas teciduais visíveis (neural, muscular e orgânica) e uma camada hormonal invisível, que são os líquidos que geram e regulam o crescimento, a reprodução, a transmissão de informações, os sentimentos, etc. Através da relação entre essas camadas surgem as experiências diversas como toque, sons, sentidos externos, temperatura, pressão, elasticidade, ritmo, motilidade, etc.. Nossa história pessoal e emocional influencia o desenvolvimento e a expressão da forma humana. O cuidado, suporte e transmissão de experiências (informação sutil) que a família fornece à criança que está se transformando em adulto afetam o desenvolvimento do corpo humano. Se essas informações forem conduzidas na forma de agressões (o que despertará nossos reflexos de defesa), gerarão reações físicas de contração de músculos, suspensão da respiração, entre outras, em nossos corpos; certamente, o processo digestivo sutil estará também automaticamente afetado. Se a agressão for grave e se sustentar por um bom tempo, o padrão de defesa se aprofundará. Sendo assim, os “perigos” internos e externos que vivemos criam reações que mudam nossa forma e nosso funcionamento orgânico geral. E quanto mais persistente for a situação, mais estrutural será esta mudança, atingindo órgãos, músculos, ossos, etc. Isso é o estresse!
Como se não bastasse, temos atualmente inúmeras fontes de informações desqualificadas produzidas diariamente, com muita sofisticação, pelas indústrias do medo (televisão, internet, etc.). Assim, vamos nos alimentando de estresse dia após dia, sem nos darmos conta de que se não fizermos nada para melhorar essa via de alimentação, ou a maneira de digeri-la, acabaremos por sucumbir às doenças e todo tipo de desordens funcionais.
Mas, ainda podemos ir além na visão da mente humana. Segundo os Vedas, o ser humano foi constituído com o desejo constante de alcançar algo (independentemente do que seja) e de manter aquilo que foi alcançado; unir o desejo à retenção/proteção do objeto do desejo. E essa é a fonte de preocupação de todas as pessoas. É da natureza humana estar sempre buscando alcançar algo, seja o objetivo de voltar a fazer exercícios, consertar um vazamento na casa, comprar um carro novo, qualquer coisa; e, depois, estar sempre tentando manter aquilo que alcançou. Isso é fonte de sofrimento constante! Com o estudo do yoga, tomamos consciência da nossa natureza humana, deixamos de reagir à ela e seguimos no caminho que a filosofia nos aponta em busca de uma saída para este dilema: samatvam.
Samatvam é a capacidade de gerenciar os medos e ansiedades provocados pelos desejos. Existe saída para aquele que pode enxergar a porta. Assim, a vida seguirá com seus desafios e obstáculos, nada mudará neste sentido, mas, conhecendo sua própria mente de uma forma mais ampla, além dos limites da psicologia, o indivíduo vivenciará cada situação e aspecto da vida de maneira bem diferente.

E pra ilustrar o que foi dito....


Pause {video} -- A. G. MohanThe mind is like a river. The thoughts are like the various droplets of water. We are submerged in that water. Stay on the bank and watch your mind.
Posted by A. G. Mohan on Sexta, 18 de maio de 2012


     Namaste!

Glaucia Cantergiani

sexta-feira, 6 de março de 2015

ENGANOS COMUNS DO ENTENDIMENTO DO YOGA

ENGANOS COMUNS CONCERNENTES AO YOGA





Patanjali

O Yoga-Sutra do sábio Patañjali é o texto que sistematiza a prática de yoga de modo a estabelecer as diretrizes principais daquilo que pode ser chamado de yoga. A definição de yoga dada no texto, logo no segundo aforismo do primeiro capítulo, diz que yoga é ‘nirodha’ das atividades da mente (citta-vrtti-nirodhah). Tal definição dá margem para o que é talvez o mais difundido e grave engano com relação à prática de yoga – o de que yoga é ‘parar de pensar’.
A palavra nirodha pode de fato ser traduzida como ‘interrupção’ ou ‘parada’, mas o caso é que no contexto de yoga este significado não cabe, pois a mente como um instrumento de relacionamento com o mundo não pode ter sido criada para ser desligada. Ademais, já desligamos a mente todos os dias no sono profundo, e isso não nos torna seres humanos mais sábios ou melhores, nem nos livra de uma vez por todas do sofrimento, apenas nos oferece um descanso necessário para que no outro dia possamos continuar nossa interação com o mundo.
No contexto de yoga, nirodha significa o comando sobre a mente, a capacidade de interagir conscientemente com um objeto sem que padrões mecânicos de pensamento e conduta interfiram demais nesta interação. Só assim é possível um conhecimento adequado do objeto, por meio do qual as melhores escolhas com relação a ele serão feitas, e o sofrimento será amplamente atenuado.
‘Parar de pensar’ é algo que está tão distante da prática de yoga quanto ‘perder dinheiro’ está distante da prática dos ambiciosos e competentes investidores do mercado de ações. Lembro-me de certa vez ter sido seriamente indagado por uma aluna acerca da contradição de eu ser, ao mesmo tempo, praticante de yoga e estudante de filosofia na universidade. Expliquei a ela que yoga é pensar no sentido estrito do termo, isto é, a habilidade de olhar para um objeto e entendê-lo como ele de fato é e se mostra, sem estar preso àquilo que impede todo o pensamento verdadeiro – as memórias, preconceitos e emoções passadas que, projetados inadvertidamente no objeto, impedem que ele se mostre na sua natureza.
Seria fantástico se a mente humana estivesse sempre passivamente disponível como um instrumento obediente, que acata todas as nossas decisões e pensa somente aquilo que queremos e que é benéfico para nós. Entretanto, não é assim que ela funciona. A mente tem um “defeito” irreparável: ela “pensa” por si mesma, automaticamente, sem pedir nossa permissão. Não é exatamente por isso que de repente, sem que saibamos exatamente o porquê, tornamo-nos tristes, temerosos ou irritados? E não somos tomados por essas emoções desde o nada; existem pensamentos não-deliberados, ainda que fora do escopo da nossa consciência, que nos fazem sentir assim.
As diferentes práticas de yoga podem ser vistas como maneiras de, aos poucos, o praticante ir tomando posse de sua própria mente à medida em que ocupa o terreno mental usualmente tomado por pensamentos não-deliberados. Quando, na prática de asanas, a pessoa é instruída a fazer diferentes movimentos em sincronia com a inspiração ou exalação, ela está usando a mente de maneira deliberada. Ela está se apropriando de sua própria mente. Igualmente, na prática de pranayama a pessoa está inspirando, retendo a respiração e exalando conscientemente, ficando assim em poder da sua mente, já que não é realmente possível regular a respiração com uma mente dispersa. Depois de asana e pranayama a pessoa está, segundo o que Patañjali nos diz no segundo capítulo dos Sutras, qualificada para a concentração, dharana, justamente porque ela tem então a mente nas suas mãos, disponível para ser aplicada em algum objeto de meditação.
Disto já se depreende que o propósito da prática de asanas não é ser um exercício físico, ainda que o corpo acabe se exercitando necessariamente na prática de asanas e colha disto frutos desejáveis. De fato, outro erro bastante frequente entre os praticantes é a crença de que asana serve para deixar o corpo saudável, mas este não é o objetivo primário dos asanas, se é que queremos entender asana como yoga, isto é, como citta-vrtti-nirodha.
Yoga é ser de fato um ente consciente. Quando há yoga, diz Patañjali no terceiro sutra do primeiro capítulo, estamos estabelecidos na nossa natureza de sermos os observadores de tudo, capazes de reflexão verdadeira e ação deliberada. Quando não há yoga, diz o sutra seguinte, somos tomados pelos padrões reativos da mente e, apesar de continuarmos sendo seres conscientes – conscientes da própria atividade mental – tornamo-nos escravos dos impulsos dela.
Esse texto foi escrito por Luciano Giorgio e extraído do site satsangaonline.com.br de Jonas Masseti.
Eis o que gostaria de dizer sem precisar acrescentar nada :). Muito grata! Glaucia Cantergiani

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Felicidade - Uma Mente em Paz

Extraído das palestras de Swami Chinmayananda a partir Vidya Mandir

"Quando buscamos a felicidade fora de nós, a beleza sutil do que há dentro de nós é facilmente negligenciada".


Sri Swami Chinmayananda


O universo contém vida. Não importa se aquela energia animada que chamamos vida esteja numa planta, num animal ou numa pessoa; ela é a mesma. Todas as coisas vivas têm, pelo menos, uma coisa em comum: a centelha de energia que a fazem existir, sem a qual elas seriam apenas matéria inerte. Essa centelha de vida transforma a matéria inerte em coisas vivas e sensíveis.

Essa força de vida se expressa nos humanos através das percepções e ações do corpo físico, dos sentimentos ou emoções e dos pensamentos no intelecto. Sem vida, nós não vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos, provamos, pensamos ou agimos. Mas quando temos vida dentro de nós, temos uma idéia (um pensamento) que se transforma em desejo (um sentimento) dentro de nós e então passamos a fazer as ações necessárias para satisfazer aquele desejo.

Os impulsos para a ação

Todas as nossas ações diárias parecem sair de dois impulsos básicos: 1- o desejo de experienciar maior felicidade na vida satisfazendo vários desejos e 2- o desejo de evitar aquelas situações ou circunstâncias que nos trazem sofrimento físico, mental e emocional.

Todos nós procuramos felicidade e tentamos evitar o sofrimento. Ninguém gosta de trabalhar duro para trazer desapontamento, frustração e desespero para sua vida. Nós podemos, então, com segurança, assumir que "a procura de uma existência feliz" é um objetivo comum para os seres humanos.

A vida, então, pode ser vista como uma cadeia contínua de eventos, bons e maus, desde o nascimento até a morte. Cada um de nós está tentando criar o maior número possível de elos, de experiências que sejam prazerosas e satisfatórias dentro dessa cadeia. No entanto, cada um realiza essa tarefa de maneira diferente, de acordo como o que parece ser o mais agradável e apropriado naquele momento. Nós nos movemos ao longo dessa cadeia em direção às circunstâncias perfeitas, nas quais seremos completamente felizes e seguros. Mas, na maior parte das vezes, vemos que, quando achamos que conseguimos manipular nossas vidas até bem perto de nossos sonhos, nossas necessidades mudaram. Nossos desejos antigos e conceitos de felicidade foram ultrapassados, da mesma maneira que os brinquedos antigos de uma criança ficam ultrapassados.

Comumente descobrimos que nossa busca externa pela felicidade permanente, além de ser infrutífera, pode até ser fonte de descontentamento em nossas vidas; estamos sempre vivendo a ansiedade da antecipação, a ruptura e a fadiga da busca, a insatisfação com que conseguimos (se e quando conseguimos), o medo de perder uma vez conquistado, e a dor atrelada à perda verdadeira que deve inevitavelmente ocorrer (já que, quando morrer, você não poderá levar consigo aquilo que conseguiu).

Se conseguirmos ver que a felicidade permanente não está, necessariamente, num conjunto de circunstâncias ou objetos materiais, então, deveremos procurar em outro lugar.

A felicidade e a mente quieta

Se pararmos um instante e perguntarmos: "Qual é o fator comum para todos os nossos momentos felizes em nossas vidas?", descobrimos que é uma mente quieta, o que quer dizer uma mente completamente satisfeita e plena com a experiência daquele momento. Tal mente não está dispersa, procurando por algo mais; ela está satisfeita, apreciando o momento presente e as circunstâncias correntes. A felicidade equipara-se a uma mente quieta. O contentamento anda de mãos dadas com a paz mental. Pense: nesse mesmo instante em que experienciamos felicidade, não estamos conscientes da dor em nossos corpos, nossas emoções não estão ferozes e tempestuosas e nossas mentes não estão fervendo com idéias intelectuais. Não nos sentimos compelidos por desejos; estamos satisfeitos para apreciar a experiência do momento.

Esse fato não significa que precisamos ser inativos para usufruir da felicidade. Ao contrário, essa experiência de completude, felicidade e satisfação está disponível para nós entre as mais dinâmicas aventuras e empreitadas. A felicidade, portanto, parece ser uma experiência puramente subjetiva ou pessoal, como com qualquer casal - em que um seja fumante e o outro não fumante - poderia testemunhar. O que é prazer para um é sofrimento para o outro. O traço comum na felicidade de cada um parece ser um estado da mente que inclui, pelo menos, um contentamento passageiro, com relação à situação e circunstância do momento presente.

A felicidade equipara-se a uma mente quieta, uma mente disponível para experienciar de maneira completa o momento presente, sem ficar vagando entre os "queria", "devia" e "poderia". Felicidade é a qualidade do entendimento completo e a apreciação das circunstâncias da vida no momento presente, enquanto elas estão em frente a você, e a experiência de satisfação no presente, quer as circunstâncias se encaixem nas suas expectativas e desejos ou não. É saber a verdade que a vida no momento presente é do jeito que é, e que a satisfação com a vida não é dependente de circunstâncias externas. Apesar das gratificações sensoriais poderem oferecer momentos passageiros de prazer, a satisfação é uma experiência que vem de dentro e na busca externa pela felicidade, essa sutil beleza interna é facilmente negligenciada.

Considere a experiência de perder um molho de chaves. Procuramos freneticamente por elas pela casa inteira. Quanto mais procuramos, mais agitados ficamos; e quanto mais agitados ficamos, mais perdemos nosso equilíbrio e discriminação racional e nossa mente começa a ficar sem controle.

"Oh! Vou me atrasar!"

"Oh! Não vai dar para...."

"Oh! Vou ter que chamar..." etc., etc.

E então, quando damos uma parada para respirar, vemos que as chaves estavam no nosso bolso o tempo todo.

Da mesma forma, quando paramos de buscar a felicidade do lado de fora (correndo atrás de objetos materiais que achamos que nos farão felizes), descobrimos o potencial de felicidade dentro de nós. Começamos a ver beleza e propósito em volta de nós. Vemos tudo de uma nova perspectiva. Aprendemos a ver o lado bom de nossa situação, qualquer que seja, e usufruir do que temos "aqui e agora" em vez de constantemente estarmos insatisfeitos e querendo que a vida seja diferente - que ela seja mais, menos ou simplesmente diferente. Se alguém nos oferece meia maçã, não ficamos desapontados pela parte que está faltando, mas gratos pela metade que conseguimos.

Lógica e experiência nos dizem que nunca poderemos encontrar felicidade permanente no mundo exterior a menos que a encontremos primeiro em nós. Todos sabemos, pela experiência, que quando sorrimos para o mundo, o mundo nos sorri de volta e que, se procurarmos por problemas , eles virão. Conforme a mente, assim será o mundo. Se estamos cheios de amor, felicidade e satisfação, o mundo refletirá essa harmonia.

Vidya Mandir: Felicidade - uma mente em paz: FELICIDADE - UMA MENTE EM PAZ Extraído das palestras de Swami Chinmayananda

domingo, 7 de dezembro de 2014

Mensagem Para a Semana

"O único trabalho que a espiritualidade purifica é aquele realizado sem motivações pessoais, sem desejo por fama ou reconhecimento público ou engrandecimento, sem a insistência das motivações mentais da própria pessoa, ou desejos e demandas vitais, ou preferências físicas, sem vaidade ou arrogância, ou busca por posição ou prestígio. O único trabalho que purifica é aquele realizado tendo como causa a Força Maior exclusivamente e sob o comando da Força Maior. Todo trabalho realizado no espírito egoístico, embora bom para as pessoas no mundo da ignorância, não tem valor para o buscador do Yoga."

 

Sri Aurobindo


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Respiração - Yoga Journal

Respire

Seis meses para explorar e descobrir o pranayama, prática que traz um novo mundo de calma e estabilidade

Um praticante recém-chegado ao mundo das posturas do Hatha Yoga provavelmente se surpreende ao saber que a maioria dos mes­tres dá mais importância à respiração do que à forma física dos asa­nas, e que existem aulas para aprender a respirar. A gente já inspira e expira naturalmente. O que tem de difícil nisso?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Os Mantras e o Sagrado Mantra OM

   
   Embora no ocidente já tenhamos absorvido a ideia de que todo tipo de cântico é mantra, na realidade, mantra é o nome dado aos versos dos Vedas. Um mantra é, literalmente, "aquilo que protege a mente". Como parte dos Vedas, sua principal finalidade não é a musicalidade mas a transmissão de uma informação, de um ensinamento. A estrutura dos mantras é muito rígida a fim de proteger a informação nele contida, de forma a garantir que duas pessoas que não se conheçam cantem o mesmo mantra de forma idêntica. Para isso, é imprescindível a presença de um professor que domine essas regras e esteja na tradição do Ensinamento. Os mantras vêm sendo transmitidos oralmente desde milhares de anos até os dias de hoje.
   É dito que todo mantra carrega em si um poder que é ativado pela repetição apropriada. Esse poder não está no entendimento do significado do mantra, nem na visualização de alguma imagem; o poder está contido no próprio som dos mantras, uma vez que devem ser cantados rigorosamente na métrica correta, facilitando a absorção da mente no canto e contribuindo para uma mente meditativa.
   Quando cantamos os mantras sem preocupação com a métrica correta, eles não só mudam o objetivo como recebem novas nomenclaturas (slokam, stotram, kirtanam, bhajanam).

   
   OM, em sânscrito, é a sílaba sagrada. É o mais importante de todos os mantras, pois é o símbolo da divindade suprema, o som primordial através do qual o amor de Deus vibra no coração dos seres humanos. É uma invocação, uma bênção, uma afirmação. Ele guarda em potencial todos os mantras dos Vedas, pois guarda em potencial todo o Veda com todo o conhecimento contido nele.
 O Om é formado pelas letras A, U e M, entretanto, segundo a rígida regra gramatical do sânscrito, ao unirmos A e U obtemos a letra O. Por isso escrevemos e pronunciamos OM, e não AUM. A letra A representa o início, a Criação, por isso está associada à Brahman (o Absoluto); a letra U representa o meio, a manutenção, por isso está associada à Vishnu (o aspecto divino da sustentação); a letra M representa o final, o ato de dissolver e destruir, por isso está associada à Shiva (os aspecto divino da transformação). 
  As três letras que formam o Om também simbolizam os três gunas (sattva, rajas e tamas - conhecimento, ação e inércia respectivamente), que são qualidades fundamentais inerentes a tudo que há na natureza, e que, combinadas entre si, constituem todo o Universo. Além disso, também representam os três períodos de tempo (passado, presente e futuro), os três corpos do Absoluto (universo físico, sutil e causal), os três Vedas (Rg, Sáma e Yajur Veda) e muitos outros aspectos do simbolismo védico em número três.
   Todo mantra tem início com o Om. O próprio Veda tem como primeira sílaba o Om. Por essa razão, porque Om carrega todo o conhecimento, quando se começa algo novo, seja uma aula ou algo importante a se fazer, tradicionalmente se diz: OM!

Shanti Om: Significa Paz

Namaste: Significa “O Deus que está mim, reconhece o Deus que está em ti, e diante desse Deus e Sua Luz eu me reclino.”