OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Mensagem Para o Fim de Semana

Espiritualidade


"É um equívoco acreditar que a jornada espiritual é difícil. Ela é bonita. Qualquer pessoa que trabalha em si vai desfrutar do benefício da mudança. É como se exercitar. Não é difícil, só vai tornar minha vida melhor. A espiritualidade é como um modo de vida. Pegue algo pequeno como acordar as crianças. Deveria ser duro tirá-las da cama? Ou, eu posso fazer isso de uma maneira diferente? Isso é espiritualidade. Não é nada separado de viver. Simplesmente, consiste em fazer tudo o que eu estou fazendo hoje, mas cuidando de como eu sou por dentro ao fazê-lo. Fique feliz, seja fácil, seja contente e, então, faça tudo."

Brahma Kumaris

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Uma Mensagem...





“As histórias únicas criam os estereótipos, e o problema do estereótipo não é que ele seja uma mentira, mas sim incompleto. Eles fazem com que uma história torne-se a ÚNICA história. A consequência da única historia é que ela rouba de um povo sua dignidade. Torna difícil o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada. Enfatiza como somos diferentes ao invés de como somos semelhantes.
Quando tomamos consciência de que nunca há uma única história sobre qualquer lugar, nós retomamos uma espécie de paraíso.”


Chimamanda Adichie

TRANSFORMAÇÃO: Uma Questão de Valores

“Todos conhecem o caminho, mas muito poucos o seguem" (Buddha). 


Durante nossa vida, e principalmente na infância, amigos, pais, professores, nos ensinam como devemos ser, muitas vezes nos "educam" com "mandamentos" que eles próprios têm dificuldades de cumprir. O que esquecem é que ensinar, e educar, é uma questão de agir com coerência. A criança observa preciosamente o que seus pais fazem e acaba repetindo essas atitudes, ainda que o discurso seja diferente. E se nos observarmos em nosso dia-a-dia perceberemos como é fácil se perder no alinhamento entre pensamento-discurso-ação. Quantas vezes dizemos que devemos aceitar o outro como ele é e, em seguida, criticamos e julgamos as atitudes dos nossos pais, cônjuges, filhos, etc. 
É difícil aplicar a coerência entre o pensamento, a fala e as ações em nossas vidas, mas não é impossível. O apego aos padrões automatizados é intenso, vivemos numa sociedade que se julga culpada e pecadora há anos e recebemos lições sociais diárias que nos mostram que esperto é quem pega o seu pedaço do bolo primeiro. Viver no "piloto automático" pode ser uma opção, todos temos direito a isso, mas ter as rédeas da nossa vida nas mãos nos dá a condição de construirmos algo que esteja em harmonia com nossa Essência, nos permite saber quem somos de fato, o que realmente queremos, onde queremos chegar. Quando chegamos neste ponto de autoconhecimento e busca interna, sentimos a necessidade de transformar padrões e realizar mudanças e, aí, nos deparamos com a importância de estabelecermos os valores éticos universais. 
O que é um valor? Podemos defini-lo com uma norma de conduta originada na maneira pela qual eu desejo que os outros me vejam ou me tratem. O que eu desejo dos outros deve tornar-se meu padrão de comportamento, meu comportamento adequado. Em sânscrito, um comportamento adequado também é o significado do tão conhecido termo dharma. Portanto, se eu quero que falem-me a verdade, falar a verdade é dharma para mim. Dessa forma, as normas éticas não são regras arbitrárias criadas pelos homens; elas são o fruto de uma consideração inerente ao seu próprio interesse e conforto. E esses valores éticos podem sofrer algumas variações culturais, mas, basicamente, possuem uma certa universalidade. Entretanto, por serem universais não significa que sejam absolutos. De acordo com as diferentes situações, muitas vezes, precisarei relativizar meus valores apesar de manter seu conteúdo universal.
Amparado na visão dos ensinamentos védicos, swami Dayananda nos mostra a importância de apreciarmos cada valor ético universal, além de adquirirmos nossos valores de forma pessoal e completa. O valor que fala da coerência é arjavam. Arjavam significa retidão, e, ao representar um valor ético universal, a palavra assume um significado mais amplo, sendo a conduta de uma pessoa de acordo seus padrões éticos. É a coerência entre os pensamentos, as palavras e os atos. Isso é possível para aquele que é autêntico, que se aceita como é, que reconhece tanto as suas limitações quanto as suas habilidades. Podemos considerar este valor como uma extensão de satya (falar a verdade), porém arjavam é ainda mais abrangente, pois inclui não apenas a linguagem mas também os pensamentos e as ações.
O não-alinhamento entre pensamentos, palavras e ações resulta numa pessoa dividida, desintegrada, não inteira. Quando satisfazemos um objetivo imediato às custas do valor universal, podemos obter um conforto passageiro, mas a longo prazo haverá o desconforto gerado primeiro pelo conflito, depois pelo aumento do acúmulo de culpas inevitável. Os conflitos aparecem quando somos incapazes de viver de acordo com um determinado valor aceito por nós, consciente ou inconscientemente.
O conteúdo universal dos valores só pode ser descartado se não houver na pessoa qualquer preocupação pela forma como os outros a tratam. Ao desejarmos que uma pessoa se comporte de determinada maneira, estamos invariavelmente presos a um sistema de valores.
Para que realmente possamos educar e transmitir os valores universais às pessoas que nos cercam, precisamos ter esse alinhamento como um valor assimilado. Um valor é assimilado quando a pessoa o segue naturalmente. No caso de satya (falar a verdade), inicialmente, a mente tem que deliberar para falar a verdade, porque agir assim talvez envolva algum sacrifício. Mas quando o valor é seguido constantemente e o valor pela paz da mente resultante dessa atitude é apreciado, falar a verdade torna-se natural. Então, a pessoa só consegue falar a verdade. Assim, deixa de ser mais um valor e torna-se sua própria natureza. Todos os valores deveriam ser assimilados dessa maneira. 
Expandindo ainda mais nossa visão sobre o papel dos valores éticos na busca do autoconhecimento que gera as mudanças, podemos acrescentar outra ótica da mesma abordagem através das seguintes palavras do swami acerca das escrituras sagradas do Vedanta:
“Todas as escrituras recomendam valores para serem seguidos como sadhana; são qualidades a serem adquiridas. Quando se analisa um valor qualquer, verifica-se que ele leva a um valor: gerar uma mente tranquila e manter a pessoa consigo mesma. Quando isso é compreendido, a importância ou a necessidade de seguir valores pode ser apreciada. Senão os valores permanecem apenas como mandamentos, como “faça e não faça”. O problema principal que as pessoas têm com os valores é que elas os aceitam sem descobrir o valor deles. Um pai adverte a filha para falar a verdade. A criança aceita a ordem devido ao amor e ao respeito que tem pelo pai, mas não entende porque ela deve dizer a verdade e não dizer uma não-verdade.O pai não levou a filha a descobrir o valor de dizer a verdade; sua importância na vida não foi explicada. Isso permanece em sua mente como um valor não assimilado que não poderá ser relacionado na vida do dia a dia. O valor de dizer a verdade é de novo confirmado por professores e pes­soas mais velhas, mas a sua relevância para a vida nunca vem a ser compreendida pela criança.
Quando cresce, a criança adquire um valor pelo dinheiro e pelo poder. Falar a verdade permanece apenas como uma obrigação imposta por seu pai e seus professores, e então isso não tem valor para ela. Mas, ganhar dinheiro tem um valor, porque, evidentemente, dinheiro é necessário para viver, para obter prazeres e segurança. O mesmo se pode dizer com relação a obter poder. Os benefícios de adquirir dinheiro e poder são evidentes, as pessoas desenvolvem então um valor por eles. Esses valores são assimilados, não são valores resultantes de obrigações. Se para obter dinheiro e poder for preciso dizer uma não-verdade, a pessoa a dirá, porque dinheiro e poder são considerados importantes, enquanto a verdade não o é. Seu valor não foi descoberto. Falar a verdade é praticado apenas como uma obrigação para com o pai, o professor ou a sociedade, enquanto os valores por dinheiro e poder são assimilados, valores pessoais. Que chance possui o falar a verdade quando as coisas importantes na vida são dinheiro, poder, amigos e influência sobre as pessoas. Falar a verdade é praticado apenas enquanto for conveniente, enquanto não constituir obstáculo para a consecução de outros objetivos. Assim, os valores por certas coisas, como dinheiro, têm sempre a última palavra. Valores como falar a verdade sempre são sacrificados. A conveniência, não a verdade, torna-se a norma reguladora.
Valores não assimilados criam conflitos e um sentimento de culpa. A fim de assimilar valores, é preciso compreender o valor dos valores. Um valor é um valor apenas quando o valor dos valores é valorado. Uma mente simples, tranquila é a coisa mais valiosa, porque é isso que a pessoa está tentando obter através de todos os empenhos na vida. Os valores que ensejam a aquisição desse estado mental deveriam ser os mais valiosos. Assim, se o valor de falar a verdade é descoberto como sendo maior ou pelo menos igual a ganhar dinheiro, a verdade não ficará comprometida por causa do dinheiro. Além do mais, o dinheiro é para benefício de mim mesmo, não para o dele próprio. Se, então, o dinheiro não me trouxer felicidade e conforto, eu, certamente, renunciarei a ele."
Para tomarmos posse do nosso próprio poder, e isso não implica sermos maiores nem menores do que ninguém mas sim ter nosso espaço sagrado preservado, é preciso vivermos nosso melhor potencial, nossas melhores possibilidades, sem termos que ser um outro alguém nem nos deixarmos escolher vivenciar atitudes que reforçam nossas fraquezas. É preciso nos aceitarmos como somos, mantendo a coerência como a base das nossas ações para atingirmos as mudanças que desejamos realizar em nossas vidas, e alcançarmos o desejado estado de equilíbrio.

"É preciso aprender que cada valor tem como alvo o mesmo objetivo - alcançar uma mente tranquila - nenhum valor pode ser seguido como um valor isolado. Não é possível que alguém diga a verdade e seja ao mesmo tempo pretensioso. Ninguém pode praticar a não-agressão sem ser tolerante. Todos os valores estão inter-relacionados. De fato, eles constituem apenas um único valor - o valor por uma mente simples, tranquila - visto sob diferentes pontos de vista. Todo valor leva a pessoa a ficar consigo mesma. A vida torna-se simples. Uma mente que usufrui de valores assimilados é uma mente pura. Essa mente será capaz de apreciar o fato de que é ananda, quando isto lhe for revelado ou mostrado. Essa pessoa está qualificada para aprender e apreciar o autoconhecimento", diz swami Dayananda em seu texto Valores: Diretrizes Para a Ação.

Glaucia Cantergiani

sexta-feira, 4 de abril de 2014



SAWABONA


Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas… que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade.

Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente:

“Eu sou bom”
Sawabona Shikoba!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
“EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PARA MIM"

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é:
"ENTÃO EU EXISTO PRA VOCÊ"

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Quando a Ciência se Aproxima da Espiritualidade!

“Anestesiamos a vulnerabilidade. Vivemos num mundo vulnerável, mas a forma como lidamos com isso é anestesiar a vulnerabilidade; porque  a vulnerabilidade é o centro da vergonha e do medo, e da nossa luta por merecimento. Mas, parece que também é a origem da alegria, da criatividade, do pertencimento, do amor. Você não pode seletivamente anestesiar emoções. Não é possível dizer: aqui está a parte ruim, aqui está a dor, aqui está a vergonha, aqui está o medo, aqui está o desapontamento e eu não quero sentir isso, então, vou tomar umas cervejas... Você não consegue anestesiar esses sentimentos pesados sem anestesiar os outros sentimentos, nossas boas emoções. Você não pode anestesiar seletivamente. Assim, quando anestesiamos os sentimentos não desejados, anestesiamos também a alegria, a gratidão, a felicidade. E ficamos infelizes, procurando por propósito e sentido, e nos sentimos vulneráveis, e tomamos uma cerveja... E isso se torna um ciclo perigoso.

O jeito é nos deixarmos ser vistos, vistos profundamente, vistos vulneravelmente, amar com todo o coração mesmo que não haja garantia, praticar gratidão e alegria, e acreditarmos que somos suficientes, pois quando despertamos o sentimento de “sou suficiente”, paramos de gritar e começamos a escutar, somos mais bondosos e gentis com as pessoas ao nosso redor e conosco.”
Brene Brown



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Educação: A visão de Sri Aurobindo, formulada em termos prático-vivencias por Mira Alfassa, A Mãe!


Foto: Love you Maa 
"A princípio, amamos apenas quando somos amados. A seguir, amamos espontaneamente, mas queremos ser amados em troca. Mais tarde, amamos mesmo se não somos amados, mas ainda assim queremos que nosso amor seja aceito. E, finalmente, amamos pura e simplesmente, sem nenhuma outra necessidade ou alegria que a de amar." 
A Mãe
Segundo a Mãe, a Educação deveria abranger os cinco principais componentes do ser humano: o físico, o vital, o mental, o psíquico e o espiritual. A educação integral visaria "a realização simultânea de dois movimentos interligados: de um lado, o ajudar o ser a encontrar sua lei de crescimento característica e missão central e caminho, e crescer em conformidade com eles; junto com isso fazê-lo ver e com força sentir a unidade que tudo forma e como cada um de nós, integrando esta unidade, é um de seus múltiplos elementos, minúsculo em relação à imensidade do Todo e, no entanto, indispensável para seu existir..." (Rolf Gelewski, 1977).

Os Três Princípios Educacionais de Sri Aurobindo:

Primeiro Princípio: Nada pode ser ensinado. O professor não é um instrutor ou um mestre de tarefas, ele é alguém que ajuda e guia.

Segundo Princípio: A mente tem que ser consultada em seu próprio crescimento.

Terceiro Princípio: Trabalhar a partir do que está perto para o que está distante, a partir do que é para o que deve ser.

“O primeiro princípio do ensinar verdadeiro é que nada pode ser ensinado. O professor não é um instrutor ou um mestre de tarefas, ele é alguém que ajuda e guia. Sua tarefa é sugerir e não impor. Ele, no fundo, não treina a mente do aluno, apenas lhe mostra como aperfeiçoar seus instrumentos de conhecimento, e o ajuda e encoraja no processo. Ele não lhe transmite conhecimento, ele lhe mostra como adquirir conhecimento por si mesmo. Ele não faz aparecer o conhecimento que está dentro, apenas lhe mostra onde se situa e como se pode habituá-lo a subir à superfície. A distinção que reserva este princípio ao ensino das mentes adolescentes e adultas e nega sua aplicação à criança, é uma doutrina conservadora e não inteligente. Criança ou homem, menino ou menina, há somente um princípio sadio de bom ensino. A diferença de idade serve apenas para diminuir ou aumentar a quantidade de ajuda e guiança necessárias; não muda sua natureza.”

“O segundo princípio é que a mente tem que ser consultada em seu próprio crescimento. A idéia de martelar a criança até ela chegar a forma desejada pelo pai ou pelo professor é uma superstição bárbara e ignorante. É ela própria que deve ser levada a expandir-se de acordo com sua própria natureza. Não pode haver erro maior do que o pai estabelecer de antemão que seu filho deve desenvolver qualidades, capacidades, idéias, virtudes particulares, ou ser preparado para uma carreira preestabelecida. Forçar a natureza a abandonar seu próprio dharma é causar-lhe um mal permanente, mutilar seu crescimento e desfigurar sua perfeição. É uma tirania egoística sobre uma alma humana e um ferimento à nação, que perde o benefício do melhor que um homem poderia ter dado a ela, e em vez disto é forçada a aceitar algo imperfeito e artificial, de segunda mão, padronizado e comum. Cada um tem em si algo divino, algo bem seu, uma chance de perfeição e força em uma esfera por menor que seja, que Deus oferece a ele para pegar ou recusar. A tarefa é encontrar isto e desenvolvê-lo e usá-lo. O objetivo principal da educação deveria ser ajudar a alma em crescimento a extrair de si o melhor e torná-lo perfeito para um uso nobre.”

“O terceiro princípio da educação é trabalhar a partir do que está perto para o que está distante, a partir do que é para o que deve ser. A base da natureza de um homem é quase sempre, em acréscimo ao passado de sua alma, sua hereditariedade, seu ambiente, sua nacionalidade, seu país, o solo do qual ele tira sustento, o ar que ele respira, as paisagens, os sons, os hábitos a que ele está acostumado. Apesar de insensivelmente, eles não o moldam menos poderosamente, e é disto, pois, que temos que começar. Não devemos arrancar a natureza pelas raízes da terra em que ela deve crescer, ou rodear a mente com imagens e idéias de uma vida que é estranha a esta em que ela deve fisicamente se mover. Se alguma coisa tem que ser introduzida de fora, ela deve ser oferecida, e não forçada sobre a mente. Um crescimento livre e natural é a condição do desenvolvimento genuíno. Existem almas que naturalmente se revoltam contra seu ambiente e parecem pertencer a outra idade e clima. Que elas sejam livres para seguir sua inclinação; mas a maioria enfraquece, torna-se vazia, torna-se artificial, se artificialmente adaptada ao molde de uma forma estranha. É o arranjo de Deus que elas pertençam a uma nação, época, sociedade particulares, que elas sejam crianças do passado, possuidoras do presente, criadoras do futuro. O passado é nossa base, o presente nosso material, e o futuro é nosso objetivo e cume.”

sábado, 23 de novembro de 2013

Quando Todas as Frentes de Busca pelo Autoconhecimento Estão Embasadas na Verdade e Boa Fé, Falam a Mesma Língua!


sexta-feira, 13 de setembro de 2013




EDUCACÃO INTEGRAL - Os três princípios do verdadeiro ensino

"O primeiro princípio da doutrina verdadeira é que nada pode ser ensinado. O professor não é um instrutor ou mestre-tarefa, ele é um auxiliar e um guia. Seu negócio é sugerir e não impor.

" O segundo princípio é que a mente tem de ser consultada em seu próprio crescimento. A idéia de martelar na criança a forma desejada pelo pai ou professor é uma superstição bárbara e ignorante. É ele mesmo quem deve escolher e expandir de acordo com sua própria natureza.

"O terceiro princípio da educação é trabalhar a partir do próximo ao distante, do que é para o que deve ser. A base da natureza de um homem é quase sempre, além do passado de sua alma, sua hereditariedade, seu entorno, sua nacionalidade, seu país, o solo do qual ele tira o sustento, o ar que ele respira, as visões, sons, hábitos para qual ele está acostumado. Se alguma coisa tem que ser trazido de fora, ele deve ser oferecido, não forçada na mente.

Um crescimento livre e natural é a condição de verdadeiro desenvolvimento.

Sri Aurobindo em 'A Mente Humana "

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O que é Dharma-Karma-Karma Yoga?


A palavra dharma tem origem na raiz dhr, do sânscrito, e possui vários significados: existir, viver, continuar, segurar, suportar, sustentar. Sendo assim, vem sendo utilizada em seus vários sentidos tendo em vista as várias traduções utilizadas, sendo as mais comuns: retidão, virtude, dever. Num sentido mais amplo, dharma significa a natureza ou caráter de um ser ou objeto inanimado, por isso, podemos falar que plantas, animais, etc., possuem seu dharma. Por exemplo: o dharma de uma vaca é dar leite e pastar (não inclui espreitar e matar presas), do fogo é gerar calor e luz, e assim por diante.
Seguindo esta ótica, segundo a visão dos Vedas, a natureza do ser humano é a plenitude absoluta. Entretanto, em relação ao indivíduo, o dharma pode ter diferentes nuances de significado, uma vez que o indivíduo ainda não reconheceu sua própria plenitude.
O conceito mais evidente de dharma é a ética que regula os desejos do indivíduo que busca o autoconhecimento. Os desejos de riqueza, segurança e prazeres sensoriais são comuns a todos os seres vivos. Nos animais, a busca desses desejos é governada pelo instinto. Quanto ao ser humano, cada um tem a opção de agir em harmonia com sua natureza em relação aos outros indivíduos numa sociedade, ou pode não fazê-lo (livre arbítrio). Sendo assim, não são os instintos, mas os valores que governam a busca por artha e kama (desejos e prazeres) no ser humano. O que dá fim a todos os desejos e objetivos é mokṣa (a liberação, que é o reconhecimento da própria natureza como plenitude). Até que se alcance essa plenitude, as leis do dharma funcionam com linhas de ação que norteiam a nossa vida. Importante lembrar que cada indivíduo deve ter um conjunto de linhas de conduta que governe seus valores, já que os valores são sujeitos a variações e mudanças. Esse conjunto é a ética, também chamado de Dharma. Então, dharma inclui uma ética no bom senso necessário na escolha das nossas ações e a consciência de que todas as nossas ações geram resultados, seja nesta ou noutra existência.
Nos Vedas, as consequências de nossas ações chamam-se punyam e papam, que significam mérito e demérito respectivamente. As ações que tomamos na vida e que geram punyam-papam são o que chamamos de karma. Se damos valor às nossas ações, prestando atenção a elas, seguindo o dharma, podemos dizer que levamos uma vida de karma yogi!

Yoga
Antes de entrarmos no conceito de karma yoga, vamos dar uma pincelada no conceito de yoga e de karma. Atualmente, existem alguns enganos no uso do termo YOGA, pois alguns autores classificam o yoga subdividindo-o em tipos de yoga, por exemplo, bhakti yoga (yoga devocional), jñana yoga (yoga do conhecimento), dhyana yoga (as meditações do yoga), karma yoga (yoga da ação, como é traduzido comumente), hatha yoga, sistema de Patañjali, etc. Entretanto, esses, entre muitos outros, são sistemas ou caminhos do Yoga que vão se adequar ao temperamento de cada indivíduo, são simplesmente atividades que compõem o YOGA. Tudo é o mesmo yoga. Yoga é o estilo de vida baseado no ensinamento védico cujo objetivo é o autoconhecimento, compreendermos nossa verdadeira natureza, nossa relação com o Criador e a Criação.
Outro engano comum é com relação aos estilos de prática de posturas do Hatha Yoga (a parte física do yoga). A diferença no estilo ou método de prática dos āsānas e prānāyāmas dá a impressão de que há vários Yogas, mas Iyengar, Ashtanga, Vinyasa, etc., são apenas estilos diferentes de praticar as mesmas posturas, que também vão se adequar ao temperamento de cada um. Ou seja, é tudo Hatha Yoga.
Yoga é um conjunto de técnicas que visam o equilíbrio do individuo para que ele possa descobrir-se como ser completo. E a descoberta desse ser completo, adequado em si mesmo, que não depende de situações para ser feliz, é o objetivo dos Vedas.

Karma

Quanto ao termo karma, a palavra sozinha significa ação. No sentido pleno, são ações que fazemos na vida. Mas, há outra abordagem de karma que, segundo a tradição védica, relaciona-se com a posição em que nos encontramos agora na sociedade. Segundo os Vedas, há três tipos de karma:
1.     São situações potenciais que poderemos viver, como sementes em depósito aguardando a hora de germinar e que só germinarão se encontrarem solo fértil. Nesse tipo de karma, nós podemos agir para neutralizar o poder germinativo desses acontecimentos, ou seja, mudar ou evitar aquilo que estaria para acontecer. Para isso, é necessário o autoconhecimento!
2.     É o que estamos vivendo agora, o que costumamos chamar de destino, o que foi escrito e condiciona nossa vida atual como: tipo físico, condições psicológicas, biológicas, sociais, etc. Chama-se prarabdha karma. Portanto, são as experiências que temos que viver, na forma de oportunidades, a fim de ultrapassarmos nossas dificuldades. Dessa forma, as situações se repetem na vida da pessoa até que ela esteja preparada para a situação, neste momento, ela não precisará mais viver a experiência porque já ultrapassou a dificuldade.
3.     O karma que está sendo criado agora, por isso temos plena administração sobre ele. É o nosso livre arbítrio relacionado com nossas ações, palavras e pensamentos nesta vida de onde poderemos colher frutos ou urtigas. Para isso, é necessário o autoconhecimento!

Karma Yoga

A partir desses esclarecimentos, podemos voltar ao karma yoga, atitude de yoga. Como vimos acima, Karma yoga não é mais um tipo de yoga nem a ação do trabalho voluntário, apesar desse termo ser usado por alguns para se referir a atividades sem remuneração nos ashrams da Índia ou na sociedade. Na realidade, esse tipo de trabalho chama-se seva. Karma yoga é a maneira como o yogi se comporta diante das ações (karmas) na sua vida.
Na Bhagavad Gītā, a história de Arjuna nos revela que existem dois estilos de vida para o autoconhecimento: a renúncia, em que o renunciante se dedica exclusivamente aos estudos por dom ou temperamento, e o karma Yoga, para os que desejam continuar inseridos na sociedade, porém com a vida direcionada para a busca espiritual. Não é uma questão de repressão ou disciplina rígida, mas a opção de uma vida normal como um meio para autoconhecimento. Sendo assim, na visão védica, a pessoa normal (que não está voltada para o autoconhecimento) faz karma (ações) e a pessoa espiritualizada (que busca o autoconhecimento) faz karma yoga. Assim, o termo yoga está junto de karma apenas para dar esse sentido, de que a ação é Yoga. Vivemos a vida com a atitude centrada nos valores do yoga ao executar nossas ações e com a atitude centrada nesses mesmos valores ao receber o resultado dessas ações. Uma vez que a vida de Yoga passa por aprendermos a viver em harmonia com Deus/Poder Supremo/Força Universal, qualquer ação do nosso dia-a-dia é oferecida à Criação. Esse oferecimento não é para alguém ou algo que esteja fora, que sejamos capazes de deixar zangado ou que tenha um sentimento de falta que caiba a nós preencher. Nesta ótica, Karma yoga consiste em fazer a ação na forma de um oferecimento à Criação, como as que oferecemos a um ente querido, e receber os resultados como vindos da própria Criação de acordo com nossas ações passadas (punyam-papam). Karma yoga é uma atitude na ação que representa uma maturidade no objetivo de vida, onde o autoconhecimento é o foco e a clareza de enxergarmos as limitações das nossas ações vem junto com o entendimento de que o resultado das ações não depende de nós. É dito que qualquer tipo de ação pode produzir quatro tipos de resultados:

Igual à expectativa
Menor que a expectativa
Maior que a expectativa
Totalmente diferente do esperado

Ex.: A pessoa atravessa a rua pra pegar um ônibus e: o ônibus passa bem na hora e ela entra feliz; o ônibus demora a passar e vem lotado; antes do ônibus passar, o colega de trabalho oferece uma carona; ou, a pessoa acordo três dias depois na cama de um hospital porque o ônibus passou rápido demais!
Todos esses resultados são possíveis. Assim, quando cada resultado ou situação surge na nossa vida, aceitamos como uma atitude de reverência de quem está recebendo algo que vem do próprio Criador, não importa se é doce ou amargo, é o que está sendo apresentado naquele momento.
Se tivermos o autoconhecimento como objetivo na vida, toda ação se torna uma possibilidade de crescimento, exatamente o que é preciso ser vivido por nós. Sem canalizarmos nossas expectativas, ficamos a mercê do mundo. Nós somos responsáveis pela ação e a Criação é responsável pelo resultado da ação. Essa maneira de tomar as decisões e encarar as situações na vida é a espinha dorsal do que chamamos de YOGA. O yogi, portanto, é a pessoa que traz karma yoga para a sua vida; karma yoga está embasada nos Vedas, sendo assim, a essência do Yoga está nos Vedas.


KARMA YOGA É A SÁBIA GERÊNCIA SOBRE AS AÇÕES PARA PRODUZIRMOS UMA COLHEITA MELHOR, E ESTA COLHEITA NÃO É GERAR COMPENSAÇÕES NO FUTURO, MAS ALCANÇAR MOKṢHA!

*Texto compilado a partir de textos sobre o assunto de autoria de Glória Arieira, Swami Dayananda e Jonas Masseti.

Swami Dayananda - A Profunda Jornada da Compaixão

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

 O que é yoga? Quem é um yogi? 


Nem todo praticante de ásana é necessariamente um yogi e existem pessoas que nunca praticaram, mas são. Ao que remete esse termo “yogi” e o que é yoga?...clique aqui para ler direto do site Satsanga Online!

sexta-feira, 5 de abril de 2013


O CORPO

UMA RELEITURA DO CORPO FÍSICO VINCULADA À VISÃO DO YOGA
O Corpo Físico é a ferramenta mais acessível para trabalharmos. Quando uma vida se inicia, inicia-se também um novo projeto: o corpo físico. Esse projeto tem como objetivo a construção de espaços e estruturas para manter a pulsação que vai nos possibilitar atividades especializadas, e é já no início da vida humana que se estabelece um poderoso padrão pulsátil entre mãe e bebê. Nos escritos mais recentes sobre a relação das manifestações corporais com os aspectos emocionais do indivíduo, podemos obter a informação de que é a vitalidade do padrão pulsátil, a força e a intensidade das pulsações dos órgãos que dão energia e identidade pessoal ao indivíduo. A verdadeira identidade surge da qualidade da sensação das ondas pulsáteis internas dos músculos lisos dos órgãos.
É através deste veio que este texto pretende passear na vida do corpo humano, observando as implicações físicas oriundas das combinações de sentimentos e sensações provenientes de nossas mentes e suas correlações com a espiritualidade na visão do Tantra Yoga. Sendo assim, podemos tratar o assunto como uma releitura da anatomia humana de forma geral sob a abordagem dos aspectos anatômico-emocionais do corpo humano e suas correlações com o Yoga.
v ANATOMIA – CORRELAÇÕES ENTRE O MATERIAL E O SUTIL
Na anatomia sutil, o corpo físico, ou denso, é chamado de sthῡla śarīra e é composto dos cinco mahabutas: espaço, ar, fogo, água e terra. No processo da Criação, a combinação destes cinco elementos com as três características básicas de toda e qualquer manifestação da Criação, os três gunas (rajas, sattva e tamas), é o que define as diferentes naturezas dos indivíduos. Podemos dizer que o surgimento de uma personalidade humana em um corpo físico é fruto de um número sem fim de combinações entre os cinco elementos sutis com os três gunas (ou qualidades de personalidades), uma vez que cada um dos cinco elementos possui os três gunas.
Mas, o homem intelectual, provido de uma mente capaz de investigar e desenvolver tantos conhecimentos, estabeleceu sua visão científica desse corpo na vida humana. Aqui, pretendo apresentar um pouco desta visão para fazermos uma correlação entre a visão sutil e a visão material de corpo de emoções, histórias e registros inúmeros.
 Os gunas representam a qualidade das nossas ações. São as características de nossa formação sutil que representam os potenciais dos nossos órgãos dos sentidos no corpo grosso. Ou seja, pelo somatório dos elementos a partir do guna tamas o corpo grosso é formado. Para que o corpo grosso funcione, é preciso que a energia sutil, prāṇa, mova as mãos, os pés, o ânus e as genitais a partir do guna rajas. Por sua vez, o guna sattva é que move os órgãos internos, a mente, o intelecto, o ego.
Já o projeto do corpo humano pela visão científica consiste de espaços e estruturas cuja finalidade é manter a pulsação originária da vida humana para que seja possível a realização de atividades especializadas. Sendo assim, no processo inicial de surgimento do corpo físico formam-se as camadas teciduais visíveis (neural, muscular e orgânica) e uma camada hormonal invisível, que são os líquidos que geram e regulam o crescimento, a reprodução, a transmissão de informações, os sentimentos, etc. Através da relação entre essas camadas surgem as experiências diversas como toque, sons, sentidos externos, temperatura, pressão, elasticidade, ritmo, motilidade, etc.
Segundo Stanley Keleman, “o processo somático concerne ao modo como padrões de sentimentos de bem-estar, de estresse e distresse, e de emoção são organizados como tipos específicos de pulsação.” É nos espaços internos do corpo grosso (crânio, tórax, abdomen, pélvis e outros), onde que se acumulam e se movem os líquidos corporais, que encontramos as funções de vida mais profundas (reprodução, purificação da água, transformação de alimentos, etc.). Quando esses espaços internos se tornam densos, entram em colapso ou resistem à pressão, geram uma mudança na qualidade das sensações e pulsações que configuram a nossa identidade. Segundo essa abordagem científica, o metabolismo interno é uma forma de pensamento, um pensamento organísmico, e a forma de pensamento precede as palavras sendo um processo transmitido por tradição genética.
Enquanto isso, na visão do yoga, vemos o início da vida humana num corpo pelo surgimento dos veículos de manifestação do indivíduo em três corpos (śarīra): corpo causal, sutil e grosso (karana, sῡkṣma e sthula respectivamente). Esses corpos possuem invólucros, que são camadas sutis que nos dão a falsa impressão da limitação e encobrem o Ātmā, ou nosso Eu Real.
Ø O karana śarīra é corpo causal porque é a causa dos nascimentos por ser a ignorância do Ātmā. O invólucro que encobre o Ātmā neste corpo chama-se ānandamaya kośa e nos faz crer que as experiências de felicidade (que na verdade são originárias do Ātmā) sejam vistas como originárias do mundo devido à ignorância.
Ø O Sῡkṣma śarīra é o corpo sutil constituído pela mente, o intelecto e o prāṇa. Este corpo tem três invólucros que chamam-se vijñanamaya kośa (que nos dá a noção de individualidade e julgamento), manomaya kośa (que nos dá a percepção do mundo exterior como instrumento psíquico da mente) e prāṇamaya kośa (onde se desenvolve a maior parte da atividade psíquica pela atividade dos cakras).
Ø O Sthula śarīra é o corpo físico com o qual nos deparamos visualmente para abordamos todo esse universo sutil até chegarmos à Realização de nós mesmos. Seu invólucro chama-se annamaya kośa, que significa bainha do alimento, cuja formação são os cinco elementos grossificados.

Analisando sob o ponto de vista grossificado, temos os músculos como principais veículos de trabalho em nossas práticas yoguícas. Uma vez que os músculos estão ligados a todas as camadas do cérebro e da medula espinhal, podemos visualizá-los como nervos grossos (considerando cérebro e músculos um órgão único). Os músculos sustentam a postura, executam ações e proveem informações sobre identidade e limites. Os três tipos de músculo (estriado esquelético, estriado cardíaco e liso) recorrem a três padrões de bombeamento: a cadência rítmica da bomba cardíaca; a onda longa, uniforme, contrátil e lenta dos músculos lisos; e a duas ondas dos músculos estriados, a fásica, rápida de ação limitada como a do bíceps, ou a de longa duração e estável como a dos músculos antigravitacionais e da coluna vertebral. Quando os músculos e seus bombeamentos estão rígidos devido ao medo, densos por desafio, inchados por falso orgulho ou em colapso por falta de suporte, nossa autoestima se debilita e o autodomínio enfraquece.
Os ossos por sua vez nos dão apoio e firmeza, mas também dão proteção às delicadas estruturas que mantêm seguro o local sagrado em que as células sanguíneas se oxigenam e as células brancas proporcionam imunidade e autorreconhecimento. Uma mãe é capaz de dar suporte ao filho porque seus ossos jovens não se enrijeceram suficientemente ainda. Quando não recebemos esse suporte de nossos pais na infância, tentamos obtê-lo pela contração exacerbada dos músculos que sustentarão os nossos ossos. E se esse recurso nos falha, sentimo-nos em colapso e carentes de autoconfiança. As diversas contrações musculares vão deformando nossos ossos, da mesma forma que uma expressiva falta de tônus muscular pode gerar a perda de suporte. Esse aspecto impresso e registrado em nosso corpo físico pode também ser visto em nosso corpo sutil pelo desequilíbrio energético do primeiro cakra, mῡlādhāra cakra.
Cada um dos cakras representa um nível de consciência com necessidades básicas e registros de uma visão pessoal do mundo e de si mesmo inerentes a cada nível. Portanto, as impressões vivenciadas em nossos corpos, desde a fase intrauterina, vão sendo registradas tanto no campo energético quanto no campo físico. O mῡlādhāra cakra relaciona-se com nossos instintos básicos de autopreservação, nossas vivencias mais arcaicas e primitivas. Se na primeira fase de nossa existência humana experimentamos muitas instabilidades, nossos tecidos corporais nos transmitirão informações que nos levarão a desenvolver apego ou negação na forma de lidar com as necessidades materiais de sobrevivência, e nossa saúde física de forma geral será afetada. Isso acarretará um desequilíbrio neste cakra.
No panorama físico, os efeitos desse desequilíbrio podem ser diversos, por exemplo: quando as articulações sofrem dano ou uma doença, o enrijecimento compacta o organismo, eliminando os espaços dessa grande bomba pulsátil que é o nosso corpo; as sensações se perdem (sensações de alongamento e contração) e a redução da sensibilidade afeta a imagem corporal e o sentimento natural de se mover com confiança. Como exemplo disso podemos destacar situações em que pais que não carregam os filhos, ou deixam de dar a continência suficiente nos primeiros meses de vida, podem levar a criança a enrijecer os músculos a fim de obterem a necessária sensação de suporte. Os reflexos na fase adulta da vida podem ser uma profunda sensação de ansiedade quando essas pessoas tentam desfazer suas contrações musculares, porque lhes falta o suporte interno nos ossos e nas articulações.
Obviamente, do ponto de vista da visão do yoga, é a ignorância de si mesmo que leva o individuo a vivenciar tantos sofrimentos tanto na esfera física quanto mental. Entretanto, é importante conhecer os desdobramentos desse círculo vicioso do samsara nos processos mais delicados de construção do complexo corpo-mente. Afinal de contas, é com os corpos humanos que nos deparamos quando nos propomos a ajudar outros seres humanos nessa empreitada, o sadhana para a libertação!
v RESPIRAÇÃO E CIRCULAÇÃO PRÂNICA

Depois de músculos e ossos, temos toda uma vasta árvore sanguínea. A circulação sanguínea tem sob sua regência um órgão extremamente especializado, o coração. O coração é a bomba central que promove as trocas de sangue e gases em todo o corpo, enviando fluidos energizados para todas as células que formam esse corpo aparente, sthula śarīra.
Também neste segmento, a rigidez ou fraqueza do músculo esquelético cardíaco pode afetar o funcionamento do coração e também dos pulmões, gerando assim sentimentos de ansiedade e inadequação. A respiração é diretamente afetada e as restrições na qualidade da respiração vão gerando enrijecimento de varias partes dessa árvore sanguínea, ocasionando problemas mecânicos e emocionais concomitantemente. A respiração é uma forma especializada de pulsação, significa vivificar, sabemos que não somente pela simples presença do ar mas principalmente pela absorção do prāṇa. Uma vez que os batimentos cardíacos e a respiração estão interligados, eles se influenciam mutuamente; e quando o coração falha por falta de energia, o trabalho da respiração aumenta e vice-versa.
O corpo inteiro é um tubo que pulsa em ondas de expansão e contração na respiração, se falta flexibilidade suficiente e extensa motilidade neste tubo ficamos ainda mais limitados, seja nas ações que podemos realizar ou nos sentimentos que permitimos que emerjam. É simples assim, se os músculos não recebem sangue e oxigênio suficiente, nossas ações ficarão limitadas, se o cérebro recebe pouco oxigênio, ficaremos apáticos, insensíveis, desatentos. Entretanto, o recebimento exagerado do oxigênio no cérebro gera ansiedade, pois somos impelidos a agir. Por isso, mesmo sob o ponto de vista fisiológico, podemos constatar que a pulsação tubária e a respiração são mais do que situações anatômicas, são estados de espírito!
E essa pulsação tubária se faz no corpo físico pela presença dos diafragmas. Em nosso conteúdo anatômico temos algumas configurações que recebem o nome de diafragma, pois são estruturas teciduais que sofrem alterações de contração e expansão promovendo o deslocamento de ar e gerando diferentes pressões.
Os diafragmas que constituem nosso corpo físico auxiliam o processo da respiração nos níveis mais profundos, pois eles aumentam e concentram o fluxo de pressão no corpo todo. Abaixo, estão relacionados os diferentes diafragmas do corpo grosso para que possamos ter consciência de como ocorrem os mecanismos de manobras de pressão e, portanto, de energia em nosso corpo físico:
Ø O primeiro diafragma situa-se nas camadas do crânio, na duramáter e nos ossos, e se estende até o sacro pelo revestimento crural da medula. Esse é o diafragma cerebral e sua pulsação tem um ritmo próprio de 14 batidas por minuto.
Ø O segundo diafragma é formado pela membrana da duramáter junto com a expansão do tronco cerebral, o revestimento da medula espinhal e os músculos occipitais do forame magno. Ele regula a pressão interna da cabeça.
Ø A língua, o palato e todo o teto da boca, os músculos nasofaringianos, a glote, os ossos hioides e os músculos da clavícula constituem o que podemos chamar de assoalho pélvico do cérebro e formam o terceiro diafragma. Além de regular o fluxo de pressão na traqueia, esse diafragma ajuda na postura ereta pelo controle da pressão que vem dos pulmões.
Ø O quarto diafragma separa o tórax do abdomen e é constituído pela caixa torácica, músculos intercostais e intertorácicos e as duas abóbadas do diafragma. Aí se localizam os pulmões e o coração, os tubos do esôfago, aorta, nervo pneumogástrico e veia cava.
Ø O quinto diafragma é o abdomino-pélvico e é formado pelo teto do diafragma, coluna lombar, ligamentos, músculo psoas-ilíaco e assoalho pélvico. Neste segmento estão os órgãos da digestão, excreção e sexualidade, e este diafragma realiza oposição à força descendente da pressão interabdominal que ocorre com a inalação.

Muitas vezes, desde pequenos, cortamos a respiração quando temos medo ou quando nos machucamos. Se tentamos não chorar ou gritar, prendemos a respiração, assim, acabamos por respirar somente quando “temos tempo” ou para exprimir algum alívio. Respirar superficialmente, irregularmente, acaba tornando-se um meio eficaz de não termos mais sensações, falta-nos oxigênio e nossos órgãos vão perdendo velocidade, reduzindo nossas possibilidades de experiência sensorial e emotiva.
Após uma vida de registros comportamentais como os acima mencionados, vamos estabelecendo padrões que ficam impressos na esfera visível e não visível do jīva. Toda esta leitura é feita em nosso corpo sutil por suas interferências diretas na energização dos cakras. Se passamos muito tempo de nossas vidas vivendo a partir de experiências sensoriais e emotivas reprimidas, certamente, acabaremos por desequilibrar energeticamente o anāhata cakra, nosso quinto cakra.
O sistema de cakras oriundo da formação do corpo sutil, ou sῡkṣma śarīra, é o principal instrumento de trabalho do sistema tântrico de yoga, entretanto, os corpos causal e físico também são expressamente influenciados em todo o processo do yoga. Abaixo, vamos explorar um pouco mais a circulação prânica antes de voltarmos à análise dos acontecimentos anatômicos no próximo capítulo.
Sabemos que a necessária circulação de energia por todo o corpo sutil se dá pelas nadīs, que são canais ou fluxos sutis de vibração que se ramificam cobrindo todo o nosso corpo sutil e físico, sendo que no corpo físico não são visíveis aos nossos olhos porque nossos sentidos são lentos demais para alcançarmos a velocidade das vibrações energéticas. Podemos dizer que os caminhos das nadīs se confundem com os das veias, artérias, vasos linfáticos e todos os canais que carregam água, sangue e fluidos de forma geral no corpo grosso.
Quando o oxigênio nos falta, falto-nos também o prāṇa, que recebe também o nome de vayu em sua forma cósmica; e cada cakra tem um vayu com funções específicas. Para a inspiração, o vayu prāṇa localizado no anāhata cakra; para as eliminações, o vayu apana, localizado no mῡlādhāra cakra; para a assimilação, o vayu samana, localizado no manipura cakra; para a distribuição, o vayu vyana, localizado no svadhisthana cakra; e para a ação de inversão, o vayu uddhana, localizado no viśuddha cakra. A energização dos cakras repercute na energização dos plexos nervosos ligados ao Sistema Nervoso Autônomo, sendo assim, por ser autônomo, não temos domínio sobre essas interferências sejam elas inibitórias ou estimulatórias. Por isso, se o corpo físico e mental gerarem registros desestruturadores, esses influenciarão diretamente o equilíbrio energético dos cakras, e na busca de reequilíbrio energético dos cakras podemos influenciar nesse corpo físico e mental através dos plexos.
Para o Tantra, o Universo é a interação entre duas grandes forças polarizadas: Śiva e Śākti (energia do espírito e energia da matéria respectivamente). Aparentemente, isso nos remete a um dualismo pela visão que temos a partir do nosso nível de consciência atual, porém, nos níveis de consciência superiores a face real de todo dualismo é a Unidade. Para uma mente iluminada, o Universo e o Homem são Um!
No processo da Criação em Jīva, vamos nos identificando com cada elemento e, assim, vamos nos “grossificando” até chegarmos ao elemento mais grosseiro, o elemento terra. É aí que o conhecimento de quem Eu Sou fica adormecido e a kuṇḍalinī (śākti) fica presa representando nossa ignorância. Enquanto a śākti, ou energia kundalinī, não despertar, viveremos no mundo da ignorância, sem a descoberta, o despertar de quem verdadeiramente Somos. A kundalinī é a ilusão, a ignorância de que Eu Sou. Portanto, despertar a kuṇḍalinī é despertar a Consciência; enquanto isso não acontece viveremos no mundo das dualidades e conflitos, mas há muito trabalho a ser feito e o caminho é a busca do autoconhecimento. É aí que entra o corpo como uma importante ferramenta desta busca, seja pela execução constante de āsanas, kryās ou prāṇāyamas, o corpo físico é o facilitador de nossa atuação no sutil e nos mostrar as trajetórias que devemos percorrer. Quando começamos a nos interessar pelo Conhecimento mais profundo, pelo desenvolvimento da espiritualidade, podemos dizer que a kuṇḍalinī já começou a despertar no cakra básico (mῡlādhāra); apesar de não ter despertado e não termos atingido o Conhecimento pleno e eterno de que somos Ātmā, já começamos a nossa “subida” em direção à Realização.
v AS REVELAÇÕES DA FORMA HUMANA
Cada forma humana reflete a natureza dos desafios individuais e a maneira como eles afetam o organismo. Por exemplo: enrijecemos por orgulho ou encolhemos por vergonha, endurecemos por privações ou colapsamos por preservação. A anatomia humana, com suas formas específicas e individuais é uma verdadeira morfologia emocional e reproduz um conjunto de sentimentos humanos.
O corpo tem um projeto e os vários tubos e camadas, bolsas e diafragmas que o formam agem em conjunto para dar um sentimento de unidade ao Eu, para produzir um padrão de pulsação. Os músculos geram sensações de ritmo, contenção, continência, liberação, encurtamento e alongamento. Os ossos entram com sensações de compressão e distensão. Os intestinos produzem sensações de inchaço, plenitude e esvaziamento. Assim, tecidos ocos, suaves e densos produzem sensações e sentimentos diferentes, gerando um diálogo sensorial entre as cavidades e os sólidos, entre câmaras líquidas do cérebro e as células musculares de feixes densos. Todo esse relacionamento forma um padrão contínuo de consciência.
Agora que já exploramos aspectos importantes do corpo sob a visão material e sutil, vamos explorar os acontecimentos anatômicos que o corpo vivencia quando o ser humano torna-se um ser autônomo e independente, ou seja, quando assume a postura ereta.
         Pela ótica puramente mecânica, a boa postura ereta é quando os ossos se apoiam uns sobre os outros mantendo-se um alinhamento gravitacional adequado. Mas, ficar de pé é mais do que isso. Existe uma onda vertical pulsátil sustentada por um sistema de suporte feito de tubos, camadas, bolsas e diafragmas. Em condições de equilíbrio, essa onda pulsátil desenvolve movimentos de expansão em direção ao mundo e de afastamento e recolhimento dele, em ritmos variados, permitindo que o organismo dê e receba, se afaste e se aproxime. Assim se dá a organização básica da nossa vida afetiva. Portanto, adotar a postura ereta inclui organizar-se em diferentes níveis: genético, bioquímico, mecânico e emocional. Estar de pé significa estar vulnerável, por isso no mundo animal as partes moles e vulneráveis do organismo ficam mais próximas do chão, protegidas pelas costas e pelos membros. Ao assumirmos a forma humana obtemos muitas conquistas, mas também aumentamos nossa exposição ao ambiente. Algumas conquistas vêm do fato de que aumentamos as informações fornecidas pelos órgãos dos sentidos (olhos, ouvidos, nariz, boca). Assim, abrimos caminho para encontros mais íntimos, mas também para ameaças e perigos. Visto nessa ótica, estar ereto é mais do que ficar de pé, é um evento sócio-emocional que requer uma rede social e interpessoal para se realizar.

Nossa história pessoal e emocional influencia o desenvolvimento e a expressão da forma humana. O cuidado, suporte e transmissão de experiências que a família fornece à criança que está se transformando em adulto completam o desenvolvimento da forma humana. Pois, as possíveis agressões (que são os eventos internos ou externos que despertam nossos reflexos de defesa) oriundas desta fonte geram reações físicas de contração de músculos, suspensão da respiração, entre outras, em nossos corpos. Se a agressão é grave e se sustenta por um bom tempo, o padrão de defesa se aprofunda. Se a agressão continua e as posturas de fuga que adotamos naturalmente não a reduzem, nós nos encolhemos, escondemos, rendemos ou colapsamos. Sendo assim, os perigos internos e externos que vivemos criam reações que mudam nossa forma, e quanto mais persistente for a situação mais estrutural será esta mudança. Isso é o estresse!
O organismo lida de duas maneiras com as agressões que recebe de forma contínua ou cumulativa: resistindo ou cedendo. Quando o organismo resiste, fica em pé perante a agressão a fim de repeli-lo. Quando cede, o organismo se rende, aceitando a agressão e recuando para um nível inferior de funcionamento. Na resistência, o organismo torna-se mais sólido, enrijecido ou retesado, e cria mais forma, estrutura, limites e solidez. Ao ceder, o organismo amolece, rende-se, cria menos forma, estrutura, limites e fica mais liquefeito. Assim vão-se formando os padrões somáticos, que são processos de uma profunda autopercepção, um modo de sentir e conhecer o mundo. Os padrões são mais do que mecânicos, são uma forma de inteligência que promove uma autorregulagem contínua. São também, do ponto de vista anatômico, fenômenos estratificados e tubários que despertam estados musculares da cabeça aos pés, onde músculos e órgãos não estão apenas contraídos, mas organizados em uma configuração.
Através das considerações anteriores, podemos dizer que para compreender um indivíduo, é preciso ser capaz de determinar que configuração pode ser dominante e que outras configurações complexas podem estar presentes, de que modo elas afetam a pessoa emocional e somaticamente. Uma vez que essas configurações tornam-se nossa maneira de reconhecer esse mundo e a nós mesmos, também são uma maneira de nos revelar para o mundo.
Na visão do Tantra, para lidarmos com o indivíduo que busca a evolução e a diminuição dos sofrimentos, o equilíbrio dos cakras, que são os vórtices de energia espalhados por todo o corpo e a liberação do fluxo energético do corpo sutil é fundamental. Conhecemos bem a localização dos sete principais cakras ao longo de todo o eixo vertical do nosso corpo, desde a base do tórax (coluna) até o topo da cabeça. Na visão anatômico-emocional mais contemporânea, também podemos visualizar os processos de desequilíbrio energético desses cakras sob uma ótica mais física, e até mesmo visível.
Conforme conhecemos melhor nosso corpo físico, por dentro e por fora, podemos perceber que alguns pontos específicos do corpo caracterizam-se por haver mais compressão ou contenção, e outros em que isso não ocorre. Ou seja, há uma regulagem maior da pressão e especialização dos segmentos. Alguns exemplos são úteis para visualizarmos esses processos: algumas pessoas encolhem o pescoço até que os espaços entre a cabeça e o tronco desapareçam; outras contraem a cintura a fim de separar o abdomen da pélvis; e outras incham como defesa alternativa. Quando apertamos um segmento, aumentamos a pulsação, quando afrouxamos, diminuímos a pulsação; e quando apertamos alguns segmentos ao mesmo tempo em que afrouxamos outros, criamos uma pulsação desordenada.
Ao fazermos a leitura do corpo e da vida de uma pessoa, devemos ter em mente toda uma configuração particular que se desenvolveu até então tanto no corpo sutil quanto no corpo físico. Uma vez que a proposta no trabalho tântrico é buscar o equilíbrio dos cakras, é importante que tenhamos o conhecimento dos fatos concretos que esse desequilíbrio ocasiona. Por exemplo, pela disfunção energética do anahata cakra o indivíduo pode desenvolver uma bronquite asmática. Mas, nossos sentimentos também podem interferir nestes desequilíbrios. Quando as correntes pulsáteis se amortecem, se imobilizam, são superestimuladas ou concentradas, uma forma somática se estabelece expressando aquilo que vivenciamos. Por exemplo, na asma existe um conflito, pois os pulmões não sabem se devem expirar ou inspirar; a estrutura não pode respirar ou não respira embora esteja tentando fazê-lo; o peito quer descer para ajudar a expiração, mas não consegue e então permanece elevado; embora o cérebro grite para receber ar, os alvéolos não conseguem se contrair e ficam abertos; ou seja, a respiração fica prejudicada porque nem a inspiração nem a expiração se completam. Assim ocorre um conflito pulsátil, que vai produzir padrões corporais em que uma camada do corpo pode estar em bem-estar funcional, enquanto outra está superestimada e uma terceira, inibida. Os reflexos de uma disfunção devem ser olhados atentamente de indivíduo para indivíduo, pois ao adotarmos um padrão de reação à uma agressão, muitas vezes, podemos nos reprimir, inibindo os músculos de ação do esqueleto, enquanto, ao mesmo tempo, estamos nos tornando hiperativos por dentro com órgãos e glândulas em pleno processo de ebulição, ou vice-versa.
v Considerações Finais
Os seres humanos são configurações emocionais complexas, sem forma perfeita, tipo ideal, nem estrutura melhor do que a outra. É preciso termos em mente que no final das contas, sob a ótica da visão dual e da vida universal, as formas somáticas são consequências das tentativas humanas de amar e ser amado. E essa história, cheia de experiências emocionais de cada indivíduo, pode ser encontrada em todos os seus tecidos corporais. A estrutura somática reflete as regras de proximidade e distanciamento, ternura e asserção aprendidas na família de origem. As agressões sofridas são impressas em cada célula, criando uma imagem somática, emocional e psicológica que se entremeia com todos os eventos de vida associados.
Todo tipo de educação somática, inclusive o trabalho do yoga que também pode ser visto desta forma até certo ponto, leva o indivíduo a entrar em contato mais profundo com os fundamentos vivos da existência, que são as ondas pulsáteis que geram excitação, sentimento, pensamento e ação. Nessa busca de educação somática, diversas técnicas foram surgindo, mas nem todas são apropriadas para todos os indivíduos, pois seja no campo da dança, psicodrama, conscientização sensorial ou grounding, cada uma delas deve ser considerada sob a ótica das diferenças individuais estruturais. Cada estrutura (em colapso, rígida, inchada, etc.) precisa de uma abordagem específica, pois a tentativa de atender às expectativas de uma outra pessoa, condutora de uma técnica de educação somática, pode resultar em respostas emocionais indesejáveis.
Com tudo isso, é importante tomarmos consciência de que o trabalho do Yoga, seja na visão tântrica ou noutro tipo de abordagem, se dá diretamente com o individuo e utiliza seu corpo como ferramenta. Ao lidarmos com o corpo, mesmo que tenhamos claro em nossas mentes as limitações e efemeridades desse corpo, precisamos conhecê-lo em todas as suas vertentes. Ou seja, é preciso aprender e repensar a anatomia como mais do que um simples material estático. Na realidade, esta ciência diz respeito a um processo vivo e dinâmico na forma que nos foi dada pela natureza, na forma que criamos como partes de uma sociedade ou família, na forma que estamos moldando neste exato instante. É também um mistério, pois somos nós, jīva, como formas de sentir.

“Conhecer a anatomia emocional é experimentar as dores do desejo e da decepção, os conflitos do contato e a luta pela satisfação, o sabor da intimidade e da individualidade, o conhecimento do amor condicional e incondicional.”   Stanley Keleman