OM MANI PADME HUM

“As pessoas ficam doentes física e mentalmente. Para alguns, a vida é apenas um retardo para a morte; para outros, a morte é mais bem-vinda que a vida. Alguns levam uma vida miserável, incapazes de encarar a morte; outros se suicidam, por serem incapazes de encarar a vida. Estas experiências fazem você crescer por dentro. Se Deus não fez este mundo apenas para o sofrimento, e, se houver algo mais (e eu intuitivamente pressinto isso), eu o descobrirei."

Swami Sivananda

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Mensagem Para o Fim de Semana




O seu destino é encontrar a origem do seu Amor!

Tales Nunes


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Felicidade - Uma Mente em Paz

Extraído das palestras de Swami Chinmayananda a partir Vidya Mandir

"Quando buscamos a felicidade fora de nós, a beleza sutil do que há dentro de nós é facilmente negligenciada".


Sri Swami Chinmayananda


O universo contém vida. Não importa se aquela energia animada que chamamos vida esteja numa planta, num animal ou numa pessoa; ela é a mesma. Todas as coisas vivas têm, pelo menos, uma coisa em comum: a centelha de energia que a fazem existir, sem a qual elas seriam apenas matéria inerte. Essa centelha de vida transforma a matéria inerte em coisas vivas e sensíveis.

Essa força de vida se expressa nos humanos através das percepções e ações do corpo físico, dos sentimentos ou emoções e dos pensamentos no intelecto. Sem vida, nós não vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos, provamos, pensamos ou agimos. Mas quando temos vida dentro de nós, temos uma idéia (um pensamento) que se transforma em desejo (um sentimento) dentro de nós e então passamos a fazer as ações necessárias para satisfazer aquele desejo.

Os impulsos para a ação

Todas as nossas ações diárias parecem sair de dois impulsos básicos: 1- o desejo de experienciar maior felicidade na vida satisfazendo vários desejos e 2- o desejo de evitar aquelas situações ou circunstâncias que nos trazem sofrimento físico, mental e emocional.

Todos nós procuramos felicidade e tentamos evitar o sofrimento. Ninguém gosta de trabalhar duro para trazer desapontamento, frustração e desespero para sua vida. Nós podemos, então, com segurança, assumir que "a procura de uma existência feliz" é um objetivo comum para os seres humanos.

A vida, então, pode ser vista como uma cadeia contínua de eventos, bons e maus, desde o nascimento até a morte. Cada um de nós está tentando criar o maior número possível de elos, de experiências que sejam prazerosas e satisfatórias dentro dessa cadeia. No entanto, cada um realiza essa tarefa de maneira diferente, de acordo como o que parece ser o mais agradável e apropriado naquele momento. Nós nos movemos ao longo dessa cadeia em direção às circunstâncias perfeitas, nas quais seremos completamente felizes e seguros. Mas, na maior parte das vezes, vemos que, quando achamos que conseguimos manipular nossas vidas até bem perto de nossos sonhos, nossas necessidades mudaram. Nossos desejos antigos e conceitos de felicidade foram ultrapassados, da mesma maneira que os brinquedos antigos de uma criança ficam ultrapassados.

Comumente descobrimos que nossa busca externa pela felicidade permanente, além de ser infrutífera, pode até ser fonte de descontentamento em nossas vidas; estamos sempre vivendo a ansiedade da antecipação, a ruptura e a fadiga da busca, a insatisfação com que conseguimos (se e quando conseguimos), o medo de perder uma vez conquistado, e a dor atrelada à perda verdadeira que deve inevitavelmente ocorrer (já que, quando morrer, você não poderá levar consigo aquilo que conseguiu).

Se conseguirmos ver que a felicidade permanente não está, necessariamente, num conjunto de circunstâncias ou objetos materiais, então, deveremos procurar em outro lugar.

A felicidade e a mente quieta

Se pararmos um instante e perguntarmos: "Qual é o fator comum para todos os nossos momentos felizes em nossas vidas?", descobrimos que é uma mente quieta, o que quer dizer uma mente completamente satisfeita e plena com a experiência daquele momento. Tal mente não está dispersa, procurando por algo mais; ela está satisfeita, apreciando o momento presente e as circunstâncias correntes. A felicidade equipara-se a uma mente quieta. O contentamento anda de mãos dadas com a paz mental. Pense: nesse mesmo instante em que experienciamos felicidade, não estamos conscientes da dor em nossos corpos, nossas emoções não estão ferozes e tempestuosas e nossas mentes não estão fervendo com idéias intelectuais. Não nos sentimos compelidos por desejos; estamos satisfeitos para apreciar a experiência do momento.

Esse fato não significa que precisamos ser inativos para usufruir da felicidade. Ao contrário, essa experiência de completude, felicidade e satisfação está disponível para nós entre as mais dinâmicas aventuras e empreitadas. A felicidade, portanto, parece ser uma experiência puramente subjetiva ou pessoal, como com qualquer casal - em que um seja fumante e o outro não fumante - poderia testemunhar. O que é prazer para um é sofrimento para o outro. O traço comum na felicidade de cada um parece ser um estado da mente que inclui, pelo menos, um contentamento passageiro, com relação à situação e circunstância do momento presente.

A felicidade equipara-se a uma mente quieta, uma mente disponível para experienciar de maneira completa o momento presente, sem ficar vagando entre os "queria", "devia" e "poderia". Felicidade é a qualidade do entendimento completo e a apreciação das circunstâncias da vida no momento presente, enquanto elas estão em frente a você, e a experiência de satisfação no presente, quer as circunstâncias se encaixem nas suas expectativas e desejos ou não. É saber a verdade que a vida no momento presente é do jeito que é, e que a satisfação com a vida não é dependente de circunstâncias externas. Apesar das gratificações sensoriais poderem oferecer momentos passageiros de prazer, a satisfação é uma experiência que vem de dentro e na busca externa pela felicidade, essa sutil beleza interna é facilmente negligenciada.

Considere a experiência de perder um molho de chaves. Procuramos freneticamente por elas pela casa inteira. Quanto mais procuramos, mais agitados ficamos; e quanto mais agitados ficamos, mais perdemos nosso equilíbrio e discriminação racional e nossa mente começa a ficar sem controle.

"Oh! Vou me atrasar!"

"Oh! Não vai dar para...."

"Oh! Vou ter que chamar..." etc., etc.

E então, quando damos uma parada para respirar, vemos que as chaves estavam no nosso bolso o tempo todo.

Da mesma forma, quando paramos de buscar a felicidade do lado de fora (correndo atrás de objetos materiais que achamos que nos farão felizes), descobrimos o potencial de felicidade dentro de nós. Começamos a ver beleza e propósito em volta de nós. Vemos tudo de uma nova perspectiva. Aprendemos a ver o lado bom de nossa situação, qualquer que seja, e usufruir do que temos "aqui e agora" em vez de constantemente estarmos insatisfeitos e querendo que a vida seja diferente - que ela seja mais, menos ou simplesmente diferente. Se alguém nos oferece meia maçã, não ficamos desapontados pela parte que está faltando, mas gratos pela metade que conseguimos.

Lógica e experiência nos dizem que nunca poderemos encontrar felicidade permanente no mundo exterior a menos que a encontremos primeiro em nós. Todos sabemos, pela experiência, que quando sorrimos para o mundo, o mundo nos sorri de volta e que, se procurarmos por problemas , eles virão. Conforme a mente, assim será o mundo. Se estamos cheios de amor, felicidade e satisfação, o mundo refletirá essa harmonia.

Vidya Mandir: Felicidade - uma mente em paz: FELICIDADE - UMA MENTE EM PAZ Extraído das palestras de Swami Chinmayananda

domingo, 7 de dezembro de 2014

Mensagem Para a Semana

"O único trabalho que a espiritualidade purifica é aquele realizado sem motivações pessoais, sem desejo por fama ou reconhecimento público ou engrandecimento, sem a insistência das motivações mentais da própria pessoa, ou desejos e demandas vitais, ou preferências físicas, sem vaidade ou arrogância, ou busca por posição ou prestígio. O único trabalho que purifica é aquele realizado tendo como causa a Força Maior exclusivamente e sob o comando da Força Maior. Todo trabalho realizado no espírito egoístico, embora bom para as pessoas no mundo da ignorância, não tem valor para o buscador do Yoga."

 

Sri Aurobindo


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Respiração - Yoga Journal

Respire

Seis meses para explorar e descobrir o pranayama, prática que traz um novo mundo de calma e estabilidade

Um praticante recém-chegado ao mundo das posturas do Hatha Yoga provavelmente se surpreende ao saber que a maioria dos mes­tres dá mais importância à respiração do que à forma física dos asa­nas, e que existem aulas para aprender a respirar. A gente já inspira e expira naturalmente. O que tem de difícil nisso?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Os Mantras e o Sagrado Mantra OM

   
   Embora no ocidente já tenhamos absorvido a ideia de que todo tipo de cântico é mantra, na realidade, mantra é o nome dado aos versos dos Vedas. Um mantra é, literalmente, "aquilo que protege a mente". Como parte dos Vedas, sua principal finalidade não é a musicalidade mas a transmissão de uma informação, de um ensinamento. A estrutura dos mantras é muito rígida a fim de proteger a informação nele contida, de forma a garantir que duas pessoas que não se conheçam cantem o mesmo mantra de forma idêntica. Para isso, é imprescindível a presença de um professor que domine essas regras e esteja na tradição do Ensinamento. Os mantras vêm sendo transmitidos oralmente desde milhares de anos até os dias de hoje.
   É dito que todo mantra carrega em si um poder que é ativado pela repetição apropriada. Esse poder não está no entendimento do significado do mantra, nem na visualização de alguma imagem; o poder está contido no próprio som dos mantras, uma vez que devem ser cantados rigorosamente na métrica correta, facilitando a absorção da mente no canto e contribuindo para uma mente meditativa.
   Quando cantamos os mantras sem preocupação com a métrica correta, eles não só mudam o objetivo como recebem novas nomenclaturas (slokam, stotram, kirtanam, bhajanam).

   
   OM, em sânscrito, é a sílaba sagrada. É o mais importante de todos os mantras, pois é o símbolo da divindade suprema, o som primordial através do qual o amor de Deus vibra no coração dos seres humanos. É uma invocação, uma bênção, uma afirmação. Ele guarda em potencial todos os mantras dos Vedas, pois guarda em potencial todo o Veda com todo o conhecimento contido nele.
 O Om é formado pelas letras A, U e M, entretanto, segundo a rígida regra gramatical do sânscrito, ao unirmos A e U obtemos a letra O. Por isso escrevemos e pronunciamos OM, e não AUM. A letra A representa o início, a Criação, por isso está associada à Brahman (o Absoluto); a letra U representa o meio, a manutenção, por isso está associada à Vishnu (o aspecto divino da sustentação); a letra M representa o final, o ato de dissolver e destruir, por isso está associada à Shiva (os aspecto divino da transformação). 
  As três letras que formam o Om também simbolizam os três gunas (sattva, rajas e tamas - conhecimento, ação e inércia respectivamente), que são qualidades fundamentais inerentes a tudo que há na natureza, e que, combinadas entre si, constituem todo o Universo. Além disso, também representam os três períodos de tempo (passado, presente e futuro), os três corpos do Absoluto (universo físico, sutil e causal), os três Vedas (Rg, Sáma e Yajur Veda) e muitos outros aspectos do simbolismo védico em número três.
   Todo mantra tem início com o Om. O próprio Veda tem como primeira sílaba o Om. Por essa razão, porque Om carrega todo o conhecimento, quando se começa algo novo, seja uma aula ou algo importante a se fazer, tradicionalmente se diz: OM!

Shanti Om: Significa Paz

Namaste: Significa “O Deus que está mim, reconhece o Deus que está em ti, e diante desse Deus e Sua Luz eu me reclino.”


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Uma Mensagem...





“As histórias únicas criam os estereótipos, e o problema do estereótipo não é que ele seja uma mentira, mas sim incompleto. Eles fazem com que uma história torne-se a ÚNICA história. A consequência da única historia é que ela rouba de um povo sua dignidade. Torna difícil o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada. Enfatiza como somos diferentes ao invés de como somos semelhantes.
Quando tomamos consciência de que nunca há uma única história sobre qualquer lugar, nós retomamos uma espécie de paraíso.”


Chimamanda Adichie

TRANSFORMAÇÃO: Uma Questão de Valores

“Todos conhecem o caminho, mas muito poucos o seguem" (Buddha). 


Durante nossa vida, e principalmente na infância, amigos, pais, professores, nos ensinam como devemos ser, muitas vezes nos "educam" com "mandamentos" que eles próprios têm dificuldades de cumprir. O que esquecem é que ensinar, e educar, é uma questão de agir com coerência. A criança observa preciosamente o que seus pais fazem e acaba repetindo essas atitudes, ainda que o discurso seja diferente. E se nos observarmos em nosso dia-a-dia perceberemos como é fácil se perder no alinhamento entre pensamento-discurso-ação. Quantas vezes dizemos que devemos aceitar o outro como ele é e, em seguida, criticamos e julgamos as atitudes dos nossos pais, cônjuges, filhos, etc. 
É difícil aplicar a coerência entre o pensamento, a fala e as ações em nossas vidas, mas não é impossível. O apego aos padrões automatizados é intenso, vivemos numa sociedade que se julga culpada e pecadora há anos e recebemos lições sociais diárias que nos mostram que esperto é quem pega o seu pedaço do bolo primeiro. Viver no "piloto automático" pode ser uma opção, todos temos direito a isso, mas ter as rédeas da nossa vida nas mãos nos dá a condição de construirmos algo que esteja em harmonia com nossa Essência, nos permite saber quem somos de fato, o que realmente queremos, onde queremos chegar. Quando chegamos neste ponto de autoconhecimento e busca interna, sentimos a necessidade de transformar padrões e realizar mudanças e, aí, nos deparamos com a importância de estabelecermos os valores éticos universais. 
O que é um valor? Podemos defini-lo com uma norma de conduta originada na maneira pela qual eu desejo que os outros me vejam ou me tratem. O que eu desejo dos outros deve tornar-se meu padrão de comportamento, meu comportamento adequado. Em sânscrito, um comportamento adequado também é o significado do tão conhecido termo dharma. Portanto, se eu quero que falem-me a verdade, falar a verdade é dharma para mim. Dessa forma, as normas éticas não são regras arbitrárias criadas pelos homens; elas são o fruto de uma consideração inerente ao seu próprio interesse e conforto. E esses valores éticos podem sofrer algumas variações culturais, mas, basicamente, possuem uma certa universalidade. Entretanto, por serem universais não significa que sejam absolutos. De acordo com as diferentes situações, muitas vezes, precisarei relativizar meus valores apesar de manter seu conteúdo universal.
Amparado na visão dos ensinamentos védicos, swami Dayananda nos mostra a importância de apreciarmos cada valor ético universal, além de adquirirmos nossos valores de forma pessoal e completa. O valor que fala da coerência é arjavam. Arjavam significa retidão, e, ao representar um valor ético universal, a palavra assume um significado mais amplo, sendo a conduta de uma pessoa de acordo seus padrões éticos. É a coerência entre os pensamentos, as palavras e os atos. Isso é possível para aquele que é autêntico, que se aceita como é, que reconhece tanto as suas limitações quanto as suas habilidades. Podemos considerar este valor como uma extensão de satya (falar a verdade), porém arjavam é ainda mais abrangente, pois inclui não apenas a linguagem mas também os pensamentos e as ações.
O não-alinhamento entre pensamentos, palavras e ações resulta numa pessoa dividida, desintegrada, não inteira. Quando satisfazemos um objetivo imediato às custas do valor universal, podemos obter um conforto passageiro, mas a longo prazo haverá o desconforto gerado primeiro pelo conflito, depois pelo aumento do acúmulo de culpas inevitável. Os conflitos aparecem quando somos incapazes de viver de acordo com um determinado valor aceito por nós, consciente ou inconscientemente.
O conteúdo universal dos valores só pode ser descartado se não houver na pessoa qualquer preocupação pela forma como os outros a tratam. Ao desejarmos que uma pessoa se comporte de determinada maneira, estamos invariavelmente presos a um sistema de valores.
Para que realmente possamos educar e transmitir os valores universais às pessoas que nos cercam, precisamos ter esse alinhamento como um valor assimilado. Um valor é assimilado quando a pessoa o segue naturalmente. No caso de satya (falar a verdade), inicialmente, a mente tem que deliberar para falar a verdade, porque agir assim talvez envolva algum sacrifício. Mas quando o valor é seguido constantemente e o valor pela paz da mente resultante dessa atitude é apreciado, falar a verdade torna-se natural. Então, a pessoa só consegue falar a verdade. Assim, deixa de ser mais um valor e torna-se sua própria natureza. Todos os valores deveriam ser assimilados dessa maneira. 
Expandindo ainda mais nossa visão sobre o papel dos valores éticos na busca do autoconhecimento que gera as mudanças, podemos acrescentar outra ótica da mesma abordagem através das seguintes palavras do swami acerca das escrituras sagradas do Vedanta:
“Todas as escrituras recomendam valores para serem seguidos como sadhana; são qualidades a serem adquiridas. Quando se analisa um valor qualquer, verifica-se que ele leva a um valor: gerar uma mente tranquila e manter a pessoa consigo mesma. Quando isso é compreendido, a importância ou a necessidade de seguir valores pode ser apreciada. Senão os valores permanecem apenas como mandamentos, como “faça e não faça”. O problema principal que as pessoas têm com os valores é que elas os aceitam sem descobrir o valor deles. Um pai adverte a filha para falar a verdade. A criança aceita a ordem devido ao amor e ao respeito que tem pelo pai, mas não entende porque ela deve dizer a verdade e não dizer uma não-verdade.O pai não levou a filha a descobrir o valor de dizer a verdade; sua importância na vida não foi explicada. Isso permanece em sua mente como um valor não assimilado que não poderá ser relacionado na vida do dia a dia. O valor de dizer a verdade é de novo confirmado por professores e pes­soas mais velhas, mas a sua relevância para a vida nunca vem a ser compreendida pela criança.
Quando cresce, a criança adquire um valor pelo dinheiro e pelo poder. Falar a verdade permanece apenas como uma obrigação imposta por seu pai e seus professores, e então isso não tem valor para ela. Mas, ganhar dinheiro tem um valor, porque, evidentemente, dinheiro é necessário para viver, para obter prazeres e segurança. O mesmo se pode dizer com relação a obter poder. Os benefícios de adquirir dinheiro e poder são evidentes, as pessoas desenvolvem então um valor por eles. Esses valores são assimilados, não são valores resultantes de obrigações. Se para obter dinheiro e poder for preciso dizer uma não-verdade, a pessoa a dirá, porque dinheiro e poder são considerados importantes, enquanto a verdade não o é. Seu valor não foi descoberto. Falar a verdade é praticado apenas como uma obrigação para com o pai, o professor ou a sociedade, enquanto os valores por dinheiro e poder são assimilados, valores pessoais. Que chance possui o falar a verdade quando as coisas importantes na vida são dinheiro, poder, amigos e influência sobre as pessoas. Falar a verdade é praticado apenas enquanto for conveniente, enquanto não constituir obstáculo para a consecução de outros objetivos. Assim, os valores por certas coisas, como dinheiro, têm sempre a última palavra. Valores como falar a verdade sempre são sacrificados. A conveniência, não a verdade, torna-se a norma reguladora.
Valores não assimilados criam conflitos e um sentimento de culpa. A fim de assimilar valores, é preciso compreender o valor dos valores. Um valor é um valor apenas quando o valor dos valores é valorado. Uma mente simples, tranquila é a coisa mais valiosa, porque é isso que a pessoa está tentando obter através de todos os empenhos na vida. Os valores que ensejam a aquisição desse estado mental deveriam ser os mais valiosos. Assim, se o valor de falar a verdade é descoberto como sendo maior ou pelo menos igual a ganhar dinheiro, a verdade não ficará comprometida por causa do dinheiro. Além do mais, o dinheiro é para benefício de mim mesmo, não para o dele próprio. Se, então, o dinheiro não me trouxer felicidade e conforto, eu, certamente, renunciarei a ele."
Para tomarmos posse do nosso próprio poder, e isso não implica sermos maiores nem menores do que ninguém mas sim ter nosso espaço sagrado preservado, é preciso vivermos nosso melhor potencial, nossas melhores possibilidades, sem termos que ser um outro alguém nem nos deixarmos escolher vivenciar atitudes que reforçam nossas fraquezas. É preciso nos aceitarmos como somos, mantendo a coerência como a base das nossas ações para atingirmos as mudanças que desejamos realizar em nossas vidas, e alcançarmos o desejado estado de equilíbrio.

"É preciso aprender que cada valor tem como alvo o mesmo objetivo - alcançar uma mente tranquila - nenhum valor pode ser seguido como um valor isolado. Não é possível que alguém diga a verdade e seja ao mesmo tempo pretensioso. Ninguém pode praticar a não-agressão sem ser tolerante. Todos os valores estão inter-relacionados. De fato, eles constituem apenas um único valor - o valor por uma mente simples, tranquila - visto sob diferentes pontos de vista. Todo valor leva a pessoa a ficar consigo mesma. A vida torna-se simples. Uma mente que usufrui de valores assimilados é uma mente pura. Essa mente será capaz de apreciar o fato de que é ananda, quando isto lhe for revelado ou mostrado. Essa pessoa está qualificada para aprender e apreciar o autoconhecimento", diz swami Dayananda em seu texto Valores: Diretrizes Para a Ação.

Glaucia Cantergiani

sexta-feira, 4 de abril de 2014



SAWABONA


Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas… que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade.

Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente:

“Eu sou bom”
Sawabona Shikoba!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
“EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PARA MIM"

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é:
"ENTÃO EU EXISTO PRA VOCÊ"

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Quando a Ciência se Aproxima da Espiritualidade!

“Anestesiamos a vulnerabilidade. Vivemos num mundo vulnerável, mas a forma como lidamos com isso é anestesiar a vulnerabilidade; porque  a vulnerabilidade é o centro da vergonha e do medo, e da nossa luta por merecimento. Mas, parece que também é a origem da alegria, da criatividade, do pertencimento, do amor. Você não pode seletivamente anestesiar emoções. Não é possível dizer: aqui está a parte ruim, aqui está a dor, aqui está a vergonha, aqui está o medo, aqui está o desapontamento e eu não quero sentir isso, então, vou tomar umas cervejas... Você não consegue anestesiar esses sentimentos pesados sem anestesiar os outros sentimentos, nossas boas emoções. Você não pode anestesiar seletivamente. Assim, quando anestesiamos os sentimentos não desejados, anestesiamos também a alegria, a gratidão, a felicidade. E ficamos infelizes, procurando por propósito e sentido, e nos sentimos vulneráveis, e tomamos uma cerveja... E isso se torna um ciclo perigoso.

O jeito é nos deixarmos ser vistos, vistos profundamente, vistos vulneravelmente, amar com todo o coração mesmo que não haja garantia, praticar gratidão e alegria, e acreditarmos que somos suficientes, pois quando despertamos o sentimento de “sou suficiente”, paramos de gritar e começamos a escutar, somos mais bondosos e gentis com as pessoas ao nosso redor e conosco.”
Brene Brown



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Educação: A visão de Sri Aurobindo, formulada em termos prático-vivencias por Mira Alfassa, A Mãe!


Foto: Love you Maa 
"A princípio, amamos apenas quando somos amados. A seguir, amamos espontaneamente, mas queremos ser amados em troca. Mais tarde, amamos mesmo se não somos amados, mas ainda assim queremos que nosso amor seja aceito. E, finalmente, amamos pura e simplesmente, sem nenhuma outra necessidade ou alegria que a de amar." 
A Mãe
Segundo a Mãe, a Educação deveria abranger os cinco principais componentes do ser humano: o físico, o vital, o mental, o psíquico e o espiritual. A educação integral visaria "a realização simultânea de dois movimentos interligados: de um lado, o ajudar o ser a encontrar sua lei de crescimento característica e missão central e caminho, e crescer em conformidade com eles; junto com isso fazê-lo ver e com força sentir a unidade que tudo forma e como cada um de nós, integrando esta unidade, é um de seus múltiplos elementos, minúsculo em relação à imensidade do Todo e, no entanto, indispensável para seu existir..." (Rolf Gelewski, 1977).

Os Três Princípios Educacionais de Sri Aurobindo:

Primeiro Princípio: Nada pode ser ensinado. O professor não é um instrutor ou um mestre de tarefas, ele é alguém que ajuda e guia.

Segundo Princípio: A mente tem que ser consultada em seu próprio crescimento.

Terceiro Princípio: Trabalhar a partir do que está perto para o que está distante, a partir do que é para o que deve ser.

“O primeiro princípio do ensinar verdadeiro é que nada pode ser ensinado. O professor não é um instrutor ou um mestre de tarefas, ele é alguém que ajuda e guia. Sua tarefa é sugerir e não impor. Ele, no fundo, não treina a mente do aluno, apenas lhe mostra como aperfeiçoar seus instrumentos de conhecimento, e o ajuda e encoraja no processo. Ele não lhe transmite conhecimento, ele lhe mostra como adquirir conhecimento por si mesmo. Ele não faz aparecer o conhecimento que está dentro, apenas lhe mostra onde se situa e como se pode habituá-lo a subir à superfície. A distinção que reserva este princípio ao ensino das mentes adolescentes e adultas e nega sua aplicação à criança, é uma doutrina conservadora e não inteligente. Criança ou homem, menino ou menina, há somente um princípio sadio de bom ensino. A diferença de idade serve apenas para diminuir ou aumentar a quantidade de ajuda e guiança necessárias; não muda sua natureza.”

“O segundo princípio é que a mente tem que ser consultada em seu próprio crescimento. A idéia de martelar a criança até ela chegar a forma desejada pelo pai ou pelo professor é uma superstição bárbara e ignorante. É ela própria que deve ser levada a expandir-se de acordo com sua própria natureza. Não pode haver erro maior do que o pai estabelecer de antemão que seu filho deve desenvolver qualidades, capacidades, idéias, virtudes particulares, ou ser preparado para uma carreira preestabelecida. Forçar a natureza a abandonar seu próprio dharma é causar-lhe um mal permanente, mutilar seu crescimento e desfigurar sua perfeição. É uma tirania egoística sobre uma alma humana e um ferimento à nação, que perde o benefício do melhor que um homem poderia ter dado a ela, e em vez disto é forçada a aceitar algo imperfeito e artificial, de segunda mão, padronizado e comum. Cada um tem em si algo divino, algo bem seu, uma chance de perfeição e força em uma esfera por menor que seja, que Deus oferece a ele para pegar ou recusar. A tarefa é encontrar isto e desenvolvê-lo e usá-lo. O objetivo principal da educação deveria ser ajudar a alma em crescimento a extrair de si o melhor e torná-lo perfeito para um uso nobre.”

“O terceiro princípio da educação é trabalhar a partir do que está perto para o que está distante, a partir do que é para o que deve ser. A base da natureza de um homem é quase sempre, em acréscimo ao passado de sua alma, sua hereditariedade, seu ambiente, sua nacionalidade, seu país, o solo do qual ele tira sustento, o ar que ele respira, as paisagens, os sons, os hábitos a que ele está acostumado. Apesar de insensivelmente, eles não o moldam menos poderosamente, e é disto, pois, que temos que começar. Não devemos arrancar a natureza pelas raízes da terra em que ela deve crescer, ou rodear a mente com imagens e idéias de uma vida que é estranha a esta em que ela deve fisicamente se mover. Se alguma coisa tem que ser introduzida de fora, ela deve ser oferecida, e não forçada sobre a mente. Um crescimento livre e natural é a condição do desenvolvimento genuíno. Existem almas que naturalmente se revoltam contra seu ambiente e parecem pertencer a outra idade e clima. Que elas sejam livres para seguir sua inclinação; mas a maioria enfraquece, torna-se vazia, torna-se artificial, se artificialmente adaptada ao molde de uma forma estranha. É o arranjo de Deus que elas pertençam a uma nação, época, sociedade particulares, que elas sejam crianças do passado, possuidoras do presente, criadoras do futuro. O passado é nossa base, o presente nosso material, e o futuro é nosso objetivo e cume.”

sábado, 23 de novembro de 2013

Quando Todas as Frentes de Busca pelo Autoconhecimento Estão Embasadas na Verdade e Boa Fé, Falam a Mesma Língua!


sexta-feira, 13 de setembro de 2013




EDUCACÃO INTEGRAL - Os três princípios do verdadeiro ensino

"O primeiro princípio da doutrina verdadeira é que nada pode ser ensinado. O professor não é um instrutor ou mestre-tarefa, ele é um auxiliar e um guia. Seu negócio é sugerir e não impor.

" O segundo princípio é que a mente tem de ser consultada em seu próprio crescimento. A idéia de martelar na criança a forma desejada pelo pai ou professor é uma superstição bárbara e ignorante. É ele mesmo quem deve escolher e expandir de acordo com sua própria natureza.

"O terceiro princípio da educação é trabalhar a partir do próximo ao distante, do que é para o que deve ser. A base da natureza de um homem é quase sempre, além do passado de sua alma, sua hereditariedade, seu entorno, sua nacionalidade, seu país, o solo do qual ele tira o sustento, o ar que ele respira, as visões, sons, hábitos para qual ele está acostumado. Se alguma coisa tem que ser trazido de fora, ele deve ser oferecido, não forçada na mente.

Um crescimento livre e natural é a condição de verdadeiro desenvolvimento.

Sri Aurobindo em 'A Mente Humana "

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O que é Dharma-Karma-Karma Yoga?


A palavra dharma tem origem na raiz dhr, do sânscrito, e possui vários significados: existir, viver, continuar, segurar, suportar, sustentar. Sendo assim, vem sendo utilizada em seus vários sentidos tendo em vista as várias traduções utilizadas, sendo as mais comuns: retidão, virtude, dever. Num sentido mais amplo, dharma significa a natureza ou caráter de um ser ou objeto inanimado, por isso, podemos falar que plantas, animais, etc., possuem seu dharma. Por exemplo: o dharma de uma vaca é dar leite e pastar (não inclui espreitar e matar presas), do fogo é gerar calor e luz, e assim por diante.
Seguindo esta ótica, segundo a visão dos Vedas, a natureza do ser humano é a plenitude absoluta. Entretanto, em relação ao indivíduo, o dharma pode ter diferentes nuances de significado, uma vez que o indivíduo ainda não reconheceu sua própria plenitude.
O conceito mais evidente de dharma é a ética que regula os desejos do indivíduo que busca o autoconhecimento. Os desejos de riqueza, segurança e prazeres sensoriais são comuns a todos os seres vivos. Nos animais, a busca desses desejos é governada pelo instinto. Quanto ao ser humano, cada um tem a opção de agir em harmonia com sua natureza em relação aos outros indivíduos numa sociedade, ou pode não fazê-lo (livre arbítrio). Sendo assim, não são os instintos, mas os valores que governam a busca por artha e kama (desejos e prazeres) no ser humano. O que dá fim a todos os desejos e objetivos é mokṣa (a liberação, que é o reconhecimento da própria natureza como plenitude). Até que se alcance essa plenitude, as leis do dharma funcionam com linhas de ação que norteiam a nossa vida. Importante lembrar que cada indivíduo deve ter um conjunto de linhas de conduta que governe seus valores, já que os valores são sujeitos a variações e mudanças. Esse conjunto é a ética, também chamado de Dharma. Então, dharma inclui uma ética no bom senso necessário na escolha das nossas ações e a consciência de que todas as nossas ações geram resultados, seja nesta ou noutra existência.
Nos Vedas, as consequências de nossas ações chamam-se punyam e papam, que significam mérito e demérito respectivamente. As ações que tomamos na vida e que geram punyam-papam são o que chamamos de karma. Se damos valor às nossas ações, prestando atenção a elas, seguindo o dharma, podemos dizer que levamos uma vida de karma yogi!

Yoga
Antes de entrarmos no conceito de karma yoga, vamos dar uma pincelada no conceito de yoga e de karma. Atualmente, existem alguns enganos no uso do termo YOGA, pois alguns autores classificam o yoga subdividindo-o em tipos de yoga, por exemplo, bhakti yoga (yoga devocional), jñana yoga (yoga do conhecimento), dhyana yoga (as meditações do yoga), karma yoga (yoga da ação, como é traduzido comumente), hatha yoga, sistema de Patañjali, etc. Entretanto, esses, entre muitos outros, são sistemas ou caminhos do Yoga que vão se adequar ao temperamento de cada indivíduo, são simplesmente atividades que compõem o YOGA. Tudo é o mesmo yoga. Yoga é o estilo de vida baseado no ensinamento védico cujo objetivo é o autoconhecimento, compreendermos nossa verdadeira natureza, nossa relação com o Criador e a Criação.
Outro engano comum é com relação aos estilos de prática de posturas do Hatha Yoga (a parte física do yoga). A diferença no estilo ou método de prática dos āsānas e prānāyāmas dá a impressão de que há vários Yogas, mas Iyengar, Ashtanga, Vinyasa, etc., são apenas estilos diferentes de praticar as mesmas posturas, que também vão se adequar ao temperamento de cada um. Ou seja, é tudo Hatha Yoga.
Yoga é um conjunto de técnicas que visam o equilíbrio do individuo para que ele possa descobrir-se como ser completo. E a descoberta desse ser completo, adequado em si mesmo, que não depende de situações para ser feliz, é o objetivo dos Vedas.

Karma

Quanto ao termo karma, a palavra sozinha significa ação. No sentido pleno, são ações que fazemos na vida. Mas, há outra abordagem de karma que, segundo a tradição védica, relaciona-se com a posição em que nos encontramos agora na sociedade. Segundo os Vedas, há três tipos de karma:
1.     São situações potenciais que poderemos viver, como sementes em depósito aguardando a hora de germinar e que só germinarão se encontrarem solo fértil. Nesse tipo de karma, nós podemos agir para neutralizar o poder germinativo desses acontecimentos, ou seja, mudar ou evitar aquilo que estaria para acontecer. Para isso, é necessário o autoconhecimento!
2.     É o que estamos vivendo agora, o que costumamos chamar de destino, o que foi escrito e condiciona nossa vida atual como: tipo físico, condições psicológicas, biológicas, sociais, etc. Chama-se prarabdha karma. Portanto, são as experiências que temos que viver, na forma de oportunidades, a fim de ultrapassarmos nossas dificuldades. Dessa forma, as situações se repetem na vida da pessoa até que ela esteja preparada para a situação, neste momento, ela não precisará mais viver a experiência porque já ultrapassou a dificuldade.
3.     O karma que está sendo criado agora, por isso temos plena administração sobre ele. É o nosso livre arbítrio relacionado com nossas ações, palavras e pensamentos nesta vida de onde poderemos colher frutos ou urtigas. Para isso, é necessário o autoconhecimento!

Karma Yoga

A partir desses esclarecimentos, podemos voltar ao karma yoga, atitude de yoga. Como vimos acima, Karma yoga não é mais um tipo de yoga nem a ação do trabalho voluntário, apesar desse termo ser usado por alguns para se referir a atividades sem remuneração nos ashrams da Índia ou na sociedade. Na realidade, esse tipo de trabalho chama-se seva. Karma yoga é a maneira como o yogi se comporta diante das ações (karmas) na sua vida.
Na Bhagavad Gītā, a história de Arjuna nos revela que existem dois estilos de vida para o autoconhecimento: a renúncia, em que o renunciante se dedica exclusivamente aos estudos por dom ou temperamento, e o karma Yoga, para os que desejam continuar inseridos na sociedade, porém com a vida direcionada para a busca espiritual. Não é uma questão de repressão ou disciplina rígida, mas a opção de uma vida normal como um meio para autoconhecimento. Sendo assim, na visão védica, a pessoa normal (que não está voltada para o autoconhecimento) faz karma (ações) e a pessoa espiritualizada (que busca o autoconhecimento) faz karma yoga. Assim, o termo yoga está junto de karma apenas para dar esse sentido, de que a ação é Yoga. Vivemos a vida com a atitude centrada nos valores do yoga ao executar nossas ações e com a atitude centrada nesses mesmos valores ao receber o resultado dessas ações. Uma vez que a vida de Yoga passa por aprendermos a viver em harmonia com Deus/Poder Supremo/Força Universal, qualquer ação do nosso dia-a-dia é oferecida à Criação. Esse oferecimento não é para alguém ou algo que esteja fora, que sejamos capazes de deixar zangado ou que tenha um sentimento de falta que caiba a nós preencher. Nesta ótica, Karma yoga consiste em fazer a ação na forma de um oferecimento à Criação, como as que oferecemos a um ente querido, e receber os resultados como vindos da própria Criação de acordo com nossas ações passadas (punyam-papam). Karma yoga é uma atitude na ação que representa uma maturidade no objetivo de vida, onde o autoconhecimento é o foco e a clareza de enxergarmos as limitações das nossas ações vem junto com o entendimento de que o resultado das ações não depende de nós. É dito que qualquer tipo de ação pode produzir quatro tipos de resultados:

Igual à expectativa
Menor que a expectativa
Maior que a expectativa
Totalmente diferente do esperado

Ex.: A pessoa atravessa a rua pra pegar um ônibus e: o ônibus passa bem na hora e ela entra feliz; o ônibus demora a passar e vem lotado; antes do ônibus passar, o colega de trabalho oferece uma carona; ou, a pessoa acordo três dias depois na cama de um hospital porque o ônibus passou rápido demais!
Todos esses resultados são possíveis. Assim, quando cada resultado ou situação surge na nossa vida, aceitamos como uma atitude de reverência de quem está recebendo algo que vem do próprio Criador, não importa se é doce ou amargo, é o que está sendo apresentado naquele momento.
Se tivermos o autoconhecimento como objetivo na vida, toda ação se torna uma possibilidade de crescimento, exatamente o que é preciso ser vivido por nós. Sem canalizarmos nossas expectativas, ficamos a mercê do mundo. Nós somos responsáveis pela ação e a Criação é responsável pelo resultado da ação. Essa maneira de tomar as decisões e encarar as situações na vida é a espinha dorsal do que chamamos de YOGA. O yogi, portanto, é a pessoa que traz karma yoga para a sua vida; karma yoga está embasada nos Vedas, sendo assim, a essência do Yoga está nos Vedas.


KARMA YOGA É A SÁBIA GERÊNCIA SOBRE AS AÇÕES PARA PRODUZIRMOS UMA COLHEITA MELHOR, E ESTA COLHEITA NÃO É GERAR COMPENSAÇÕES NO FUTURO, MAS ALCANÇAR MOKṢHA!

*Texto compilado a partir de textos sobre o assunto de autoria de Glória Arieira, Swami Dayananda e Jonas Masseti.